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25/01/2012 - 13h04

Fonte: Estado de Minas

Secretaria da Saúde agora é alvo da cobiça de partidos aliados em Minas

Com o orçamento em alta depois da regulamentação da Emenda 29, legendas querem abocanhar o comando da pasta durante a reforma do secretariado de Anastasia

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Secretaria da Saúde agora é alvo da cobiça de partidos aliados em Minas

Com a regulamentação da Emenda 29, que define o financiamento da saúde e os percentuais mínimos de investimento pela União, por estados e pelos municípios no setor, o orçamento da Secretaria de Estado da Saúde vai crescer e, com isso, a cadeira se torna alvo maior de cobiça de partidos políticos, diante da expectativa em torno da reforma do secretariado.

Além do PSD, que bate na mesa exigindo uma secretaria central como a da Saúde, o PMDB sonha com uma aproximação com o governador Antonio Anastasia (PSDB), assumindo, de quebra, a pasta. “Quem negocia no PMDB o faz em nome próprio”, desconversa o presidente estadual da legenda, Antônio Andrade.

Poucos no PMDB põem fé na “bronca”. Já o PPS, ao qual está filiado o atual secretário Antônio Jorge, não arreda pé de onde está. Perdeu para o PSD cadeiras na Assembleia e na Câmara dos Deputados, mas isso não deverá se traduzir em menos espaço no governo.

No PSDB, os movimentos se dividem em relação à saúde. Enquanto o presidente estadual, o deputado federal Marcus Pestana, de quem Antônio Jorge foi secretário adjunto, defende a sua capacidade técnica, há quem reclame da distribuição dos recursos de emendas parlamentares. Além de tucanos, outros descontentes na bancada federal criticam o que seria a interferência política de Pestana na indicação dos recursos a serem liberados na pasta da Saúde.

Ele nega: “Não é verdade. Estou concentrado nas minhas atividades atuais. Tenho identidade grande com a equipe da Saúde, uma pasta que tem interface boa com toda a bancada. Não ouvi isso de ninguém”, afirma ele, considerando “o bochicho ” uma espécie de “tensão pré-reforma”.

Apesar de os candidatos a mais “espaço no governo” mirarem, além da Secretaria de Estado de Transporte e Obras Públicas, a da Saúde, nesta há avaliação de um bom desempenho de Antônio Jorge. A tendência é de que ele permaneça, com um “acompanhamento” mais próximo da área política do governo na liberação de emendas parlamentares.

Queda de braço

As mudanças no secretariado de Anastasia se afunilam para a pasta de Obras Públicas e a Secretaria de Estado de Defesa Social. Mas os dois secretários, Carlos Melles (DEM) e Lafayette Andrada (PSDB), lutam para permanecer no cargo.

O primeiro jogou a própria a sorte sobre as lideranças nacionais do partido, que tentam com o senador Aécio Neves (PSDB) negociar a manutenção da pasta.

Em meio a uma crise institucional entre a Polícia Civil e Militar, Andrada procura se manter, fazendo movimentos internos que geram ainda mais desgaste com o quadro técnico da pasta. Na sexta-feira, exonerou Geórgia Ribeiro Rocha, subsecretária de Integração, numa tentativa de lançar sobre ela a responsabilidade pela crise entre as corporações.

Geórgia é uma especialista em política pública e gestão governamental, formada em direito pela UFMG, com mestrado em administração pública. É considerada uma das técnicas que mais conhecem o arranjo institucional da segurança pública. Internamente, sua exoneração foi muito criticada.

Igualmente de malas prontas está Ronaldo Pedron, subsecretário de Medidas Socioeducativas. Também técnico, formado na tradição dos estudos da UFMG de violência contra a criança e o adolescente, Pedron não se adaptou à forma de atuar do secretário Lafayette Andrada. Pública e notória é ainda a incompatibilidade entre Lafayette e o seu secretário adjunto, Genilson Ribeiro Zeferino.

Ligado aos movimentos sociais, com ampla experiência em direitos humanos, Genilson não consegue manter interlocução com Lafayette. Certa feita, Genilson chegou a dizer-lhe, pedindo para ser ouvido em questões importantes: “Eu sei que o senhor vem da linha nobre e eu da senzala. Mas hoje eu sou secretário adjunto”.

O adjunto está limpando as gavetas e também se prepara para sair. A mudança no comando da pasta é esperada. Negocia-se na Assembleia Legislativa a indicação de Lafayette para a liderança do governo.

Há resistência na base aliada. Especula-se para substituí-lo à frente da secretaria o nome d o procurador de Justiça Rômulo Ferraz, que, por seu turno, tem negado qualquer convite do governador nesse sentido.

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