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20/02/2012 - 00h54

Fonte: Diário Catarinense

Prefeitos em 91 municípios catarinenses têm o desafio de eleger sucessor

A tarefa se mostra mais difícil que a reeleição. Na disputa de 2008, por exemplo, apenas 32 dos 86 prefeitos reeleitos conseguiram garantir a vitória dos candidatos que apoiavam.

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Depois de alcançar a vitória nas urnas por dois mandatos, prefeitos de 91 municípios catarinenses vão encarar um novo desafio em outubro deste ano: eleger um sucessor.

A tarefa se mostra mais difícil que a reeleição. Na disputa de 2008, por exemplo, apenas 32 dos 86 prefeitos reeleitos conseguiram garantir a vitória dos candidatos que apoiavam.

Na briga para ganhar os eleitores, esses prefeitos vão testar suas capacidades de transferência de voto. Mas na avalição de especialistas em Ciência Política, esse fenômeno não é suficiente para deixar em vantagem os candidatos apoiados.

— A transferência não é imediata e nem total. Por outro lado, ela depende também da capacidade de agregação do próprio candidato que está recendo o apoio — diz o doutor em Ciência Política e professor da UFSC, Julian Borba, que estuda eleições e comportamento do eleitorado.

O pesquisador lembra também que a transferência de votos pode, em alguns casos, ser prejudicial. Quando a gestão do prefeito passa por desgastes e rejeição, ela pode influenciar negativamente o candidato da situação.

Na análise do mestre em Sociologia Política Eduardo Guerini, os eleitores estão mais atentos aos problemas da cidade do que às orientações de líderes dos partidos sobre em quem votar. Essa baixa influencia na transferência de votos é ainda mais sentida, segundo ele, nas eleições municipais.

— As alianças estão sendo feitas pelo alto, mas será que o eleitor e o militante que vive na cidade vai seguir a orientação? Os exemplos têm mostrado que esse não é o caminho — afirma o estudioso sobre as escolhas partidos para definir os candidatos.

Ele cita o caso de Joinville em 2008, quando o ex-governador e atual senador Luiz Henrique da Silveira (PMDB), principal liderança de sua legenda na cidade, não conseguiu eleger o candidato que apoiava para a prefeitura, Mauro Mariani (PMDB).

Para o doutor em Sociologia Política Flávio Ramos, a independência em relação às orientações das lideranças que tentam emplacar seus candidato mostra amadurecimento e mais consciência do eleitorado:

— É saudável. Assim o eleitor vota de acordo com o que ele achar mais adequado.

Em Florianópolis, desde a década de 1980 quando voltaram a ser realizadas as eleições diretas nas capitais brasileiras, nenhum prefeito conseguiu fazer um sucessor. Em 2012 será a vez do prefeito Dário Berger (PMDB) assumir essa tarefa.

Para o peemedebista, eleito em 2004 e 2008 na Capital catarinense, a vitória nas urnas do candidato que receber seu apoio é importante para fortalecer seu próprio nome em projetos futuros.

Apesar das dificuldades apontadas para qualquer político que encare o desafio de eleger sucessor, Dário disse que acredita ser possível transferir, no mínimo, 10 pontos percentuais para seu indicado, o secretário municipal de governo Gean Loureiro (PMDB).

Dos 91 prefeitos que tentarão fazer sucessor em 2012, 85 foram reeleitos em 2008 e seis foram eleitos vices em 2004, assumiram a prefeitura durante o mandato e foram também reeleitos em 2008.

Em outros oito municípios houve reeleição em 2008, mas cinco prefeitos foram cassados e três renunciaram, deixando o cargo para o vice. Nessas oito cidades, os atuais prefeitos podem tentar reeleição neste ano.

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