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11/03/2010 - 14h36

Fonte: Correio Braziliense

Lula apoia Meirelles como vice de Dilma, mas PMDB ameaça romper...

O presidente do BC acredita que poderá alcançar seu objetivo com o apoio do presidente Lula, que vem defendendo seu nome para a vaga de vice.

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Lula apoia Meirelles como vice de Dilma, mas PMDB ameaça romper...

Lula apoia Meirelles como vice de Dilma, mas PMDB ameaça romper com governo se Temer não for escolhido

Ainda que relute em assumir publicamente, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, já bateu o martelo: vai mesmo deixar o cargo de olho na vaga de vice na chapa da candidata do PT, a ministra Dilma Rousseff. Pelo que está programado, Meirelles entrará em licença no dia 22 deste mês e anunciará o seu desligamento no dia 31, dois dias antes do prazo final dado pela Justiça Eleitoral.

Com ele, deixará o BC o diretor de Política Econômica, Mário Mesquita, apontado como o mais conservador dos integrantes do primeiro escalão. Há um acordo fechado entre eles nesse sentido. O sucessor de Meirelles será o diretor de Normas, Alexandre Tombini.

Meirelles aproveitará até junho, quando, efetivamente, a campanha começará, para trabalhar nos bastidores e garantir sua inclusão na chapa de Dilma. O presidente do BC acredita que poderá alcançar seu objetivo com o apoio do presidente Lula, que vem defendendo seu nome para a vaga de vice. O PT considera a presença de Meirelles uma garantia aos investidores de que a política econômica — baseada no tripé metas de inflação, câmbio flutuante e superavit fiscal — será mantida se a petista vencer nas urnas.

Na opinião de muitos, Meirelles é, para Dilma, o que o empresário José Alencar representou para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2002 e até mais: seria a letra viva da carta aos brasileiros que o então candidato Lula apresentou aos eleitores com o compromisso de não mudar os pilares da política econômica.

Meirelles, no entanto, sabe que não será tarefa fácil, pois a cúpula do PMDB — formada pelo presidente do Senado, José Sarney (AP), e pelos líderes partidários no Congresso, senador Renan Calheiros (AL) e deputado Henrique Eduardo Alves (RN) — está fechada com o presidente do partido e da Câmara, Michel Temer (SP). Caso não consiga quebrar a barreira imposta pela cúpula do PMDB, restará a Meirelles disputar uma vaga ao Senado pelo PMDB, com a garantia de assumir o Ministério da Fazenda de Dilma, em caso de vitória.

Batalha

Inicialmente, quando sinalizou que deixaria o BC para voltar à vida pública, abandonada em 2002, ao abrir mão da vaga de deputado federal pelo PSDB, o desejo maior de Meirelles era disputar o governo de Goiás. Mas ele foi abandonando essa meta ao ouvir de Lula que teria todo o seu apoio para ser o representante do PMDB na chapa da ministra da Casa Civil. A desistência de concorrer ao governo goiano foi sacramentada pelo presidente do BC em nota oficial há um mês.

Para se ter uma ideia da batalha que o presidente do BC terá pela frente para garantir a vaga de vice de Dilma, o alto comando do PMDB fez questão ontem de dar uma demonstração de força a favor de Michel Temer durante a posse da nova Comissão Executiva do partido. “Quem sabe não aproveitamos o encontro do partido em maio para aclamar o nome de Temer (para formar dobradinha com a ministra da Casa Civil)?”, insinuou o senador Valdir Raupp (RO), empossado como primeiro vice-presidente da legenda.

A sugestão, em tom de ameaça, foi vista como uma resposta ao disse me disse que tomou conta do mercado, diante da informação de que Meirelles deixará o BC no dia 31 próximo.

Embora alguns digam em conversas reservadas que basta ceder mais espaço de governo aos peemedebistas e assim garantir a vaga para Meirelles, os caciques do partido fizeram outra ameaça: sem Temer na vice não haverá aliança com Dilma. Se o PT forçar a mão para fazer de Meirelles o vice da candidata governista, pode haver uma rebelião.

O problema é que o governo quer usar o tempo do PMDB na televisão para tornar realidade o sonho de Dilma vencer no primeiro turno o candidato tucano, o governador de São Paulo, José Serra.

Resistência

Há, ainda, um outro grupo que, silenciosamente, vai tomando espaço. A juventude peemedebista acaba de ser conquistada pelo diretório gaúcho, que não deseja a aliança com o PT. E o PMDB Mulher segue para o mesmo caminho, com a posse de Regina Perondi, mulher do deputado Darcísio Perondi (RS). Os dois movimentos foram recebidos pela cúpula como sinais de que os militantes do PMDB não se mostram hoje dispostos a trabalhar pela candidatura da ministra.

Quem conduziu os dois movimentos foi o presidente da Fundação Ulysses Guimarães, Eliseu Padilha, ex-ministro dos Transportes do governo Fernando Henrique Cardoso.

Quanto à candidatura de Meirelles ao Senado por Goiás, o partido vai esperar para ver se ele realmente se movimentará nessa direção. Até o momento, conforme relato de peemedebistas do estado, nada de concreto foi feito.

Denise Rothenburg

Vicente Nunes

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