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25/10/2009 - 11h44

O futuro da guerra e a humanidade.

Como encarar o futuro dos conflitos humanos? A presença de robôs nos combates se tornará cada vez mais freqüente. Mas, essa substituição representará um avanço na preservação de vidas ou um incremento ao morticínio dos povos menos avançados tecnologicamente?

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“Os rebeldes avistam a coluna de soldados aproximando-se da vila. No calor do deserto, a visão de longo alcance é prejudicada pelo calor intenso. Mas, não há dúvidas. Os soldados se aproximam. O líder dos rebeldes coordena suas forças e os espalha pelas casas e construções ao longo da rua principal. A coluna de soldados dirige-se para a entrada principal da vila. A rua, com casas e outros prédios altos lado-a-lado, é uma armadilha natural. O comandante inimigo ou é um tolo ou um idiota. Pensa o líder rebelde.

Todos estão tensos. Suas mentes ainda vagueiam em uma breve oração para Allah. Os cães invasores verão seu cristo escravo em breve. Allah hu Al Akbar! Allah É Misericordioso! Gritam em silêncio. Seus olhos focados na estrada da vila e na coluna que se aproxima envolta numa nuvem de pó. Um dos rebeldes, um rapaz com pouco mais de doze anos, pensa que aquilo é uma visão da morte. Exatamente como seu pai havia lhe contado, anos antes, durante a Primeira Guerra do Golfo.

Por trás dos turbantes e lenços coloridos que lhes cobrem os rostos e cabeças, protegendo-os do sol inclemente, homens com os olhos angustiados pelo ódio e pelo medo, escondem o temor em nome da fé maior que os une.

Agora, os soldados já entram na vila. A unidade avança inexoravelmente para a morte passo-a-passo, sem nada suspeitar. Logo estarão ao alcance das granadas e dos lança rojões. “Vai ser um massacre”. Exulta o líder.

Mais alguns passos, e a coluna está ao alcance… Um rastro de fumaça corta o ar seguido por um silvo longo e alto. O rojão atinge, em cheio, o último veículo da coluna. O objetivo é claro: Impedir a retirada dos soldados invasores. Simultaneamente, todos os insurgentes começam a atirar com seus Ak’s 47 em direção aos soldados; granadas são lançadas, quase ao mesmo tempo de cada uma das construções ao longo da rua. Gritos, pó, barulho intenso, explosões… Uma nuvem de poeira e fumaça se eleva onde deveria haver uma unidade de soldados americanos. Os rebeldes comemoram e gritam o nome de Allah, dando graças.

O líder, um jovem iraniano de pouco mais de vinte anos, aparece no alto do prédio que está bem no fim da rua e ergue suas mãos para o céu, enquanto grita e agita seu lança rojão.

Na confusão de pó e fumaça na rua, ouve-se um som metálico inconfundível. Menos de um segundo depois, o prédio onde o líder estava, cai em ruínas matando-o e a todos os seus ocupantes. Horrorizados, os insurgentes retomam o ataque feroz à coluna. Mas apenas têm tempo de ver os veículos, quase intactos, dividindo-se em dois grupos e soltando unidades voadoras que tomam conta do céu acima deles. Essas unidades varrem construção após construção. Janela após janela, com uma chuva de projéteis de urânio empobrecido que perfuram qualquer coisa. Elevando a temperatura no interior dos apartamentos até quase a próxima do sol.

Os insurgentes debandam apavorados, no grupo de soldados que invadiu a vila, não há humanos. São robôs imunes às suas armas. Com uma frieza mecânica, as unidades autônomas aéreas e terrestres exterminam, impiedosamente, os rebeldes que sobreviveram e saíam dos prédios.

Após a carnificina, reúnem-se novamente no centro da rua. Apenas uma baixa. O que restou do pequeno droid aéreo é abandonado, no meio da rua, e a coluna retoma sua marcha”.

O que você leu acima, não é um conto de ficção científica. Nem é algo plagiado de Guerra das Estrelas. Isso já vem ocorrendo há alguns anos no Afeganistão e no Iraque. Os EUA, em sua sanha por desenvolver novas formas de matar sem que seus cidadãos se coloquem em risco (e nem tenham que aturar hordas de parentes em protesto), fazem desses dois países o palco para os primeiros testes dos robôs guerreiros. Atualmente, existe um número incerto de robôs em combate; sabe-se que ao menos três já estão integrados às tropas regulares. Mas, para que vocês tenham idéia, a morte recente de um líder da Al Qaeda, não foi obra de um humano. Ele foi detectado por droids aéreos e um “presente” foi entregue no seu colo.

Já existem unidades autônomas em preparo. Ou seja, combatentes totalmente independentes, muito em breve, estarão em ação nas ruas do Iraque. Esse teste, certamente, fará com que o filme “O Exterminador do Futuro”, não fique mais tão no futuro assim. Matar continua sendo um excelente negócio.

Enquanto isso, na África, milhares de mulheres e crianças morrem de fome nos acampamentos de refugiados. A AIDS e outras doenças parasitárias, que seriam facilmente controladas, grassam e devoram os poucos que conseguem sobreviver. Muito em breve, persistindo o caminhar dos eventos, o continente que deu origem ao homem, terminará por expurgá-lo de suas entranhas. Talvez assim, acordemos ou, quem sabe, devamos nos preparar para enfrentarmos esses robôs num futuro mais próximo do que queremos…

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