Quarta, 08 de Fevereiro de 2012
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16/08/2010 - 21h38
Fonte: BBC Brasil
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Em entrevista transmitida no último domingo pelo canal de televisão iraniano em língua inglesa Press TV, Ahmadinejad afirmou esperar que o caso de Ashtiani “seja resolvido” e disse que o poder Judiciário do Irã não concordou com a oferta brasileira.
“Os juízes são independentes (no Irã). Eu conversei com o chefe do Judiciário, mas o Judiciário não concordou com isso (a oferta de asilo)”, disse Ahmadinejad, em suas primeiras declarações públicas a respeito da oferta brasileira.
Na entrevista, que foi transmitida com legendas em inglês, o presidente iraniano disse ainda que enviar a condenada ao Brasil poderia prejudicar Lula.
“Eu acho que não é necessário criar um problema para o presidente Lula e levá-la ao Brasil. Nós estamos preparados para exportar nossa tecnologia para o Brasil e não este tipo de gente”, disse Ahmadinejad.
Homicídio
Nesta segunda-feira, a embaixada do Irã no Brasil divulgou uma declaração à imprensa onde afirma que o governo do país considerou a oferta do presidente Lula “um pedido de um país amigo, baseado nos sentimentos puramente humanitários”, mas lista alguns argumentos para não enviá-la ao país.
“Quais são as consequências desse tipo de tratamento com os criminosos e assassinos? Será que esse ato não promoverá e não encorajará criminosos a praticar crimes?”, diz o comunicado. "Será que a sociedade brasileira e o Brasil têm que ter, no futuro, um lugar dos criminosos de outros países em seu território?"
Por meio do documento, a representação diplomática iraniana em Brasília afirma que, além de adultério, Ashtiani é acusada pela morte de seu marido, o que seria “o crime principal” que pesa contra ela.
“A senhora Sakineh Mohammadi, há alguns anos, praticou um crime de homicídio contra seu marido, pelo qual foi processada e presa. (...). Por essa razão, o crime principal praticado pela cidadã iraniana é de homicídio”, diz a nota.
Confissão
Ashtiani, de 43 anos, está presa no Irã desde 2006. Inicialmente ela foi acusada de adultério e condenada a uma sentença de apedrejamento.
Posteriormente, a sentença de apedrejamento foi suspensa. Sakineh, no entanto, está sendo acusada de participação no assassinato de seu marido e ainda pode ser executada por enforcamento.
Na semana passada, a TV estatal iraniana levou ao ar uma suposta entrevista com Sakineh, em que a iraniana admite ter conspirado para matar o marido.
A "confissão" foi condenada pela Anistia Internacional, organização de defesa dos direitos humanos.
De acordo com a ONG, "confissões desse tipo (transmitidas pela televisão) têm sido repetidamente usadas pelas autoridades iranianas para incriminar pessoas que estão sob custódia".
Em entrevista à BBC, um dos advogados de Ashtiani, Mohammad Mostafaie, que está exilado na Noruega, afirmou que o programa foi “manipulado” e que a ré foi “ameaçada” para confessar.
“Eles transmitem em sua maioria mentiras e desinformação. Eu sei que ela (Sakineh) falou estas coisas porque foi ameaçada", disse o advogado.
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