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19/09/2008 - 20h33
Fonte: G1
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O diretor para as Américas da Human Rights Watch, José Miguel Vivanco, disse que foi tratado com "brutalidade" pelas autoridades venezuelanas que o expulsaram de Caracas nesta quinta-feira (18).
"Jamais havia passado por isso", declarou ao G1, por telefone, do aeroporto de Guarulhos, pouco antes de embarcar para Washington, na noite desta sexta.
O governo venezuelano expulsou na quinta-feira à noite o chileno Vivanco e seu assistente, o norte-americano Daniel Wilkinson, e os embarcou em um avião com destino a São Paulo, acusando-os de violar a Constituição e de se imiscuir em assuntos do país, depois da divulgação de um relatório que acusava o governo Chávez de intolerância.
Sobre o que a HRW fará depois do episódio, Vivanco declarou que a ONG "dobrará seus esforços em fiscalizar o respeito aos direitos humanos na Venezuela. Não suspenderemos nosso trabalho em nenhum país, independentemente da ideologia de seu governo".
Anteriormente, Vivanco havia declarado à imprensa que sua expulsão da Venezuela demonstra a “intolerância” do governo do presidente Hugo Chávez.
“A ordem de Chávez que nos força a sair do país nestas circunstâncias demonstra o conteúdo do nosso relatório, que fala da intolerância do governo frente à crítica”, disse a jornalistas.
A ONG disse que os celulares dos dois foram confiscados e que eles não tiveram direito a entrar em contato com representantes diplomáticos.
"Confiscaram meu celular e meu blackberry, que foram devolvidos depois. Exigi comunicação com meu embaixador, mas isso não foi possível. Mas poderia ter sido pior, porque estava lidando com gente acostumada à impunidade", declarou ao G1.
”Chávez pode ter expulsado o mensageiro, mas simplesmente reforçou a mensagem: as liberdades civis na Venezuela estão em perigo”, disse Kenneth Roth, diretor-executivo da organização, em um comunicado.
Expulsão
A Venezuela expulsou na noite de quinta o diretor latino-americano do Human Rights Watch e seu assistente pouco depois da divulgação do informe.
As expulsões foram confirmadas pela Agência Bolivariana de notícias. Mais tarde, a TV estatal mostrou as imagens do funcionário deixando o país.
A nota oficial diz que o governo decidiu pela expulsão dos dois dirigentes do HRW depois que declarações de Vivanco “violentaram a Constituição e as leis da Venezuela, e agrediram as instituições da democracia venezuelana”. Segundo o comunicado, o HRW “interferiu ilegalmente nos assuntos internos do país”.
No comunicado, o governo notificou os dois representantes sobre “a obrigação de abandonar de maneira imediata a pátria do libertador Simon Bolívar”.
Na quinta, a ONG havia apresentado em Caracas um informe de cerca de 300 páginas em que inclui críticas ao presidente Chávez. O HRW informou sobre um “desrespeito do presidente por direitos fundamentais” no país. O documento leva o título de “Uma década de Chávez: intolerância política e oportunidades perdidas para o progresso dos direitos humanos na Venezuela”.
“Nos preocupa muito a situação na Venezuela. Nos preocupa que o debate político se dê em um contexto onde há instituições políticas tão débeis”, informou o HRW.
Vivanco leu um resumo do informe, no qual advertia para "o manifesto desprezo do princípio de separação de poderes, e em especial da idéia de um Poder Judiciário independente por parte das autoridades".
"Em seus esforços para conter a oposição política e consolidar seu poder, o governo do presidente Hugo Chávez tem debilitado as instituições democráticas e as garantias dos direitos humanos na Venezuela", denuncia a HRW.
Soberania
O Governo do Chile considerou "desproporcional" a expulsão de Vivanco e anunciou que pedirá explicações a Caracas, segundo informou o subsecretário de Relações Exteriores de Santiago, Alberto van Klaveren. Em resposta, o Governo venezuelano ratificou o caráter "soberano" de sua decisão e declarou que "na hora certa" responderá ao pedido de "explicações" feito por parte do Chile.
"Ninguém deve se colocar na decisão soberana tomada por nosso país", afirmou o chanceler da Venezuela, Nicolás Maduro.
'Repreensível'
O governo dos EUA classificou de "repreensível" a atitude do governo Chávez perante a HRW. A ONG já "criticou governos de todo o hemisfério ocidental sobre temas diversos, incluindo o americano, e nunca alguém respondeu dessa forma", declarou Sara Mangiaracina, porta-voz do departamento de Estado dos EUA.
Paula Adamo Idoeta
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