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Política: Eleições 2010 Assine Nosso Feed

10/03/2010 - 14h45

Fonte: Uai

Lula faz campanha descarada e Serra não se mexe

Enquanto a base aliada ao presidente Lula põe o bloco na rua, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), continua resistindo aos apelos de seus correligionários para assumir a candidatura ao Palácio do Planalto.

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Lula faz campanha descarada e Serra não se mexe

A campanha eleitoral já está nas ruas. Melhor dizendo, não só nas ruas. Ontem, por exemplo, estava no plenário do Congresso. A sessão em comemoração ao Dia Internacional da Mulher virou palanque para a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à Presidência da República.

A senadora Marina (PV-AC), outra pré-candidata, também pegou carona, embora tenha ficado no plenário, enquanto Dilma, convidada ilustre, ganhou assento na mesa. Lula não estava presente. Nem precisava.

O presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP), nome de seu partido para compor a chapa como candidato a vice-presidente, cuidou de fazer o comercial da petista. Jurista que é, tomou cuidado para não ferir suscetibilidades no Tribunal Superior Eleitoral (TSE): “Eu acho que sua excelência, a ministra Dilma Rousseff, encarna tudo isso que eu estou a dizer, a significar.

Se eu nada dissesse, bastaria olhar para a ministra e todos diríamos: a mulher ganhou seu espaço definitivo na vida pública administrativa do nosso país”, afirmou Temer. Não tocou em candidatura ao Palácio do Planalto, mas precisava?

Enquanto a base aliada ao presidente Lula põe o bloco na rua, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), continua resistindo aos apelos de seus correligionários para assumir a candidatura ao Palácio do Planalto.

Depois das últimas pesquisas apontando empate técnico entre ele e Dilma, as pressões cresceram. Antes restrita ao DEM, agora chegou também aos próprios tucanos e a caciques da parcela do PMDB que não vão caminhar com a candidatura da ministra da Casa Civil.

Mesmo diante de tanta ansiedade, Serra resiste. O que só favorece as especulações sobre sua real disposição de disputar a Presidência da República, tendo uma reeleição praticamente certa em São Paulo.

Demissão em massa

Vem mais polêmica por aí na Câmara dos Deputados. Uma proposta de emenda constitucional (PEC) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proíbe drogarias e farmácias de vender qualquer produto que não seja remédio. O projeto é radical. Cálculos das empresas do setor apontam para uma demissão em massa, caso ela seja aprovada. O levantamento preliminar é que pelo menos 80 mil pessoas ficariam desempregadas.

De mãos dadas

Nunca antes na história deste país a direita e o governismo caminharam tão juntos pela página 3 do jornal O Estado de São Paulo. O editorial “Greve política” é prova disso.

A conferir

Um grupo de deputados federais reuniu-se em Brasília e decidiu pedir audiência ao secretário de estado de Governo, Danilo de Castro (foto), para abrir a torneira de reclamações. É que eles identificaram uma ação do próprio Palácio da Liberdade com prefeitos de suas bases eleitorais. Os telefonemas pedem apoio à eleição para a Câmara dos Deputados de Eduardo Azeredo (PSDB), Humberto Souto (PPS), Domingos Sávio (PSDB) e José Silva, ex-presidente da Emater.

PSB pragmático

O deputado Ciro Gomes (PSB-CE), que transferiu o título eleitoral para São Paulo, insiste em disputar a Presidência da República. Só que ainda não combinou com os russos, mais especificamente com seus colegas socialistas. É que o PSB tem vários candidatos a governador, que dependem do apoio do PT. É o caso, por exemplo, do presidente da legenda, Eduardo Campos, que briga pela reeleição em Pernambuco e depende da aliança com os petistas, principalmente se do outro lado estiver o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE).

Chapão de novo

O martelo ainda não foi batido, mas um grupo de deputados mineiros tenta reeditar, nas eleições para a Câmara em outubro, o chapão do pleito de 2006. A ideia é fazer uma coligação que teria o PSDB, o PP, o PR e o Democratas. O cálculo é, pelo menos, repetir o desempenho de quatro anos atrás, quando foram eleitos 22 parlamentares. Há expectativa de que é possível chegar a 24, com o que os deputados chamam de sobra. O chapão favorece o PSDB do governador Aécio Neves.

Com a barriga

A Câmara dos Deputados vai tentar empurrar com a barriga a votação, em segundo turno, da PEC que estabelece o piso de R$ 3,5 mil para policiais civis e militares e bombeiros. É para ganhar tempo. A ideia é enrolar o máximo possível, até não aguentar mais a pressão. Pelo jeito, os policiais terão de voltar a fazer vigília na Casa. Foi de tanto pressionar os deputados, que eles conseguiram que a PEC fosse votada, para desespero do Palácio do Planalto.

Baptista Chagas de Almeida é editor de Política do jornal Estado de Minas

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