Quinta, 02 de Setembro de 2010
17/06/2008 - 14h55
Fonte: O Estado de S.Paulo
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RIO - Parentes dos três jovens do Morro da Providência encontrados mortos no fim de semana ouviram nesta terça-feira, 17, do general Mauro César Lorena Cid, comandante da 9.ª Brigada de Infantaria, o primeiro pedido de desculpas formal do Exército. Acompanhadas de advogados, as mães das vítimas foram até o Ministério Público Estadual para ter acesso ao inquérito e formalizaram uma denúncia contra a União sob a acusação de triplo homicídio qualificado.
O general Mauro César Lorena Cid anunciou, em reunião com líderes da comunidade, no centro da capital fluminense, que o ministro da Defesa, Nelson Jobim, e integrantes do alto escalão do Exército estão a caminho do Rio para decidir sobre a eventual permanência das Forças Armadas na comunidade. Segundo líderes comunitários, as obras do projeto Cimento Social no morro deverão ser retomadas até quinta-feira, mas só continuariam após a retirada das tropas.
Jobim decidiu embarcar para o Rio de Janeiro na manhã para acompanhar de perto as investigações em torno do envolvimento de onze militares na morte dos jovens. Após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro cancelou toda a sua agenda. Ele viajou acompanhado do comandante do Exército, general Enzo Peri.
Depois de o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), chamar os militares envolvidos na morte de três jovens no Morro da Providência de "marginais" e de ter classificado o crime de "atrocidade", a única sobrevivente contou uma versão bem diferente do que aconteceu. "Voltamos de táxi do baile da Mangueira. Na praça, no alto do morro, fomos parados e um soldado meteu a mão no cordão do Wellington. Ele reagiu e foi agredido. Reclamamos e eles disseram que estávamos presos sem nenhum motivo. Levaram eles e me liberaram", disse M., de 16 anos.
O tenente, o sargento e um soldado disseram em depoimento à polícia que Wellington reagiu com palavrões à abordagem. Desde o início da ocupação militar na Providência, outras 12 pessoas foram detidas por desacato. "O Exército não pode conviver com o ilícito. O militar pode e deve deter alguém que esteja em flagrante delito", justificou o chefe de Comunicação Social do Comando Militar do Leste, Carlos Alberto Neiva Barcellos.
Ele classificou o "incidente" que terminou na morte de três jovens como um "fato isolado", que não torna insustentável a presença do Exército na Previdência. Barcellos afirmou que o Exército "repudia veementemente qualquer desvio de conduta e qualquer ação fora da legalidade". Ele informou que foi aberto inquérito militar para apurar o crime. A única informação confirmada é que os três jovens mortos foram detidos por desacato. No entanto, o comandante da tropa, cujo nome não foi divulgado, determinou que eles fossem liberados por não haver motivo para detê-los.
O secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, afirmou que o episódio comprova que o Exército não está preparado para atuar nas ruas do Rio. "Se a Polícia Militar, que vive esse problema diuturnamente há 200 anos, tem suas mazelas, uma corporação que começou a fazer isso há pouco tempo já incorrer num problema desses é uma demonstração disso", afirmou Beltrame. "É, no mínimo, um momento de retomar uma série de conceitos, rever muitas coisas." Barcellos ainda evitou comentar as críticas de Beltrame.
o governador elogiou o trabalho da Polícia Civil, que investigou o crime. "A polícia atuou com firmeza no caso desses 11 marginais que não honram a farda do Exército", disse Cabral, que está em viagem oficial à Alemanha. Ele disse esperar que o caso seja acompanhado por Lula e pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim. O governador ressaltou que o comportamento dos militares presos não condiz com a reputação do Exército, "uma instituição que merece todo o apreço do povo".
Pedro Dantas - O Estado de S. Paulo
(Colaboraram Tânia Monteiro, Talita Figueiredo e Alexandre Rodrigues, de O Estado e S. Paulo)
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