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15/10/2008 - 12h02
Fonte: BBC Brasil
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Apesar do tamanho da turbulência global, os efeitos da crise não deverão ser sentidos pela economia venezuelana nos próximos meses, segundo previsões do governo venezuelano.
Estas projeções são compartilhadas com o Fundo Monetário Internacional (FMI), que estima que o crescimento econômico venezuelano será de 6% neste ano.
A perspectiva, porém, não se mantém para 2009, período em que o FMI projeta um crescimento de apenas 2%, redução que poderia ser ocasionada pela vulnerabilidade da economia venezuelana à queda dos preços do petróleo.
"O impacto no crescimento econômico dependerá fundamentalmente da variação do preço do petróleo", afirmou à BBC Brasil o economista Luis Vicente León, da consultora venezuelana Datanálisis.
Claudia Jardim
Nesta terça-feira o barril do petróleo foi cotado à US$79, bem distante da bonança dos US$ 147 cotados no mês de julho.
A baixa coincide com a crise financeira mundial, que tem levado a desaceleração da economia mundial e a redução dos níveis de consumo de energia no setor produtivo.
"A economia venezuelana não tem como se salvar se houver uma crise relevante no setor", acrescentou León.
É do petróleo que provêm 92% das divisas que ingressam na Venezuela e quase a metade do orçamento do governo.
Mesmo assim, segundo o economista Mark Weisbrot, diretor do Centro de Pesquisas de Política Econômica (CEPR, na sigla em inglês) de Washington, a execução de parte dos projetos do governo pode estar garantida, graças ao modo como o executivo calcula seu orçamento.
Segundo Weisbrot, o executivo calcula seu orçamento levando em conta um valor do barril de petróleo consideravelmente inferior ao preço real de mercado. O mesmo deve acontecer para 2009.
Para 2008, por exemplo, o orçamento foi calculado em US$ 35 o barril - quando a média real dos últimos oito meses foi de US$ 86 por barril - o que significa um excedente de 145,7% na receita do produto entrando nos cofres públicos venezuelanos.
Orçamento paralelo
Em um cenário de recessão, porém, a incerteza quanto ao gasto público poderia vir dos projetos que são financiados com o excedente da renda petrolífera, cujo gasto não é contemplado no orçamento anual.
Analistas estimam que os principais projetos de obras públicas, as compras de armamento, a cooperação com o governo de Cuba, parte dos projetos sociais e a construção de refinarias não são contabilizados no orçamento.
Luis Vicente León considera que, com a redução do excedente da renda petrolífera, o governo terá que "contrair significativamente o gasto público para equilibrar a balança".
"Isso afetará a quase todos os setores da economia, especialmente os setores da construção, telecomunicações e financeiro, principais beneficiados pelas grandes quantias de dinheiro que hoje circulam na economia", afirmou León.
Para equilibrar as contas governamentais, o Deustche Bank estima que a Venezuela, quinto maior exportador mundial de petróleo, necessita que o preço médio do barril se estabeleça em US$95, caso contrário, a economia seria abalada pela crise.
O co-diretor do CEPR, Mark Weisbrot, no entanto, discorda dessa projeção. Pretende-se criar uma ilusão de que há um perigo na economia que não é real", afirmou.
Weisbrot avalia que ainda que o barril do petróleo caia a pouco menos de US$ 70, as políticas governamentais que estão fora do orçamento anual poderiam ser sustentadas pelas reservas internacionais, estimadas em US$ 40 bilhões.
"O governo pode dispor das reservas internacionais para manter o gasto público durante um longo período e, se isso for insuficiente, poderá contrair empréstimos com outros países" afirmou.
"Isso dependerá das prioridades que estabelecerá o governo durante o período de instabilidade internacional", acrescentou.
Neste ano, antes mesmo da crise, o governo venezuelano recorreu aos cofres de um novo aliado e pediu emprestado à China US$ 8 bilhões.
Brasil
A visão da Câmara de Comércio Brasil-Venezuela (Cavenbra) é menos otimista e os empresários do setor já esperam um corte nas importações dos produtos que não estão na lista da cesta básica, considerada como prioridade para o governo que depende de 70% de importação de alimentos.
"O nível de importação de alimentos do Brasil à Venezuela deverá ser mantido porque uma redução poderia significar um caos social, mas outros setores, como de automóveis e autopeças, poderão ser reduzidos consideravelmente", afirmou Fernando Portela, diretor executivo da Cavenbra.
A balança comercial entre os dois países deverá fechar o ano em US$ 5,4 bilhões, com um superávit para o Brasil de US$ 4,8 bilhões.
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