Sexta, 25 de Maio de 2012
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Igor Braz
É colaborador deste site em Caraguatatuba, no Litoral Norte do Estado de São Paulo. Cidades: Caraguatatuba, São Sebastião, Ilhabela e Ubatuba.
14/10/2008 - 12h58
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Caraguatatuba/SP - A descoberta de petróleo na camada submersa chamada pré-sal, segundo o presidente Luiz Inácio Lulla da Silva, se traduz num cartão premiado para o Brasil. Será, de acordo com os técnicos, a grande redenção nacional em termos econômicos e o Brasil irá figurar dentre os privilegiados países fornecedores de petróleo. E ricos, muito ricos.
A descoberta do gás e do petróleo ocorreu na bacia de Santos, região que compreende de Santa Catarina ao Rio de Janeiro. Já se somam três as grandes jazidas descobertas sem que ainda exista previsão do exato volume dos produtos a serem extraídos. Sabe-se, contudo, que se trata de algo extraordinário.
A unidade de tratamento, tanto do gás como do bombeamento do petróleo, está sediada em Caraguatatuba (cidade do litoral norte, a 180 km da capital). Se isso é muito bom em termos econômicos, poderá ser um desastre irreversível em termos sociais para a cidade, que até então experimentava a vida pacata de urbe praiana, vivendo de um turismo ainda incipiente.
O lado bom
Quando oficialmente se anunciou a descoberta do gás na costa paulista o clima que se seguiu foi de grande euforia em termos nacionais, principalmente porque o país vinha de uma grande decepção em termos de abastecimento de gás natural por conta do novo governo que se instalara na Bolívia e que havia, grosso modo, “confiscado” os ativos da Petrobrás naquele país, pairando uma sensação de desabastecimento do produto no mercado interno.
Mais euforia houve, agora no âmbito local, quando se anunciou que a base de tratamento do gás seria implantada em Caraguatatuba, depois de sondados outros municípios do litoral norte que igualmente poderiam receber a unidade processadora. Políticos correram a propalar o milagre econômico. Falaram em 35 mil empregos diretos e até a quadruplicação do Orçamento municipal.
Passado, entretanto, o impacto inicial, a verdade foi aparecendo. Dos 35 mil empregos diretos, apenas 28 vagas seriam efetivamente criadas na cidade, ainda assim de alta complexidade técnica. Empregos comuns, se é que chegariam a mil, somente existiriam quando da construção da base propriamente dita, quase todos eles ligados à construção civil.
Bem verdade é que as estimativas iniciais dos setores de planejamento da prefeitura indicam uma arrecadação fantástica já no decorrer dos próximos quatro anos, existindo a real possibilidade de o Orçamento da cidade sair dos 160 milhões e pular para 400 milhões de reais ou mais. Não se trata de especulação. É uma realidade. Mas Caraguatatuba precisará estar preparada para enfrentá-la.
O risco de “inchar”
Sempre que uma região se notabiliza pela prosperidade repentina, é inevitável a migração de famílias inteiras para o novo “El Dorado” em busca de melhores condições de vida. Serra Pelada é uma prova disso. O local se viu transformado, de uma hora para outra, num formigueiro humano tão logo se anunciou a descoberta de ouro ali.
Macaé, no Rio de Janeiro, é outro clássico exemplo, talvez o que mais se aproxima da realidade de Caraguatatuba. Era uma cidade comum, até que a Petrobrás nela instalou uma base para processar o gás descoberto na região de Campos. Pronto. Seus dias de glória chegaram e com eles uma crise social sem precedentes.
A arrecadação municipal pulou de 60 milhões para mais de 300 milhões de reais ao ano. Os investimentos se intensificaram, o valor dos imóveis subiu à estratosfera. Na mesma velocidade e com igual impulso se elevaram os problemas sociais.
Ao lado da cidade rica, a cidade miserável, separadas por um pequeno rio. Os “do lado de cá” temem os “do lado de lá”. E assim vivem até hoje, em meio a uma aviltante diferença social. As grades e as cercas elétricas mantêm os “indesejáveis” no seu gueto de miséria. A cidade, que se quis rica um dia, é também muito pobre.
A questão social
Por mais que o progresso traga a prosperidade, é certo que a divisão da renda de determinado núcleo populacional não ocorre em igualdade de condições. É assim que os ricos ficam cada vez mais ricos; os pobres, miseráveis.
A sociologia já identificou os mecanismos geradores da miséria. Economistas até possuem fórmulas para minimizar os efeitos negativos da injusta divisão de riquezas. Mas falta algo maior: vontade política.
Se todos forem ricos quem recolherá o lixo? Talvez essa seja a máxima perversa que alimente as mentes políticas deste país e imponha a pobreza como uma espécie de “necessidade vital” para garantir privilégios da pequena fatia do estrato social.
Caraguatatuba enfrenta agora o desafio de conciliar progresso e condições dignas de vida. Tem tudo para fazê-lo da melhor maneira. Tempo para planejar, dinheiro para executar. Mais que isso, a garantia de se tornar exemplo único de cidade verdadeiramente desenvolvida.
É preciso, por isso, que trate a sua base de gás como centro irradiador de decisões políticas, presentes e futuras, valorizadoras do ser humano. Mas teme-se que a cidade caia na odiosa tentação em que sucumbiram tantas outras: a de ser rica e pobre a um só tempo.
A matéria acima é de exclusiva responsabilidade do autor.
Lara
13/04/2009 - 16h01 | Rio Claro / SP
Outras Referências Sobre O Assunto
Achei muito interessante a notícia e realmente me preocupam os rumos que Caraguá poderá tomar com a construção desta base de gás do Campo de Mexilhão.
Gostaria de trocar informações a este respeito, sejam elas artigos científicos, notícias de jornais, revistas, opiniões, etc.
Obrigada!
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Guilherme Capacciole
18/01/2010 - 09h06 | São Paulo / SP
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