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02/12/2008 - 08h53

Fonte: Estadão

Chávez exige campanha por reeleição; para oposição, é 'insulto'

O líder opositor venezuelano Manuel Rosales disse que seria "um insulto" entrar em uma nova campanha eleitoral, agora para decidir sobre a reeleição presidencial, em vez de destinar forças a resolver os problemas nacionais.

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Chávez exige campanha por reeleição; para oposição, é 'insulto'

CARACAS - O presidente venezuelano, Hugo Chávez, ordenou na segunda-feira, 2, seus seguidores do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) a começar nova campanha para conseguir uma emenda constitucional que lhe permita se candidatar nas eleições presidenciais de dezembro de 2012. O líder opositor venezuelano Manuel Rosales disse que seria "um insulto" entrar em uma nova campanha eleitoral, agora para decidir sobre a reeleição presidencial, em vez de destinar forças a resolver os problemas nacionais.

O projeto que abre caminho para que o presidente se reeleja mais de uma vez daria a Chávez a oportunidade de ser candidato em 2012. A idéia estava incluída na reforma constitucional rejeitada em consulta popular há um ano. Segundo analistas, o motivo da urgência do líder venezuelano em tentar mais uma vez aprovar a mudança é que, em 2009, a queda nos preços do petróleo pode colocar em risco o financiamento das políticas sociais do governo, derrubando sua popularidade. "A verdade é que eu não queria passar 2009 debatendo isso. Se vamos aprovar essa emenda constitucional, isso tem de ser agora", disse Chávez. "Dezembro é uma boa data para darmos início (a esse processo). Hoje começa a batalha pela emenda constitucional e, em janeiro, será a ofensiva."

Assim, Chávez quebrou a promessa de que respeitaria o resultado do referendo de dezembro do ano passado, quando sua proposta de reforma constitucional, que incluía a possibilidade de uma nova reeleição, foi rejeitada pela maioria da população. Chávez já foi reeleito no período permitido pela atual constituição por isso, caso não se aprova uma reforma do texto, ele precisará deixar o cargo quando terminar seu atual mandato, em janeiro de 2013. O governante foi eleito pela primeira vez em dezembro de 1998 e pela segunda em dezembro de 2006, sem contar sua vitória de 2000, após ser aprovada a nova constituição que requeria a confirmação dos cargos então em vigor.

Chávez disse a seus seguidores que a campanha "popular" a favor da reforma deve começar "já", para "ganhar de maneira contundente". Caso se recolham as assinaturas necessárias para elaborar a proposta, esta deverá ser apresentada à Assembléia Nacional, atualmente com arrasadora maioria do PSUV, e, passado esse trâmite, submetida a referendo. A partir de 2010, a pretensão de Chávez pode se tornar mais difícil, pois, caso se repita a proporção da votação registrada nas eleições regionais de nove dias atrás, a oposição tornará mais apertada esta diferença.

"É um insulto para as pessoas que a esta altura estejamos falando de uma nova campanha eleitoral. A coletividade está cheia de tantos problemas", disse Rosales à emissora Unión Radio, de Caracas. O até semana passada governador de Zulia e agora prefeito de Maracaibo pediu à oposição para "não fazer o jogo" de Chávez e "construir um discurso alternativo" que ofereça "respostas aos problemas da população".

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