Segunda, 21 de Maio de 2012
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03/07/2008 - 17h12
Fonte: G1
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O resgate de 15 reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) na quarta-feira (2) foi um sinal de que a guerrilha está debilitada, mas ela ainda existe como uma estrutura de alcance nacional, alerta Angela Cerón, coordenadora nacional da Iniciativa de Mulheres Colombianas pela Paz, que congrega 428 organizações atuantes em 54 municípios do país, em entrevista ao G1.
Seu principal papel é apoiar as mulheres vítimas de paramilitares, forças de extrema direita inimigas das Farc, que já foram parcialmente desmobilizadas.
“Há uma crise na estrutura em nível organizativo e logístico das Farc”, observa Angela Cerón. “Diminuiu sua capacidade de se moverem, de que lhes cheguem remédios”, explica. As mortes dos líderes Raúl Reyes e Manuel Marulanda desorganizaram a estrutura da guerrilha, mas ela ainda é ampla, ao contrário do que acontece com os paramilitares que, no entanto, têm recuperado força localmente, aponta.
“O paramilitarismo não desapareceu, e há um rearmamento de paramilitares. Agora chamam-se Águias Negras. A estrutura nacional que tinham tende a desaparecer, mas as estruturas locais subsistem. Ainda que os cabeças tenham se entregado, não quer dizer que as estruturas de nivel mais baixo não tenham se reorganizado”, observa.
“Essas pessoas, quando se deparam com um país onde não há opção de trabalho, acabam voltando a pegar em armas”, comenta Cerón sobre a tendência que observou após a instituição da "Lei de Justiça e Paz", em 2005, que ofereceu benefícios a paramilitares desmobilizados, como penas reduzidas, sob a condição de admitirem seus crimes e repararem danos à vítimas.
“Hoje temos na Colômbia cerca de 3,5 milhões de pessoas que tiveram de se deslocar (por causa do conflito armado), dos quais 80% são mulheres e crianças”, ressalta Cerón. A Iniciativa de Mulheres atua dando apoio psicológico a mulheres deslocadas e também tentando oferecer-lhes alternativa de trabalho.
Atua também no campo político, pressionando para que sejam adotadas políticas públicas que levem as mulheres em consideração. “As mulheres normalmente não são incluídas na agenda de paz”, queixa-se a ativista, ressaltando que elas também estão entre as principais afetadas pelo conflito colombiano.
Dennis Barbosa
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