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08/03/2009 - 00h08

Fonte: Gazeta do Povo

Governo Federal afasta 2 mil servidores por corrupção

De acordo com a CGU, 1.759 agentes públicos demitidos ocupavam cargos efetivos na esferal federal. Outros 150 foram destituídos de cargos comissionados e, por fim, 122 tiveram a aposentadoria cassada.

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Governo Federal afasta 2 mil servidores por corrupção

Cerca de 2 mil servidores federais foram afastados do serviço público nos últimos seis anos, por envolvimento em casos de corrupção. Segundo dados divulgados ontem pela Controladoria-Geral da União (CGU), o governo afastou 2.031 pessoas entre janeiro de 2003 e fevereiro deste ano. Desse total, 166 ocupavam cargos estratégicos e considerados de alto grau de importância, como a direção de empresas estatais, subsecretarias de administração, promotorias e assessorias jurídicas.

Servidores que se valeram do cargo para obter vantagens pessoais responderam pelo maior número de expulsões: 1.013 casos ou 33,82% do total. Em seguida, vieram atos de improbidade administrativa, abandono da função, recebimento de propina e lesões aos cofres públicos (veja texto ao lado). De acordo com a CGU, 1.759 agentes públicos demitidos ocupavam cargos efetivos na esferal federal. Outros 150 foram destituídos de cargos comissionados e, por fim, 122 tiveram a aposentadoria cassada. A entidade destaca que menos de 10% dos servidores afastados conseguiram retornar ao serviço público por meio de decisões judiciais.

O ministro-chefe da CGU, Jorge Hage, afirma que o governo tem intensificado o combate à impunidade na administração pública ao longo dos últimos anos. Para coibir a prática de atos ilícitos, cada ministério passou a ser supervisionado de perto por um corregedor. Nas situações mais graves, a própria Controladoria instaura um processo para investigar o caso. “Isso evita as pressões do corporativismo e o constrangimento natural que decorre das relações de amizade e coleguismo”, afirma Hage. “É por isso que conseguimos alcançar dirigentes públicos e funcionários de altos escalões”. Segundo ele, antes da medida ser adotada, centenas de processos acabavam prescrevendo ou sequer eram instaurados. “Muita coisa se acumulou durante esse período. Daí o grande número de punições ocorridas recentemente”, explica.

Na avaliação de Renato Perissinotto, professor de Ciência Política da UFPR, os números refletem um aumento na vigilância e no combate aos casos de corrupção. Para ele, a sociedade civil tem se organizado em torno do tema, por meio de ONGs, sindicatos e da imprensa, e contagiado o poder público para que siga o mesmo caminho. “Não é que as coisas pioraram e a corrupção tenha necessariamente aumentado”, alerta. “O fato é que os casos passaram a vir a público e ser mais divulgados.” Além disso, como a CGU foi criada apenas em 2001, não havia levantamentos específicos como o divulgado ontem.

Euclides Lucas Garcia

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