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08/12/2009 - 13h12

Fonte: G1

Chuva provoca 6 mortes, faz transbordar rios e congestiona trânsito na Grande SP

Vítimas de deslizamentos de terra morreram em três cidades. Congestionamento foi a 96 km; multa do rodízio pela manhã foi suspensa.

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Chuva provoca 6 mortes, faz transbordar rios e congestiona trânsito na Grande SP

Seis pessoas morreram em consequência das chuvas que atingem a Grande São Paulo desde a noite desta segunda (7).

Elas foram vítimas de soterramento, devido a deslizamentos de terra nos municípios de Santana do Parnaíba (quatro mortos) e Itaquaquecetuba (um) e no bairro de Sapopemba (um), na Zona Leste da capital paulista.

A chuva também fez transbordar os rios Tietê e Pinheiros. Os congestionamentos atingiram 96 km, e cerca de 70 pontos de alagamento se formaram em São Paulo. O prefeito Gilberto Kassab informou que serão suspensas as multas do rodízio de veículos emitidas na manhã desta terça (8). A previsão é que a chuva continue intensa durante todo o dia.

O transbordamento dos rios Tietê e Pinheiros bloqueou trechos das pistas das marginais, que, em alguns trechos, ficaram totalmente debaixo d'água. Os dois rios transbordaram pela última vez há três meses. Para escapar da interdição da pista expressa da marginal, um caminhão chegou a circular na contramão.

Em toda a cidade, formaram-se mais de 60 pontos de alagamento, e os congestionamentos chegaram a ultrapassar 100 km. Trechos da Zona Oeste ficaram sem luz desde as 9h. Pessoas ficaram retidas, sem conseguir chegar em casa ou ao trabalho.

Uma das regiões mais afetadas é a Zona Norte, onde um imóvel sofreu princípio de incêndio, o aeroporto do Campo de Marte ficou alagado e carros da polícia ficaram parcialmente submersos. Uma grávida teve de ser resgatada por um helicóptero da polícia porque entrou em trabalho de parto no interior de um carro 'ilhado' na Avenida Zaki Narchi.

Por causa do transbordamento do Tietê e do Pinheiros, as marginais estão em estado de alerta desde as 5h55, segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), da Prefeitura de São Paulo. Com isso, os acessos a algumas rodovias que chegam à capital paulista foram interrompidos. O bairro do Ipiranga, na Zona Sul, também ficou em alerta, mas passou para estado de atenção às 8h40. O restante da cidade está em atenção desde as 3h14.

Versão da prefeitura

O prefeito Gilberto Kassab atribuiu a situação da cidade ao "volume [de chuva] muito acima do normal” que atingiu diferentes regiões. Apesar dos alagamentos, ele afirmou que bueiros estavam limpos e piscinões tiveram comportamento "muito bom".

O prefeito afirmou que bombas adicionais devem entrar em operação para fazer escoar mais rapidamente a água acumulada.

Em entrevista à Rádio CBN, a secretária de Saneamento e Energia de São Paulo, Dilma Pena, disse que o transbordamento do Rio Tietê ocorreu por causa da quantidade excessiva de chuva. Segundo ela, desde as 22h de segunda-feira (7), a média de chuva foi de 94 mm na capital, sendo que em oito pontos o índice passou de 100 mm.

“Foi muita chuva concentrada em um período curto e em uma semana que já era de muita chuva”, afirmou a secretária. “Não foi deficiência, mas um evento acima da média.”

Alagamentos

A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) registrava cerca de 70 pontos de alagamento na cidade após 13 horas de chuva forte. De todos os pontos de alagamento, 26 eram intransitáveis. Destes, 13 eram nas marginais.

Na Marginal Tietê, os motoristas não conseguiam passar no sentido da Rodovia Ayrton Senna na altura das pontes do Tautapé, Piqueri, Jânio Quadros, Bandeiras, Ulisses Guimarães e Velha Fepasa. No sentido da Rodovia Castello Branco, havia interdições também nas pontes Jânio Quadros e Velha Fepasa, além da região das pontes Aricanduva e Casa Verde e da Avenida Raimundo Pereira de Magalhães.

Na Marginal Pinheiros, eram dois pontos de alagamento – um no sentido Interlagos, perto da Ponte do Jaguaré, e outro no sentido Castello Branco, em frente ao cadeião de Pinheiros.

Às 9h30, a CET registrou 119 km de congestionamento na cidade, o que representa 14,3% das vias monitoradas, índice considerado acima da média para o horário. A companhia recomenda que os motoristas evitem as marginais.

Dados do Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), da Prefeitura de São Paulo, mostram que choveu na capital paulista, até esta terça, mais de 60% do esperado para todo o mês de dezembro. Da meia-noite até as 7h, foram registrados, em média, 54,8 mm de chuva na cidade. O acumulado do mês até o horário era de 122,1 mm. A média histórica para dezembro é de 201 mm. A expectativa do CGE é que esta terça-feira (8) seja o dia mais chuvoso do ano.

De acordo com a Eletropaulo, há falta de luz em trechos dos bairros da Lapa e Água Branca, na Zona Oeste da capital.

Ceagesp

Além das marginais, a chuva também causou o alagamento de parte da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp.

De acordo com a assessoria de imprensa do Ceagesp, as partes mais afetadas são as áreas próximas aos portões 13 e 14, onde são armazenados e comercializados melancias e abacaxi.

Ainda segundo a companhia, com o início da chuva na noite de segunda-feira (7), muitos comerciantes se preveniram e elevaram parte dos produtos para que não fossem atingidos pela água.

Ainda não há um levantamento do prejuízo causado pelo alagamento. Segundo a assessoria do Ceagesp, o volume de água nesta terça no local é menor do que no último alagamento registrado no local, no dia 8 de setembro.

Trens da CPTM

Por causa da chuva, a= circulação de trens na Linha 7-Rubi da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) foi interrompida desde 6h05 entre Caieiras e Francisco Morato, na região metropolitana, onde passageiros ficaram "ilhados" nas estações.

A linha liga a estação da Luz, no Centro de São Paulo, a Francisco Morato. De acordo com a CPTM, as estações no trecho entre Franco da Rocha e Jundiaí, a 58 km de São Paulo, foram fechadas.

A CPTM acionou o Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência (Paese), e 80 ônibus foram colocados à disposição para fazer o trajeto dos passageiros entre as estações Baltazar Fidelis e Caieiras.

Na Linha 9, um alagamento entre as estações Hebraica e Pinheiros, na região da Marginal Pinheiros, fez com que os trens passassem pelo local em apenas uma via alternadamente durante parte da manhã. Por volta das 10h30, a via já havia sido liberada. Entretanto, ainda havia um grande acumulo de passageiros nas plataformas.

No Metrô, a situação era normal.

Estradas

Um ponto de alagamento na Rodovia Régis Bittencourt causou um acidente na madrugada desta terça. Um caminhão bateu na traseira de uma van que estava parada devido a um ponto de alagamento no km 284, região de Itapecerica da Serra, na região metropolitana. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, 12 pessoas ficaram feridas.

Na Via Anhanguera, um alagamento na altura do km 36, em Cajamar, Grande São Paulo, interditava o tráfego no sentido interior. No km 41, na mesma cidade, parte de um barranco desabou e interditou o acostamento e a faixa da direita no sentido litoral. O tráfego era desviado no km 50 para a Rodovia dos Bandeirantes, que tinha 10 km de congestionamento na chegada à capital.

Em Sorocaba (a 87 km de São Paulo), o rio que corta a cidade transbordou e interditou a avenida principal. Em Jundiaí (a 60 km de SP), os bombeiros resgataram uma moradora de rua que quase foi levada pela correnteza.

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