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02/07/2008 - 14h04

Fonte: G1

Ex-presidente da Cesp dividiu R$ 2 milhões que recebeu da Alstom, diz jornal

Ele teria dito ao MP que dinheiro foi pagamento por consultoria. O ex-dirigente afirmou que não repassou valores para políticos.

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O ex-presidente da Companhia Energética de São Paulo (Cesp) e engenheiro José Geraldo Villas Boas afirmou ao Ministério Público que recebeu, por meio de uma conta na Suíça, R$ 7,6 milhões de francos franceses da multinacional Alstom entre 1998 e 2001 para prestar consultoria.

O dinheiro, que em valor atualizado representa cerca de R$ 2 milhões, teria sido dividido com outras duas pessoas, informou reportagem publicada nesta quarta-feira (2) pela "Folha de S.Paulo".

Ao MP, o ex-dirigente disse ter ficado com 17,5% do valor, cerca de R$ 350 mil. O restante teria sido repassado a executivos que tinham ligações com a Alstom e teriam indicado o engenheiro como consultor.

Villas Boas afirmou, por meio de seu advogado, ter recebido o dinheiro na Suíça porque a Alstom exigia que os pagamentos fossem feitos em francos franceses.

A multinacional francesa, especializada em transporte e energia, é investigada na Suíça e no Brasil por suposto pagamento de propina a políticos e servidores públicos para a obtenção de contratos. Promotores suíços acreditam que a propina era paga por meio de consultorias.

Outro lado

O advogado de Villas Boas, Luiz Guilherme Moreira Porto, disse ao jornal que seu cliente não foi um "laranja" para distribuição de propinas.

"O Villas Boas é um dos maiores especialistas em energia elétrica do Brasil. Ele não foi laranja de ninguém. Ele tem um currículo invejável", afirmou o advogado.

Segundo o advogado, o dinheiro não foi dividido com políticos. "Ele repassou para executivos que tinham ligações com a Alstom e que indicaram o Villas Boas para a consultoria. (...) Se a Alstom pagou a mais e isso reverteu para os executivos, é um problema privado."

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