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03/06/2008 - 09h42
Fonte: Estadão
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Relatório que a Polícia Federal encaminhou ontem à Procuradoria da República dedica capítulo exclusivo ao deputado peemedebista e a seu chefe de gabinete, Wellington Ferreira da Costa.
A PF não faz acusações ao parlamentar - e deixa a cargo da procuradoria tomar a decisão sobre uma eventual investigação -, mas informa que o lobista João Pedro de Moura, amigo e braço direito de Paulinho, circulava pelo gabinete 539 do Anexo IV, ocupado por Alves.
Segundo a PF, provavelmente com autorização de Wellington, a quem chama de "dr. Wellington", o lobista fazia uso da estrutura do gabinete 539, inclusive de seus telefones, para tratar de pendências relativas ao BNDES e a operações afetas ao Ministério das Cidades.
Grampo telefônico pegou Moura, no dia 26 de fevereiro, às 17h13, ligando para a Progus Consultoria - reduto da organização, afirmam os investigadores. O lobista conversou com o empresário Marcos Mantovani, diretor da Progus, réu do processo judicial sobre o BNDES.
Moura pediu a Mantovani e-mail com a relação de cidades onde ele e seus parceiros planejavam agir. "Importante destacar que João Pedro, neste momento, está dentro do gabinete 539 do Congresso Nacional", ressaltou a PF no relatório.
Fotos de Moura deixando a sala do líder do PMDB com uma mochila às costas ilustram o documento. A PF suspeita que é a mesma mochila que o lobista havia deixado no gabinete de Paulinho da Força na manhã de 13 de fevereiro.
A PF tem informações de que Moura fazia reuniões no gabinete do líder do PMDB. Os federais espionaram o lobista em viagem que ele fez a Brasília, onde desembarcou na noite de 12 de fevereiro. Ao chegar ao hotel, Moura telefonou para uma pessoa e marcou "para amanhã, às 9 horas, com o chefe de gabinete do Henrique". A seu interlocutor, o lobista diz que está no Mercure Líder e que "vai jogar caxeta na casa do Paulinho".
"Não conheço (Moura), não o recebi, nunca me encontrei, nunca falei nem por telefone, não sei quem é", afirmou Henrique Alves, por meio de sua assessoria. Ele revelou despreocupação com o relatório. "Que a polícia investigue, que o Ministério Público investigue. Se acham que têm que investigar, que investiguem."
Fausto Macedo e Roberto Almeida
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