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Política: Dilma Rousseff Assine Nosso Feed

01/11/2010 - 12h29

Fonte: Correio Braziliense

Dilma já é considerada a mulher mais poderosa do mundo

Entre os grandes do continente americano, Barack Obama foi o primeiro negro eleito para a Presidência dos Estados Unidos; antes dele, Evo Morales foi o primeiro índio eleito presidente da Bolívia...

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Dilma já é considerada a mulher mais poderosa do mundo

1º de janeiro de 2011 cairá num sábado. Dilma Rousseff receberá do presidente Lula a faixa presidencial, desfilará em carro aberto, subirá a rampa do Palácio do Planalto e falará à nação de 190 milhões de almas. Uma Dilma feliz e emocionada como em poucos momentos de sua vida.

Terá um sorriso largo, a face personificada de uma equipe vencedora, liderada por Luiz Inácio Lula da Silva, que, não satisfeito em ser o primeiro operário eleito e reeleito para comandar o país e terminar o segundo mandato com mais de 80% de aprovação popular, conduziu a primeira mulher à Presidência da República Federativa do Brasil.

No dia da posse, Dilma Vana Rousseff estará com 63 anos e será a mulher mais poderosa do mundo, segundo já anunciava o importante jornal britânico The Independent seis dias antes da eleição em primeiro turno. Entra para o rol dos políticos que têm impressa na biografia a marca do pioneirismo. Por aqui, sempre será comparada a Lula.

Entre os grandes do continente americano, Barack Obama foi o primeiro negro eleito para a Presidência dos Estados Unidos; antes dele, Evo Morales foi o primeiro índio eleito presidente da Bolívia; e bem antes ainda, Nelson Mandela, o primeiro negro a comandar a África do Sul. São parte da história. Dilma também já é.

E não é por um acaso qualquer, tampouco por uma questão de gênero. Desde os 16 anos, é uma militante política. Lutou contra a ditadura, foi presa, torturada, trabalhou em favor da anistia, ajudou a fundar o PDT, foi secretária de Fazenda e secretária de Minas e Energia no Rio Grande do Sul, ministra de Minas e Energia e ministra-chefe da Casa Civil. Se hoje acordou escorada nos votos da maioria absoluta do eleitorado de 136 milhões de brasileiros, é porque seguiu à risca, com a obstinação que lhe é peculiar, o plano traçado por Lula.

Dilma gosta de cumprir as tarefas que lhe são confiadas. Essa foi mais uma. Quem a conhece mais intimamente sabe que não foi uma simples vaidade que a fez substituir os óculos pelas lentes de contato, fazer duas plásticas, suavizar as sobrancelhas, moldar o cabelo à la Carolina Herrera — estilista que inspirou o penteado criado pelo hair stylist de celebridades Celso Kamura — nem deixar de escolher sozinha o que veste. É certo que a parceria com o estilista Alexandre Herchcovitch não resistiu até o fim da campanha — oficialmente por uma incompatibilidade de agendas.

Para ela, cada um desses detalhes é trabalho. Assim como são deveres de ofício as horas intermináveis de gravação de programas eleitorais, o desafio de aprender a encarar a câmera, o esforço para acentuar o uai em certas ocasiões, o quase morrer de nervosismo nos debates, os comícios país afora, o ter de gritar em alguns momentos e o ter de calar em outros. Durante 120 dias de campanha eleitoral, Dilma foi do almoço chique na casa de Lily Marinho, que reuniu o high society e personalidades da área cultural, à Feira de São Cristóvão no Rio de Janeiro.

Ouviu elogios, trocou abraços e recebeu todo tipo de crítica. Ganhou seguidores e, mais ainda, perseguidores, inclusive virtuais. No Orkut, 649 comunidades mencionam seu nome — 24 delas resvalam para o humor, satirizando a ex-ministra, sobretudo, com o rebolation. As 269 que falam bem enaltecem o fato histórico de uma mulher chegar à Presidência da República, quase oito décadas depois de o Brasil ter permitido o voto feminino.

As outras 356 são agressivas. Criticam o seu passado, chamando-a de terrorista, e dizem que ela é a favor do aborto e contra as religiões cristãs. Não por acaso, em um dos compromissos de campanha, Dilma reuniu lideranças religiosas para negar esse posicionamento, embora anteriormente já tivesse se manifestado favorável à descriminalização do aborto.

Ao longo dos meses que antecederam a eleição, a filha do imigrante búlgaro Pétar Russev — ou Pedro Rousseff, nome que adotou depois de ser naturalizado brasileiro – e da professora Dilma Jane Silva fez muito mais do que desmentir boatos.

Incorporou mudanças substanciais para caber no molde do marqueteiro João Santana, a quem coube conduzir a metamorfose da Dilma ministra-chefe da Casa Civil para a Dilma candidata. Desde o fim de 2007, o presidente Lula já cogitava fazer dela sua sucessora. Em setembro de 2009, o projeto já estava consolidado, inclusive entre os assessores.

“Ela era a pessoa mais próxima do presidente, havia mostrado uma competência enorme na gestão, desde o Ministério de Minas e Energia, quando implementou toda a política energética do governo. Depois, na Casa Civil, com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e o Minha casa, minha vida. O presidente passou a receber as coisas prontas, com os problemas resolvidos, e só colhia os louros”, analisa uma pessoa que trabalhou nessa época no governo.

Diante desse histórico, não restou muita opção ao PT a não ser aceitar o que queria Lula. “Se houve resistência, foi pontual. Depois, foram dois anos de preparação”, conta o ex-presidente do PT Ricardo Berzoini.

Reuniões semanais para definir prioridades, conteúdo programático da campanha, agenda e, sobretudo, estratégias para dar à Dilma uma feição mais próxima daquela admirada pelos amigos — que a descrevem como uma pessoa agradável, extremamente solidária, leal, idealista, com imensa capacidade gerencial e de vastíssima cultura.

Imagem oposta à comentada nos corredores dos ministérios, segundo a qual a presidente tem temperamento irascível, capaz de humilhar publicamente de subalternos a autoridades. Dilma costuma reagir com ironia a esse estereótipo, dizendo que é uma mulher dura cercada de homens meigos, numa clara referência ao machismo que a rotula.

Não foi à toa, no entanto, que ganhou desafetos. Antes de algumas reuniões, sobretudo as do PAC, era comum a previsão de chuvas e trovoadas. Dilma odeia a imobilidade do serviço público, o não cumprimento de prazos, a ineficiência. E, diante disso, se altera com frequência.

“É claro que uma pessoa que recebe uma bronca em público não fica satisfeita e vai sair falando. Mas dificilmente vê que ela não cumpriu o que foi pedido e que o pedido era viável”, resume um ex-funcionário. Ninguém nega o temperamento forte da ex-ministra, embora muitos o justifiquem.

“Ela é firme nas decisões, mas não é intempestiva. É extremamente dedicada, trabalha muito e gosta de aprofundar tudo”, declara o deputado Cândido Vaccarezza, líder do governo na Câmara dos Deputados.

Cristine Gentil

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