Sábado, 26 de Maio de 2012
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23/01/2012 - 19h05
Fonte: Estado de Minas
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Em plano nacional, não tem conversa: é cada um no seu quadrado. Em Belo Horizonte, a inédita e surpreendente amizade azedou e, se depender do vice-prefeito, o petista Roberto Carvalho, PT e PSDB não vão mais marchar juntos rumo à prefeitura, como em 2008.
Mas, ironicamente, na terra de Carvalho, a calorenta Ubá, na Zona da Mata, “o espeto é de pau”. Ali, não houve conflito e Vadinho Baião (PT), eleito com Eduardo Vieira (PSDB) de vice, prepara-se para reeditar a aliança. “Aqui, ele (Carvalho) não se manifestou, mas os amigos dele nos apoiam”, diz Baião.
Tamanho é o consenso em Ubá que não será necessário nem mesmo votação nos diretórios municipais de PT e PSDB para prorrogar o casamento. “Da outra vez, houve dois ou três que foram contrários.
Mas a resistência é tão pequena e fraca que não há racha”, constata Eduardo, atribuindo a união a uma decisão pragmática: a necessidade de manter o prestígio político com os governos federal (petista) e estadual (tucano). Segundo ele, o prefeito anterior não tinha credibilidade com nenhum dos poderes.
Baião já foi deputado federal, mantendo trânsito em Brasília, e Eduardo tem amizade com figuras importantes do governo de Minas, a exemplo do secretário de Estado de Governo, Danilo de Castro (PSDB).
Eles apresentam como conquistas da administração as verbas captadas da União para programas como o Minha casa, minha vida e do estado para um aterro que ainda será construído – o lixão a céu aberto era um dos grandes problemas de Ubá e o lixo, por ora, tem de ser “exportado” para Juiz de Fora.
Diferentemente de BH, onde PT e PSDB vivem às turras, acusando o prefeito Marcio Lacerda (PSB) de privilegiar o lado oposto, em Ubá a convivência tem sido mais calma. É que, para os postos mais cobiçados, foram escolhidos quadros técnicos. Com o ambiente interno pacificado, Baião e Eduardo até “tiram onda” com Lacerda.
“Em relação a BH, temos uma grande diferença, que é uma vantagem: não formamos governo considerando cotas partidárias. Claro que tem de ter comprometimento político. Mas, antes, tem de ter competência técnica”, compara Baião.
Já a oposição em Ubá condena a aliança política. “Tentaram colocar todos os partidos no mesmo balaio para tentar diminuir as vozes contrárias. Apesar de sermos dois na Câmara Municipal, a oposição está de olho”, ameaça Maurício Valadão, acrescentando que falta transparência na divulgação de gastos da prefeitura.
Divididos
Vez ou outra, as encruzilhadas surgem sem o dedo da oposição, como nas últimas eleições majoritárias. Baião e Eduardo tiveram de pedir votos para candidatos distintos. O prefeito subiu no palanque do candidato derrotado Hélio Costa (PMDB) e o vice fez campanha para o governador Antonio Anastasia (PSDB). “A disputa foi amena. Tenho ótimo relacionamento com Anastasia”, afirma Baião.
Assim como nas estaduais, há quem peça a separação nas eleições municipais deste ano. “Os programas partidários perderam valor para os candidatos. PT e PSDB são legendas diferentes.
Já estou conversando com 12 partidos sobre as eleições e queremos o PSDB ao nosso lado, mas sem o PT”, detalha o ex-deputado federal Saulo Coelho, presidente do PSB de Ubá, acrescentando que os tucanos deveriam se separar dos petistas em prol do “projeto Aécio Neves na Presidência”.
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