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22/11/2010 - 16h54
Fonte: Estado de Minas
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Passada a eleição, resta aos derrotados amargar o revés das urnas e, não raro, suportar uma aguda ressaca financeira. O fracasso custou R$ 46.949.208,97 para 636 dos 860 candidatos à Assembleia de Minas que terminaram a campanha sem sucesso, uma média de R$ 73.819 para cada.
As despesas constam das prestações de contas já encaminhadas ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MG) e mostram que, sem muito dinheiro, não se consegue mandato. Ao todo, os 77 deputados estaduais eleitos declararam gastos de R$ 56.168.792,72 ou R$ 729.464 por vitorioso. É quase 10 vezes mais que a média dos perdedores.
O preço da derrota não está fechado, pois 253 concorrentes ainda não prestaram contas ao TRE, mesmo tendo o prazo se encerrado. A maioria se sente desobrigada de fazê-lo, pois perdeu ou mesmo tem dificuldades de fechar o caixa. Já entre os 77 eleitos, nenhum deixou de declarar o que arrecadou e gastou, o que poderia comprometer o mandato.
Entre os que foram deixados “na pior” pelo eleitor, há quem não saiba explicar o rombo nas contas, elaboradas pelo partido; tenha gastado muito com material de propaganda, sem conseguir distribuí-lo por falta de cabo eleitoral; ou terá de suar muito para honrar as despesas com colaboradores.
Leiloeira em Varginha, no Sul de Minas, Lynda Saleri (PCdoB) se lançou com a missão de ajudar o partido, que não bancou todas as contas. Agora, terá de tirar do próprio bolso para pagar a faxineira do comitê e o pintor. O mais curioso é que as contas no TRE indicam superávit de R$ 457,20 na campanha, cujas despesas oficiais somam R$ 5 mil. Na prática, a candidata não teve a metade disso.
“Deve ter algum erro, porque quem fez as contas foi o partido. Na verdade, eu era como ‘Bombril’ na disputa: dirigia, distribuía panfleto e tudo o mais. Não se faz campanha com R$ 2 mil”, explica, adiantando que, depois de fechar as contas, vai tentar a Câmara Municipal em 2012. Mas já sabe que o dinheiro será um limitador. “Agora, a minha meta é essa. É difícil, porque não tenho suporte financeiro para comprar votos nem para montar estrutura”, ironiza.
Com muito menos, Zé Sorveteiro (PSL), que ganha a vida vendendo doces em Paraguaçu, também no Sul de Minas, tinha certeza de se eleger com os R$ 3,3 mil arrecadados. Contava com sua popularidade nas ruas do município, mas um imprevisto lhe tirou a eleição: a gráfica imprimiu todos os panfletos com o número errado. O resultado: 1.662 votos e uma dívida de R$ 1,3 mil, que custará muitos sorvetes para ser coberta.
“Estava muito bem cotado para ficar entre os 10 mais votados. Tenho muito conhecimento do estado. Não distribuí santinho, não trabalhei para campanha e, ‘dormindo’, tive essa votação.
Foi irresponsabilidade da gráfica”, reclama, dizendo-se de coração partido e injustiçado, mas que voltará nas próximas eleições: “Tenho certeza de que o Aécio (Neves) e o (Antonio) Anastasia não sabem o que aconteceu”.
A prestação de contas expõe as desigualdades e o peso do dinheiro nas disputas eleitorais. Na bancada dos perdedores, os mais votados, por ora entre os primeiros suplentes, são justamente os que mais gastaram.
Os mais “ricos” foram Gláucia Brandão, do PPS (R$ 1,2 milhão de despesas e 40.498 votos); Romel Anízio, do PP (R$ 1,1 milhão e 51.613 votos); Fábio Avelar, do PSC (R$ 1 milhão e 52.391 votos); Irani Barbosa, do PMDB (R$ 998 mil e 30.022 votos); e Reminho Aloíse, do PSDB (R$ 942 mil e 44.964 votos). Oficialmente, todos eles arrecadaram o suficiente para cobrir os gastos e vão poder planejar a carreira mais tranquilamente.
Situação muito diferente da de Amaral Neto (PTdoB), presidente do partido em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, que terminou a corrida devendo mais de um quarto do que gastou. Terá de arrecadar R$ 3,2 mil para completar os R$ 12,5 mil consumidos em propaganda, telefone, gasolina, entre outros.
“Fiz campanha do meu trabalho e não avancei para não ficar no prejuízo. Vai sair do bolso mesmo. Estou revendo (o orçamento)”, comenta, dizendo-se, contudo, resignado: “Em política, é impossível não gastar dinheiro próprio. Ou você gasta para ter uma boa presença ou nem sai candidato”.
Já Ivair Agustinho (PV), representante comercial em Belo Horizonte, não contou com arrecadação volumosa, mas criou expectativa de se eleger. A única doação para a campanha dele foi do próprio partido: R$ 735. Além de pouco, o dinheiro, para Ivair, foi mal investido.
“Recebi 250 mil santinhos do partido, mas não consegui distribuir nem a metade. Não tinha dinheiro para pagar cabo eleitoral. Resultado: estou com estoque de santinhos em casa”, diz, acrescentando que “perdedor pode ganhar em próxima disputa”.
Amanda Almeida
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