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09/02/2010 - 12h36

Fonte: Folha Online

Irã minimiza pressão e nega que sanções impeçam programa nuclear

A desconfiança ganhou força nesta semana com o anúncio iraniano de que, violando as atuais resoluções do Conselho de Segurança, iria enriquecer urânio de 3,5% a 20% em seu próprio ...

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No dia em que confirmou o início do processo de enriquecimento de urânio a 20% em seu próprio território, o Irã negou que as ameaças de sanções e novas resoluções do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) o impeçam de avançar em seu programa nuclear.

"Se eles tentarem uma nova resolução, estarão cometendo um erro. Isso não ajudará a resolver a disputa nuclear entre o Irã e o Ocidente", afirmou o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores do Irã, Ramin Mehmanparast.

Em entrevista a jornalistas, em Teerã, Mehmanparast afirmou que o país não vai abandonar seu "programa nuclear pacífico".

Teerã nega as acusações ocidentais de que tenha objetivos militares com seu programa nuclear. A desconfiança ganhou força nesta semana com o anúncio iraniano de que, violando as atuais resoluções do Conselho de Segurança, iria enriquecer urânio de 3,5% a 20% em seu próprio solo. O urânio altamente enriquecido é suficiente para produzir isótopos médicos, mas pouco para os 905 necessários para uma bomba.

"As resoluções [que incluírem sanções] contra o Irã não serão capazes de solucionar problemas, mas provocarão vários aos países que as aprovarem. Se pensam que com estas resoluções o povo iraniano dará um passo atrás [em seu programa nuclear], estão enganados", disse Mehmanparast.

Mehmanparast afirmou ainda que as políticas de sanção aplicadas contra o Irã nos últimos 31 anos fracassaram e os países que as adotaram "não conhecem bem o povo iraniano".

O porta-voz também voltou a dizer que o programa nuclear de seu país é totalmente pacífico e respeita as normas da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

"O Irã começa hoje a enriquecer de urânio no marco das atividades pacíficas que não contradizem os direitos dos membros da AIEA", declarou.

Sanções

A pressão internacional por mais sanções contra o governo do Irã cresceu nesta segunda-feira (8) depois que Teerã anunciou planos para produzir urânio enriquecido e construir mais dez usinas nucleares em apenas um ano.

Possíveis sanções incluiriam medidas contra o Banco Central, a Guarda Revolucionária, empresas de exportação e contra o setor de energia, de acordo com diplomatas. O Irã já enfrenta uma lista de sanções que incluem embargo comercial total com os EUA e a proibição da importação de armas por Teerã e fornecimento de "materiais e tecnologia que contribuam ao desenvolvimento nuclear" iraniano por qualquer país-membro da ONU.

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, e o ministro de Defesa da França, Hervé Morin, defenderam nesta segunda-feira novas sanções da ONU sobre o Irã por fabricar urânio altamente enriquecido em seu próprio território.

O anúncio viola as resoluções da ONU, vai contra acordo nuclear debatido com potências ocidentais e aumenta temores de que Teerã mantenha programa secreto de fabricação de armas --como reiteraram EUA e França nesta segunda-feira.

A Alemanha também citou a ameaça de sanções, enquanto o Reino Unido disse que os novos planos do Irã violam resoluções da ONU e que está preocupado com o anúncio.

A Rússia ainda se mostra oficialmente reticente quanto a novas sanções. O chefe do Comitê de Relações Exteriores da Câmara Baixa do Parlamento russo, Konstantin Kosachyov, pediu, contudo, que a comunidade internacional prepare sérias medidas em resposta. Kosachyov disse ainda que o fortalecimento das sanções econômicas internacionais deve ser considerada, segundo a agência de notícias Interfax.

Já o Ministério das Relações Exteriores da China voltou a pedir a continuidade das negociações sobre o programa nuclear do Irã.

Um novo pacote de sanções contra o Irã depende da maioria dos votos dos membros do Conselho de Segurança, do qual o Brasil faz parte, e da aprovação de todos os cinco membros com poder de veto --China, Rússia, EUA, França e Reino Unido.

Com Efe e Associated Press

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