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25/01/2010 - 15h38

Fonte: G1

Lula promete recursos do novo PAC para obras contra enchentes em São Paulo

Presidente diz que culpa não é de governantes individualmente. Kassab culpa clima por enchentes durante entrega de medalha.

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Lula promete recursos do novo PAC para obras contra enchentes em São Paulo

Ao lado do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), e do governador do estado, José Serra (PSDB), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta segunda-feira (25), dia do aniversário da capital paulista, que a responsabilidade pelas enchentes não pode ser atribuída individualmente a nenhum governante, seja ele prefeito, governador ou presidente da República.

“Precisamos, governo federal, estadual e municipal, não só com relação a São Paulo, mas com relação às regiões metropolitanas desse país, sentar e tentar encontrar uma alternativa definitiva para resolver o problema das enchentes, da saúde, dos transportes e da segurança. Não é culpa do prefeito, do governador ou do presidente individualmente (...) Pode ser prefeito do PT, do PSDB, do DEM: todo ano vai ter enchente em São Paulo se a gente não tomar uma atitude.”

Lula, que recebeu de Kassab a Medalha 25 de janeiro, convidou o prefeito a participar da solenidade de lançamento da segunda edição do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), em março, e disse que gostaria de “assumir um compromisso para dar um presente” à cidade.

“Gostaria que o prefeito de São Paulo estivesse presente pra gente definir quais as coisas prioritárias para a cidade de São Paulo”, disse.

Em seu discurso, o presidente relatou sua mudança para a cidade, em 1956, e as situações que já enfrentou na capital devido às enchentes.

“Aqui, fui morar na Vila Carioca, na rua Ouro Verde, número 1156. Dava enchente todo final de ano, não é de hoje que dá enchente. (...) Depois, me mudei para outro lugar pra me livrar da enchente, para a Ponte Preta. A casa era novinha, cheirava a tinta. Isso, no mês de julho. Nos meses de dezembro a janeiro teve três enchentes de entrar um metro e meio de água.”

Kassab culpa clima pelas enchentes

O comentário de Lula sobre as enchentes foi feito após o prefeito Gilberto Kassab, em seu discurso, homenagear os servidores municipais que trabalham no combate às enchentes, aos quais ele chamou de “protagonistas anônimos”.

“Estamos vivendo hoje um desequilíbrio climático que expõe as vísceras dos nossos problemas de infraestrutura, trânsito e transporte com reflexos sociais e econômicos desastrosos. Não nos entregamos, lutaremos e venceremos. Não adianta acusar o passado, mas enfrentar o presente. Soluções complexas levam tempo e temos a consciência de estarmos realizando o possível”, disse Kassab.

O prefeito lembrou que muitas ações administrativas estão sendo realizadas no combate a enchentes. Segundo ele, esse trabalho não é noticiado pela mídia. Em seguida, quando questionado por jornalistas sobre a inclusão de São Paulo no novo PAC como beneficiária de recursos, o democrata afirmou que atualmente o município já recebe verbas para os trabalhos de combate aos efeitos das chuvas dos governos federal e estadual.

“É muito feliz a oportunidade de o presidente ratificar seu compromisso ao dizer que neste novo PAC estará incluída a continuidade das ações que existem em São Paulo”, afirmou.

Manifestação

Na entrada da Prefeitura, no Viaduto do Chá, região central da cidade, cerca de cem pessoas promoveram uma manifestação.

Elas reivindicavam obras de proteção contra as enchentes na cidade e protestavam contra o aumento das tarifas do transporte público anunciados pela Prefeitura para os ônibus em meados de janeiro e agora pelo governo estadual para a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e para o Metrô.

Parte do protesto era organizado pela Rede Luta Contra Aumento, composta por movimentos sindicais e grupos políticos de esquerda, como o PCO e Esquerda Marxista, ligada ao PT, além do movimento estudantil secundarista.

Os manifestantes cobravam audiências com o governador José Serra e com o prefeito Kassab, mas não foram atendidos, tendo sido impedidos de entrar no prédio onde acontecia a entrega da Medalha 25 de Janeiro.

“Passamos o Natal e o Ano Novo dentro d’água. Daqui a pouco viramos peixe”, reclamou o autônomo Celso Roberto Franco, morador da Vila Itaim, na Zona Leste.

Bruno Azevedo e Maria Angélica Oliveira

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