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13/08/2008 - 20h18
Fonte: G1
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O banqueiro Daniel Dantas negou no depoimento à CPI dos Grampos nesta quarta-feira (13) que tenha participado de uma tentativa de suborno a um delegado da Polícia Federal durante a Operação Satiagraha.
O ex-presidente da Brasil Telecom, Humberto Braz, e Hugo Chicaroni foram acusados pela PF de tentar subornar um delegado da operação. Segundo as investigações da PF, Braz teria oferecido a propina a mando do banqueiro Daniel Dantas. Ele seria o "braço direito" do banqueiro.
Respondendo a questionamentos do deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), Dantas afirmou que não participou do suborno e que o dinheiro encontrado com Chicaroni não era do grupo Oportunitty.
Daniel Dantas afirmou que é amigo de Braz e que ele continua prestando serviços de consultoria para o seu grupo.
De acordo com as investigações da PF, a tentativa de suborno – que configura crime de corrupção ativa – era para que o nome de Dantas e de seus familiares fossem retirados do inquérito da Operação Satiagraha. Braz aparece em gravações oferecendo US$ 1 milhão a um delegado.
Braz e Chicaroni eram os únicos detidos pela operação ainda presos. Braz foi solto por um habeas corpus do Supremo Tribunal Federal na terça-feira (12). Chicaroni permanece preso mas pediu uma extensão do habeas corpus de Braz no STF nesta quarta.
Greenhalgh
O banqueiro confirmou ainda que o ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh ligou para o chefe de gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho, para ter informações sobre uma operação da polícia contra Humberto Braz.
A ligação foi captada por um grampo da Polícia Federal e aconteceu após Braz ter suspeitado de que estaria sendo seguido. O temor do grupo de Dantas era que um grupo da PF ligado à Telecom Itália estivesse participando da operação
Represália
Dantas acusou o atual diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Paulo Lacerda, de ter ordenado a realização da Operação Satiagraha para prejudicá-lo como uma represália. Lacerda era diretor-geral da Polícia Federal quando a Operação foi iniciada, em 2004.
Dantas disse ter recebido a informação de alguém, mas não citou a fonte. “O que diziam era que isso (a operação) tinha sido pedido pelo diretor da Abin, Paulo Lacerda. Isso ocorria como uma represália, uma retaliação, porque o doutor Paulo Lacerda me atribuiu um relatório sobre contas no exterior que lhe foram atribuídas”, disse Dantas.
De acordo com o banqueiro, a represália teria sido determinada depois que a revista "Veja" publicou uma matéria afirmando que Lacerda e outros integrantes do governo possuíam contas bancárias no exterior. O relatório atribuido a Dantas teria sido utilizado pela revista. Dantas nega ter sido a fonte da revista e teria mandado uma carta a Lacerda negando a autoria da denúncia.
O banqueiro afirmou que ficou sabendo da investigação em novembro de 2007, mas não deu muita importância. A partir dali, no entanto, novas informações teriam começado a circular e ele ficou preocupado após uma matéria do jornal "Folha de São Paulo", em abril deste ano, confirmando a existência da Operação.
O diretor-geral da Abin, Paulo Lacerda, informou, por meio de sua assesoria, que enviou comunicado à CPI dos Grampos nesta terça se dispondo a depor na comissão. Segundo a assessoria, Lacerda rebaterá as “acusações absurdas” de Dantas na CPI.
Ainda de acordo com a assessoria, Lacerda já processa Daniel Dantas por conta da entrevista publicada pela revista “Veja”. As declarações do banqueiro foram consideradas pelo diretor da Abin de “surreais”.
Filhos de Lula
Dantas também afirmou que o delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz, responsável pela Operação Satiagraha, na qual o banqueiro foi preso, tinha a intenção de investigar os filhos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Dantas afirmou que o desejo de investigar os filhos do presidente foi manifestado em um depoimento prestado por ele na Polícia Federal ao delegado. O banqueiro ficou calado no depoimento.
“Ele me disse que iria em cima de mim. Tinha comentado que ainda viria alguma coisa para criar constrangimento, para evitar a compra da Brasil Telecom pela Telemar. Ele citou que iria investigar os filhos do presidente Lula”, disse Dantas.
O relator da CPI, deputado Nelson Pellegrino (PT-BA), tentou arrancar mais informações de Dantas, mas ele apenas repetiu a afirmação. “Ele (Protógenes) disse que iria apurar tudo, inclusive envolvendo filhos do presidente também, que iria até o fim”, afirmou o banqueiro.
Inicialmente, Dantas não disse qual seria a investigação. Mas em um segundo momento disse que seria o envolvimento de um dos filhos do presidente com a Telemar.
O G1 tentou contato com o advogado de Protógenes Queiroz, Renato Andrade, mas ele não foi encontrado.
O G1 também entrou em contato com a assessoria do Palácio do Planalto, que não vai comentar as declarações feitas por Dantas.
Eduardo Bresciani
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