Quarta, 23 de Maio de 2012
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19/12/2010 - 19h21
Fonte: Estado de Minas
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Talvez nenhum outro político que não assumirá cargo eletivo em 2011 aguarde mais o 1° de janeiro do que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Ainda durante as eleições de outubro, FHC lançou o desafio: ''Quando o presidente Lula vier, como todo candidato democrata eleito, de novo, perder a pompa toda, perder o monopólio da verdade, está desafiado a conversar comigo em qualquer lugar do Brasil''.
Pois bem, finda a eleição, FHC poderá ter o seu ansiado cara a cara com o sucessor em não mais do que duas semanas, ainda que seja pouco provável que essa batalha seja travada publicamente.
O desafio, feito no meio da campanha presidencial como uma reação às críticas contra o seu governo, explicitou um embate que deve tomar os dois ex-presidentes a partir do ano que vem: a discussão de quem deixou a melhor herança para o país depois de oito anos à frente do Palácio do Planalto. Mesmo que o esperado combate não ocorra, pelo menos à luz do dia, tucanos e petistas já antecipam a ''disputa de heranças''.
Para os tucanos, ao descer a rampa do Planalto e deixar para trás a máquina de governo, a redução dos holofotes sobre Lula possibilitará um raciocínio menos emotivo sobre as duas gestões. ''Lula está deixando uma herança questionável, crédito artificial, aumento excessivo de despesas.
O crescimento da renda não foi acompanhado do investimento necessário, o que traz inflação. Ele é um populista conservador'', acusa o deputado federal José Aníbal (PSDB-SP).
Líder do partido na Câmara dos Deputados durante a era FHC, o parlamentar entende que o principal triunfo de Lula foi aumentar o marketing sobre as ações sociais do governo e incrementar os benefícios sociais. As medidas, no entanto, teriam sido pavimentadas pelo antecessor, por meio da aprovação da Lei de Responsabilidade Fiscal e a reforma do setor financeiro, além da estabilização da economia.
''O governo Lula foi conservador, não fez reforma alguma, nada. Cultivou boas relações exteriores e duplicou os benefícios sociais. Estabeleceu isso como espinha social e transformou os resultados em benefícios políticos'', diz Aníbal.
Entre os petistas, a disputa não deixa de ser aguardada com ansiedade. Ministro da Previdência e do Trabalho durante a gestão Lula, o deputado federal Ricardo Berzoini (PT-SP) acredita que a comparação futura se dará sobre os números. ''Há coisas conceituais, nível de transparência, permeabilidade, mas o que fica são os números.
O governo Lula na quase totalidade tem números bem melhores do que o do FHC, inclusive nas áreas em que eles diziam ter excelência'', provoca Berzoini. O petista cita a diminuição do desemprego e a redução da desigualdade social como pontos que desequilibram a balança a favor de Lula.
Vitrine
Outro ponto que os petistas apontam favorecer o atual governo é a maior inserção do Brasil na política internacional. A questão, como quase tudo que cerca a polêmica sobre o embate, muda de percepção conforme o observador. Para os atuais ocupante do Planalto, créditos para Lula e o alinhamento a países em desenvolvimento. Para os tucanos, fruto das bases lançadas por FHC.
''O tempo vai trazer uma comparação melhor. O governo FHC trouxe um governo redondo. O que não havia de redondo era a ameaça que Lula representava. Nestes 16 anos, o Brasil vive um círculo virtuoso, instalado pelo FHC e que o Lula sensatamente manteve'', diz José Aníbal.
Ivan Iunes
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