Segunda, 21 de Maio de 2012
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01/07/2011 - 22h12
Fonte: BBC Brasil
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A ausência do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que segue tratamento em Cuba após a retirada de um tumor cancerígeno, evidencia a falta de outras lideranças consolidadas no país, o que torna incerta a sucessão presidencial e pode colocar em risco a chamada Revolução Bolivariana
"Neste momento não há revolução sem Chávez, pode haver governo, o que é diferente", afirmou à BBC Brasil o cientista político Nicmer Evans.
As variáveis que determinam o futuro político do país dependem, fundamentalmente, da gravidade do câncer e do tratamento a que Chávez está sendo submetido.
A primeira incerteza é se o líder venezuelano terá capacidade de vencer a doença e retomar o poder nos próximos meses. A segunda, determinante, é se o presidente será capaz de manter a campanha para a reeleição presidencial em 2012.
"Caso o presidente não possa participar da campanha, o partido terá de pensar na ideia que vinha sendo combatida até agora: o chavismo sem Chávez", afirmou Evans.
Segundo analistas, são quatro as lideranças políticas que aparecem com mais popularidade e poder no interior do governo: o vice-presidente, Elias Jaua, o chanceler, Nicolás Maduro, o ministro de Energia e Petróleo, Rafael Ramirez, e o menos popular, porém poderoso dentro das Forças Armadas, Diosdado Cabello – deputado da Assembleia Nacional e ex-ministro de Obras Públicas.
Líderes
Para o diretor da consultoria 30-11 Germán Campos, a dupla Jaua-Maduro, sem dúvida, é um dos homens que Chávez tem projetado politicamente ", afirmou Campos à BBC Brasil. Essa liderança, no entanto, não pode se consolidar sem o aval de Chávez, explica Campos.
"Chávez tem o controle das Forças Armadas, e qualquer liderança alternativa precisa ser aceita pelos militares", afirmou Campos. O analista da Consultoria 30-11 pondera, no entanto, que até o momento " nem militares, nem o partido do governo, o PSUV, estão pensando em sucessão".
O PSUV tem reforçado a mensagem de que o presidente Chávez é o único líder da revolução bolivariana e, como tal, há que haver unidade. "Aqui quem manda é Chávez (...), o presidente é um batalhador e sairá vitorioso dessa nova luta", afirmou o ministro de Energia e Petróleo, em um ato público em Caracas.
À lista de "sucessores" poderia entrar o irmão do presidente, Adán Chávez, que não conta com a mesma base política dos demais, porém, pode ter o próprio presidente como alavanca política.
Para o analista político Luis Vicente León, da consultoria Datanalisis, uma ausência prolongada do presidente venezuelano pode "desatar um conflito interno pelo poder" dentro do chavismo. "A tendência agora é um chavismo muito mais radical, tentando evitar que o adversário tome vantagens da situação", afirmou León.
Oposição
Se Chávez tiver que sair da cena política, a situação da oposição também muda, e a atual divisão pode se incrementar ainda mais, na opinião de Nicmer Evans.
A decisão da oposição de ter um candidato único foi tomada com base em um cenário em que Chávez seria o adversário. Para tentar derrotá-lo, teriam de unir forças.
"Se Chávez não for candidato, é provável que a oposição rompa a aliança e articule candidaturas separadas, por coalizões ou partidos", afirmou.
"Vemos que há uma Chávez-dependência, para bem e para mal, tanto no governo, como na oposição", afirmou Evans.
Lado humano
A doença de Chávez mostra aos simpatizantes e aos adversários do governo que o presidente é um ser humano e, portanto, mortal. A aparente invencibilidade que o então energético líder venezuelano construiu no imaginário popular ao longo de 12 anos fez com que seus aliados o vissem como um "super-herói", e seus opositores o tratassem como um “supervilão”.
"Aqui estou como humano, como companheiro, como camarada, agradecido, recuperando fortalezas físicas, intelectuais (...) quem disse que o caminho era fácil?", comentou Chávez, em vídeo transmitido pela TV estatal nesta sexta-feira, durante reunião de trabalho do presidente com Adán, Maduro e o general Henry Rangel Silva.
Em um vídeo gravado no dia 29, Chávez aparece com semblante animado, rindo e cantando, contrastando as imagens transmitidas na noite da quinta-feira, quando Chávez anunciou a detecção de câncer na região pélvica.
"Minha disciplina para recuperar a saúde é rigorosa, assim como quando éramos cadetes, até coloquei o uniforme", disse Chávez, bem humorado, ao mostrar o uniforme esportivo do Exército.
O centro de Caracas é palco de pequenas concentrações em apoio ao presidente. A ausência do mandatário venezuelano também será sentida durante os festejos de comemoração do bicentenário da independência do país, em 5 de julho.
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