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Caio Martins

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Editor e produtor gráfico, participou da resistência ao regime militar, foi exilado político, correspondente e jornalista da Rádio Berlim Internacional. Trabalha com edições técnicas e assessoria parlamentar. Mantém o blog literário "Poemas e Crônicas", dentre outros.Publica matérias autorizadas pelos autores nesta coluna. No VB desde 2005.

17/10/2008 - 08h40

Fonte: Jornal ABC Repórter

Clima de guerra: Civil enfrenta PM

O grupo, que seguia em passeata rumo ao Palácio dos Bandeirantes, forçou a passagem por uma primeira barreira formada pelos policiais militares. Houve confronto.

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Clima de guerra: Civil enfrenta PM

Luiz Carlos Coelho

O confronto entre policiais civis em greve e equipes da PM (Polícia Militar), ocorrido na tarde de ontem, deixou mais de 20 feridos. O tumulto começou por volta das 16h próximo ao Palácio dos Bandeirantes, no Morumbi, na Zona Sul de São Paulo. O protesto marca um mês de paralisação da categoria.

Os policiais civis pedem 15% de reajuste salarial em 2008 e 12% para 2009 e 2010.

O grupo, que seguia em passeata rumo ao Palácio dos Bandeirantes, forçou a passagem por uma primeira barreira formada pelos policiais militares. Houve confronto. Com empurrões e troca de socos, policiais civis romperam o cordão de isolamento. Para conter o grupo que seguia em caminhada, policiais militares que estavam em uma segunda barreira lançaram bombas de efeito moral, tiros de borracha e gás lacrimogênio. O grupo de manifestantes recuou. Carros das equipes de forças especiais da PM foram estacionados em um cruzamento para formar uma barreira compacta contra o avanço da passeata.

O Governo do Estado informou que um dos feridos é coronel PM, que participava da negociação entre os manifestantes. Ele teria sido atingido por um disparo na perna e foi levado, ainda segundo o Palácio, para o Hospital Albert Einstein, na mesma região do confronto. A assessoria do hospital enviou nota confirmando que, até as 18h, foram recebidas em seu pronto atendimento 12 pessoas vítimas da confusão. O Hospital Itacolomy recebeu cinco pessoas e o Hospital Universitário, um ferido.

O Hospital São Luiz informou que atendeu cinco poli-ciais civis. Quatro deles foram atendidos, medicados e receberam alta: um de 34 anos com escoriações na face; outro de 49 anos com ferimentos superficiais na coxa e no braço esquerdo; outro de 44 anos com queimaduras de 1º e 2º graus na mão direita e na face; outro de 43 anos, com queimaduras de 3º grau na região abdominal e o quinto policial de 30 anos teve fratura exposta em um dedo da mão direita, além de sofrer escoriações na mão esquerda, foi medicado e transferido para outro hospital.

O governador José Serra lamentou os episódios e alertou sobre a inconstitucionalidade de greve das forças de segurança no País. Serra advertiu os adversários sobre o possível uso eleitoral do episódio no segundo turno da eleição em São Paulo.

O presidente do Sindicato dos Investigadores de Polícia de São Paulo, João Batista Rebouças Neto, reage às reclamações dizendo que a medida é necessária. “É preciso entender que, como a polícia defende a população, foi necessário chegar a esse ponto para melhorar as condições de trabalho”.

A Força Sindical, em nota à imprensa, repudiou o tratamento dispensado pelo Governo do Estado aos policiais civis que reivindicavam melhores salários e condições de trabalho e a abertura de negociações, em frente ao Palácio dos Bandeirantes.


A matéria acima é de exclusiva responsabilidade do autor.

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