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14/07/2011 - 14h52

Fonte: Correio Braziliense

Presidente do BC americano prevê calamidade

Para evitar o calote no pagamento de juros sobre os títulos públicos, o Tesouro teria que suspender aposentadorias e despesas com o sistema de saúde e com os programas militares.

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Washington — O presidente do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos), Ben Bernanke, traçou um cenário sombrio para a economia, com consequências globais, caso o Congresso não aceite aumentar o limite do endividamento do país.

Para evitar o calote no pagamento de juros sobre os títulos públicos, o Tesouro teria que suspender aposentadorias e despesas com o sistema de saúde e com os programas militares. Dessa forma, ele fixou uma espécie de prioridade na aplicação do orçamento após 2 de agosto, data a partir da qual as autoridades preveem o colapso do governo.

“Se o teto da dívida não for elevado, ocorrerá uma enorme calamidade financeira”, disse Bernanke num aguardado discurso no Congresso. O tom foi o mais forte que um membro da administração Barack Obama usou até agora para tratar do impasse com os congressistas republicanos.

Segundo ele, um calote causaria “ondas de choque” no sistema financeiro. “O Tesouro vai tentar fazer os pagamentos do principal e dos juros da dívida do governo. O fracasso em fazê-lo certamente colocará o sistema financeiro em tremenda desordem e terá grandes impactos sobre a economia global.”

Deficit

Na avaliação do presidente do Fed, a moratória no pagamento dos compromissos seria suficiente para fazer as agências de classificação de risco rebaixarem a nota dos EUA, o que elevaria os juros exigidos pelos investidores e pioraria o deficit público.

Segundo os números divulgados ontem, o rombo nas contas foi de US$ 43,1 bilhões no mês passado, numa redução de 37% em relação aos US$ 68,4 bilhões em junho de 2010. Nos nove primeiros meses do ano fiscal, que termina em 30 de setembro, o saldo negativo está em US$ 970,5 bilhões, em uma queda de 3,3%.

O limite de endividamento, de US$ 14,3 trilhões, foi alcançado em meados de maio. Ontem, o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, renovou o apelo aos republicanos por um acordo. “Não há alternativa a uma elevação do teto. Ou você honra as obrigações ou não honra. Se não honra, é obrigado a fazer escolhas terríveis sobre quais contas pagar”, afirmou. Até o fechamento desta edição, Obama estava reunido com parlamentares republicanos para buscar um entendimento.

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