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Política: Eleições 2010 Assine Nosso Feed

12/03/2010 - 15h30

Fonte: Uai

Muita água na ponte que liga PT ao PMDB

Não é à toa que vários ministros voltaram a falar no nome de Meirelles nos últimos dias. Um deles, em conversa reservada, começou a rir quando o assunto surgiu

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É sintomática a declaração do porta-voz da Presidência da República, Marcelo Baumbach. Ele revelou que o presidente Lula voltou a dizer que deseja a permanência de Henrique Meirelles (PMDB) no comando do Banco Central (BC). Para, logo depois, fazer a ressalva e lembrar que Lula sabe que a saída de Meirelles é uma decisão pessoal. Para bom entendedor, meia decisão pessoal basta.

O presidente do BC pode ser candidato a senador por Goiás e virar ministro da Fazenda, para não ter de renunciar a um mandato de oito anos, como fez com o de quatro na Câmara dos Deputados, para assumir o Banco Central. E pode ser candidato a vice-presidente da República, na chapa encabeçada pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), como desejam as pessoas que transitam em torno de Lula.

Não é à toa que vários ministros voltaram a falar no nome de Meirelles nos últimos dias. Um deles, em conversa reservada, começou a rir quando o assunto surgiu. E olha que ele é do PMDB, tanto que pediu anonimato, para não melindrar o comandante de seu partido, o presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (SP). Já o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que é do PT, foi mais explícito. Falou que a candidatura de Henrique Meirelles a vice-presidente é, sim, uma possibilidade. Só falta combinar com os inimigos da ideia.

Não é tarefa fácil para Lula tirar Michel Temer da chapa. O PMDB é um partido complicado, tem um racha histórico, pode pregar peças e surpreender na última hora. E Lula sabe que não pode prescindir do tempo de televisão que o partido tem no horário gratuito. Pelo jeito, muita água ainda terá de passar debaixo da ponte que liga o PT ao PMDB.

Bandeira 2

Os deputados já andam irritados com os senadores, por serem obrigados a consertar os projetos que o governo considera esdrúxulos ou que arrombam os cofres públicos. Agora, devem ser obrigados a consertar a proposta aprovada no Senado, que aumenta para 20% a gorjeta a qual os garçons têm direito no período entre 23h e 6h. Mas, pelo menos, não perderam o bom humor. O projeto já ganhou apelido na Câmara. Vem sendo chamado de “bandeira 2 dos garçons”.

Exterminador do futuro

Irritou profundamente a bancada ruralista o café da manhã da Frente Parlamentar Ambientalista. É que os produtores do agronegócio chegaram a ser chamados, na parte light do encontro, de “exterminadores do futuro”. Sem contar a farta distribuição de adesivos, com campanha contra os deputados ruralistas. Não é bom convidar o deputado Sarney Filho (PV-MA) e os defensores do agronegócio para a mesma mesa.

Nem lá, nem cá

Ainda candidato a presidente da República, o deputado Ciro Gomes (PSB-CE), que transferiu o domicílio eleitoral para São Paulo, anda bipolar ultimamente. Com o deputado Paulinho Pereira da Silva (PDT-SP), que queria uma definição sobre a possível candidatura ao Palácio dos Bandeirantes, Ciro disse que era para “procurar outro”. Só que, ontem, o PSB tinha um encontro internacional no Rio. Ciro não apareceu para a abertura. Preferiu almoçar com empresários em Belo Horizonte. Só depois foi para o Rio.

Só uma coincidência

Depois de ir a Uberlândia, o governador Aécio Neves (PSDB), com o vice Antonio Augusto a tiracolo, estará hoje em Uberaba. É para não dar briga. O curioso é que, em Uberlândia, o prefeito Odelmo Leão é unha e carne com Aécio. Em Uberaba, o prefeito Anderson Adauto (PMDB) é PT quase de carteirinha. Tanto que, deve ser coincidência, mas o ministro de Desenvolvimento Social, Patrus Ananias (PT), estará na cidade mais ou menos no mesmo horário. Corre até o risco de se encontrar com Aécio no aeroporto.

Sem ordem de cima

Futuro presidente nacional do PSB, o ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, não esconde a preferência pela candidatura do colega de Comunicações, Hélio Costa (PMDB), ao Palácio da Liberdade. Mas já acertou com a turma de Minas que o diretório nacional não vai interferir. Até porque, o diretório estadual é comandado pelo ex-vice-governador Clésio Andrade e integrado por todos os deputados federais da legenda.

Baptista Chagas de Almeida - Estado de Minas

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