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27/11/2008 - 09h01
Fonte: BBC Brasil
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Grande parte dos 317 mil brasileiros que vivem no Japão são operários de fábrica, mas muitos vivem da demanda dessa comunidade por produtos
e serviços tipicamente brasileiros.
A comunidade é tão bem-servida de produtos “made in Brazil” e serviços em português que muitos trabalhadores migraram para o comércio ou se tornaram profissionais liberais.
Mas este setor também foi duramente atingido pela crise, assim que começaram as demissões nas fábricas.
“Em alguns pontos comerciais, as vendas foram reduzidas em mais de 60%, levando os empresários ao desespero”, revela o consultor de empresas e autor do livro Negócio Próprio no Japão, Kotaro Tsuji, 43.
Dono da Bell Mart, rede de lojas de produtos brasileiros nas províncias de Aichi, Gifu e Mie, Roberto Martins, 46, está com medo de apostar nas vendas de dezembro, como sempre fez.
Um mês antes do Natal, o empresário ainda não havia decidido se investiria em produtos típicos de final de ano. “Muita gente está voltando para o Brasil e não sabemos se quem vai ficar terá dinheiro para festas”, explica.
Cadê os clientes?
Bancos, supermercados, lojas de roupas e calçados, livrarias, escolas, agências de viagem, auto-escolas, bares e restaurantes. Tem de tudo.
Luís Isima Junior, 38, dono da loja Banana Brasil, de Gunma, já decidiu: reduziu de 30% a 40% as encomendas de panetone, champanhe e vinho.
Isima Junior diminuiu também o número de funcionários e aposta nos preços baixos para não perder a clientela. “Estamos buscando, ainda, mercados alternativos, como o japonês”, diz.
No bar MPBeer, em Gunma, a clientela caiu 70%, de acordo com os cálculos do proprietário Ricardo Yano, 35. “Sei pela quantidade de chope que eu compro”, explica.
Outra prova de que o movimento está fraco é o horário de funcionamento no domingo. Até o mês de outubro, Yano abria o bar às 13h. Agora, o expediente começa às 20h. “Trabalho com o supérfluo e, infelizmente, diversão é a primeira coisa a ser cortada em tempos de crise”, analisa.
Os diretores de instituições de ensino também começaram a sentir os efeitos da recessão. Segundo Adriano Suzuki, 40, da escola Nikken Objetivo, de Mie, 10% de seus alunos não concluirão este ano letivo. “Alguns pais estão voltando para o Brasil e outros disseram que não têm mais condições de pagar a mensalidade”, conta.
Mais um indício de que a crise chegou à comunidade pode ser visto na mídia étnica local. A revista Alternativa, a mais antiga entre as publicações de distribuição gratuita, viu seu caderno de empregos ser reduzido drasticamente em menos de três meses.
O diretor comercial Wagner Cabral, 44, conta que na primeira edição deste ano havia 269 empresas que ofereciam vagas de trabalho. Já na última edição de novembro, o número caiu para 59.
“Mesmo assim, temos a maior quantidade de anúncios de emprego”, ressalva. Isso significa que a outra dezena de concorrentes amarga números piores. “O problema é que a mídia e o comércio brasileiro dependem exclusivamente da comunidade”, lamenta.
Ewerthon Tobace e Karina Almeida
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