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Brasil / Mundo: Direitos Humanos Assine Nosso Feed

09/12/2009 - 16h33

Fonte: da Reuters, em Washington

Antes de Nobel, ONGs questionam postura de Obama sobre direitos humanos

Obama adotou um estilo pragmático na política externa, recebendo elogios por mostrar disposição de negociar com países como Irã e Coreia do Norte, os quais seu antecessor havia classificado como parte do "eixo do mal" e buscado isolar.

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Antes de Nobel, ONGs questionam postura de Obama sobre direitos humanos

Dois importantes grupos internacionais de direitos humanos deram opiniões mescladas sobre o histórico do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, com relação aos direitos humanos nesta quarta-feira, na véspera de ele receber o Nobel da Paz de 2009 em Oslo.

O Human Rights Watch e a Anistia Internacional pediram que Obama utilize o discurso de aceitação do prêmio na quinta-feira para renovar a liderança americana na área dos direitos humanos, depois de, segundo elas, a posição do país ter sido enfraquecida por abusos cometidos durante a guerra ao terrorismo do governo de George W. Bush (2001-2009).

Ao premiar Obama, o comitê do Nobel disse em outubro que o presidente havia feito esforços extraordinários para fortalecer a cooperação internacional e esperava que isso fortalecesse a democracia e os direitos humanos.

Obama adotou um estilo pragmático na política externa, recebendo elogios por mostrar disposição de negociar com países como Irã e Coreia do Norte, os quais seu antecessor havia classificado como parte do "eixo do mal" e buscado isolar.

A Anistia e o Human Rights Watch, no entanto, afirmaram que o pragmatismo dele por vezes o leva a não falar abertamente sobre direitos humanos em países como China, o maior credor de Washington e importante ator nos esforços de combater a crise financeira mundial.

"Ele criou uma escolha falsa entre ter de falar vigorosamente sobre direitos humanos ou ser pragmático e obter resultados em outras questões", disse o diretor-executivo da Anistia Internacional EUA, Larry Cox.

A Anistia e o Human Rights Watch elogiaram Obama por agir prontamente para anunciar o fechamento da prisão militar de Guantánamo, e encerrar o programa de detenção secreta da CIA (agência de inteligência americana), adotando uma abordagem multilateral de diplomacia e estendendo a mão ao mundo muçulmano.

Mas as organizações o criticam por não fazer o bastante para tratar de casos específicos de direitos humanos.

"Ele falou abertamente em alguns casos, como o da [vencedora do Nobel da Paz] Aung San Suu Kyi, mas não entrou com força o suficiente em questões como os direitos humanos na China, por exemplo", disse Cox.

A diretora associada do Human Rights Watch, Carroll Bogert, disse que o governo de Obama parece ter calculado que os EUA seriam um ator mais forte na arena internacional se minimizassem a importância dos direitos humanos.

"Acho que o cálculo é de que suscitar os direitos humanos enfraquecem a posição dos EUA. Isso é um erro de cálculo. A postura silenciosa faz [Obama] parecer fraco", disse Bogert.

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