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07/07/2010 - 17h43
Fonte: Do G1, com agências internacionais
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O dissidente cubano Guillermo Fariñas, que está em greve de fome, em foto de abril. (Foto: AFP)
O governo de Cuba vai libertar 52 presos políticos, disse nesta quarta-feira (7) a Igreja Católica do país em um comunicado.
Cinco dos presos devem ser soltos nas próximas horas, e os outros 47 em um período entre três ou quatro meses. Seis destes seriam transferidos para prisões mais próximas de suas casas.
O governo cubano ainda não confirmou a informação.
Os 52 dissidentes que serão soltos são os que ainda restavam do Grupo dos 75, presos em 2003, na chamada "Primavera Negra".
Devido ao caso dos 75 políticos detidos, a União Europeia (UE) impôs sanções a Cuba, levantadas temporariamente em 2005 e definitivamente em 2008 por iniciativa ds Espanha que, nos últimos anos, tentou aproximar Havana e Bruxelas.
A libertação foi comunicada em um encontro do presidente de Cuba, Raúl Castro, com o cardeal Jaime Ortega e o chanceler da Espanha, Miguel Angel Moratinos, segundo documento divulgado pelo Arcebispado de Havana.
O documento afirma que os cinco primeiros libertados vão poder partir rumo à Espanha em companhia de seus parentes.
Os demais também poderão deixar a ilha. A imprensa espanhola menciona que França e Espanha receberiam os presos políticos, enquanto que o Chile se declarou oficialmente disposto a fazê-lo.
Pressão internacional
A Igreja Católica cubana vinha fazendo desde 19 de maio a mediação para tentar a soltura dos dissidentes.
Cuba está sob forte pressão internacional após a morte do dissidente Orlando Zapata Tamayo, em 23 de fevereiro, depois de uma greve de fome, e desde então amenizou sua política para dissidentes, considerados mercenários a trabalho dos EUA.
Outro dissidente, Guillermo Fariñas, está em greve de fome há 134 dias pela soltura de 25 presos políticos doentes, que devem estar no grupo a ser libertado. Ele se disse cético a respeito do anúncio desta quarta-feira.
Entidades pró-direitos humanos avaliaram nesta semana que o regime comunista da ilha ainda tem 167 dissidentes atrás das grades, incluindo dez em liberdade condicional.
Se confirmada, a libertação deve ter impacto positivo nas relações de Cuba com os Estados Unidos e a Europa.
A libertação seria a maior desde 1998, quando 101 prisioneiros políticos estavam entre os cerca de 300 detentos soltos após a visita do papa João Paulo II.
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