Quarta, 08 de Fevereiro de 2012

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Entrevista Exclusiva com Paulo Tadeu Assine Nosso Feed

Dep. Distrital Paulo Tadeu

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Dep. Distrital Paulo Tadeu

Paulo Tadeu Vale da Silva, natural de Sobradinho/DF, nascido em 24/12/1967. Diretor Sindicato dos Eletricitários; Dirigente Estudantil; Dirigente da CUT; Dirigente do PT; Tesoureiro da União Nacional dos Legislativos (Unale). Deputado distrital (1999-2002, 2003-2006 e 2007-2010)

01/10/2009 - 23h18

Jornalista: Caio Martins

Falando sobre seu Mandato...

"E os projetos políticos são os mesmos: defesa do socialismo, da classe trabalhadora e dos movimentos sociais; combate ao neoliberalismo, à pobreza e à exclusão social; e luta pela melhoria na educação e saúde públicas."

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VoteBrasil: O Senhor é a favor da proibição de opiniões sobre candidatos ou políticos na Internet, ou na mídia em geral? Que achou da censura feita ao Estadão referente à família Sarney?

Deputado Paulo Tadeu: Não vejo problemas que sejam divulgadas opiniões sobre candidatos ou políticos na internet ou em qualquer outro meio de comunicação, desde que elas de fato sejam opiniões, sem a interferência do poder econômico. Se um site, um jornal ou uma rádio recebe dinheiro, de forma direta ou mediante compra de espaço publicitário, para falar bem ou falar mal de um político ou de um candidato, aí evidentemente não dá para concordar. A liberdade de expressão tem de ser exercida de fato e não exercida mediante pagamento, seja para falar bem, seja para falar mal.Quanto ao caso Sarney, creio que o assunto foi bastante divulgado pela imprensa. A decisão judicial referente ao Estadão foi um caso emblemático que apenas trouxe mais combustível para matérias desfavoráveis ao Presidente do Senado. Proibir que a informação circule não leva a lugar algum. Por isso, acho que a decisão judicial foi ruim. Só que também não se pode generalizar, a partir desse caso isolado, para dizer que no Brasil não há liberdade de imprensa.A imprensa é livre em nosso País, mas essa liberdade não é exercida de forma isenta e imparcial. Na Ditadura Militar, os falsos interesses dos governantes de então tiraram a liberdade de imprensa em nosso País. Houve uma grande luta da sociedade para que a liberdade voltasse. Mas agora os jornalistas também não são livres para publicar as matérias segundo suas opiniões. Há muitos interesses políticos e econômicos envolvidos, inclusive para definir quais matérias publicar e quais não publicar; e as que são publicadas passaram antes pelo crivo da censura econômica dos donos dos meios de comunicação. E as verbas publicitárias, tanto governamentais quando de grandes empresas, têm sido usadas para cercear a liberdade de imprensa dos nossos jornalistas. Então, temos de travar uma segunda luta pela imprensa, para que ela se liberte do poderio econômico que está por trás da linha editorial que muitos meios de comunicação vêm seguindo.

VoteBrasil: O que houve com o PT nestes dez anos, que hoje aplica políticas neoliberais, age segundo métodos antes duramente condenados e se aliou aos políticos que mais combateu em favor da ética?

Deputado Paulo Tadeu: Inicialmente, não podemos confundir o PT com o Governo Lula. Este tem uma base de apoio que vai muito além do Partido dos Trabalhadores, e muitas decisões governamentais também são criticadas por boa parte da militância partidária. E o PT, enquanto partido, não aplica políticas neoliberais.Por outro lado, a política econômica do Governo Lula tem diferenças significativas em relação à política de FHC. É certo que os críticos do PT insistem na tese da igualdade, até para desmerecer as transformações sociais e econômicas do nosso Governo. Mas uma análise mais detida dos instrumentos dessa política revela essas diferenças.O ponto comum é o conjunto de instrumentos de combate à inflação. Mas o controle da inflação não é uma bandeira deste ou daquele Partido. É uma obrigação de todo e qualquer governante. O Plano Real, que é do Itamar Franco e não do PSDB, tinha quase dez anos quando Lula assumiu. Ele manteve a nomenclatura, mas redefiniu os outros instrumentos de política econômica. Pouco se fala hoje, mas o PSDB, PFL (hoje DEM) e os neoliberais defendem e tentaram implantar no nosso País o conceito de estado mínimo. Para isso, no governo FHC, privatizaram várias estatais, terceirizaram inúmeros serviços, congelaram os salários dos servidores públicos e deixaram de contratar novos servidores. Em pouco tempo, o número de aposentados do Governo Federal ficou maior do que o número de servidores em atividade.Na política externa, só tinham olhos para os EUA e para a Europa. A África, o Oriente Médio e a própria América Latina não existiam para eles. Quantas vezes FHC visitou um país africano? Creio que ninguém se lembra de uma única visite dele.Internamente, o desemprego crescia, os juros aumentavam e a relação dívida-PIB era sempre ascendente. O salário-mínimo não conseguia chegar a cem dólares, e as políticas de combate à pobreza eram extremamente tímidas e excessivamente pontuais.O Estado brasileiro não melhorou em nada com isso. Vivia pendurado no FMI, as reservas internacionais eram minguadas, e uma crise econômica em qualquer país, por mais distante que estivesse do Brasil, impactava negativamente a nossa economia, tanto que a Bolsa de Valores e os investimentos internos tinham níveis muito baixos. Circulava por aqui apenas o capital da especulação financeira internacional, e a qualquer sinal externo esse capital fugia daqui.No Governo FHC, o Brasil definhava com as políticas neoliberais, as mesmas que provocaram o colapso da economia global.No Governo Lula, o FMI foi mandado embora. Sem ruptura, mas foi. As nossas reservas internacionais hoje possuem músculos vigorosos; nossa dívida externa está quitada; o emprego cresce, o crédito aumentou e os juros são os mais baixos da história. As privatizações pararam; as terceirizações foram estancadas; foram realizados inúmeros concursos públicos e contratados milhares de novos servidores. As políticas sociais, amplas e universalizantes, trouxeram para o consumo milhões de brasileiros; e o salário-mínimo está próximo dos trezentos dólares.O resultado é que essa crise de proporção mundial que abalou a economia do mundo e principalmente a americana chegou ao Brasil como uma “marolinha”, como disse o Presidente Lula quando ela começou. Foi duramente criticado à época, mas hoje, a contragosto, os neoliberais e nossos adversários políticos reconhecem que ele estava certo.Apesar de sucinta essa análise, parece-me suficiente para desmistificar essa afirmação de que o Governo Lula se beneficia das políticas do Governo FHC. Elas são muito diferentes, mas há má vontade em reconhecer que a gestão do País, no Governo do PT, é muito melhor do que a de seu antecessor.Quanto aos outros elementos da pergunta, há uma generalização com a qual também não posso concordar. Primeiro, porque, como disse, é preciso separar o PT do Governo. A aliança com o PMDB é com base no que se acostumou chamar de “governabilidade”. Sem apoio de outros partidos, ainda que dentro do PT tenhamos muitas ressalvas, o Presidente Lula teria dificuldades de concretizar o projeto de País de nosso partido.Em segundo lugar, o PT não é nem nunca foi um partido de caciques. É formado por militantes, cujas opiniões não se confundem com as opiniões e métodos de alguns de seus dirigentes. Eu e a grande maioria dos militantes nunca adotamos métodos antes condenados, nem defendemos políticos sem ética, tampouco nos aliamos a eles.

VoteBrasil: O Sr. é a favor da nova CPMF? Afirma-se que dos recursos da LO para a saúde, só se aplicaram perto de 5%, ficando o restante contingenciado. Não seria mais lógico liberar completamente os recursos previstos, ao invés de criar um novo imposto?

Deputado Paulo Tadeu: Sou contra criar um novo tributo apenas para aumentar a arrecadação. Agora, ter um tributo para financiar a saúde pública, do ponto de vista conceitual, está correto. A saúde é um bem que precisa da proteção total do Estado, e quem frequenta a rede pública de saúde é justamente aquela parcela da população de baixa renda. E é para ela que o Estado tem de olhar com maior atenção. Por isso, como sempre atuei na defesa dos movimentos sociais e dos menos favorecidos, entendo que a CPMF, conceitualmente, é necessária.Além disso, ela foi formalmente extinta, mas continua embutida no preço dos produtos e serviços que consumimos. Quanto foi criada, toda a classe empresarial correu para calcular o impacto dela na formação dos seus preços. Quando foi extinta, ninguém se lembrou de tirá-la dos preços. O seu valor passou a fazer parte dos lucros empresariais.A criação de um tributo exclusivo para financiar a saúde pública, porém, não inviabiliza a aplicação de todos os recursos orçamentários para a saúde. Uma coisa não se contrapõe à outra.

VoteBrasil: Qual sua opinião sobre a segurança pública no Distrito Federal, onde o crime age até nas cercanias do Planalto? E, por extensão, no país?

Deputado Paulo Tadeu: Inicialmente, é fato que a segurança pública no Distrito Federal é ruim. E isso não é por incapacidade dos policiais ou por insuficiência de contingente. É ruim por sucessivos erros de gestão. Agora mesmo, o atual Governo resolveu criar postos policiais pela cidade. O resultado é que tirou o policial da rua, e a insegurança aumentou.No resto do País, não é muito diferente daqui, embora os recursos sejam mais escassos do que na Capital da República.Mas os problemas de segurança pública não podem ser vistos apenas pelo aparato policial, quer preventivo, quer investigativo. A estrutura social de nosso País e a má distribuição de renda são fatores que interferem na segurança pública. Por isso, creio necessário e urgente fazer uma reforma agrária, que mexa na estrutura fundiária de nosso País, criar mais emprego e dar condições de acesso à moradia em locais habitáveis.

VoteBrasil: Qual seu projeto ou ação parlamentar lhe causou mais satisfação, e por quê?

Deputado Paulo Tadeu: É difícil pontuar e valorizar um projeto em detrimento dos outros; mas o projeto de lei pela implantação do passe livre estudantil no transporte público do DF e a atuação incessante contra os aumentos abusivos de impostos no Distrito Federal são exemplos de atuação de que muito me orgulho. O fato de termos conseguido limitar o aumento do IPTU, IPVA e TLP ao INPC é algo que nasceu das propostas que fiz.

VoteBrasil: Poderia falar rapidamente sobre seus projetos políticos futuros?

Deputado Paulo Tadeu: Sou candidato a Deputado Federal nas próximas eleições. E os projetos políticos são os mesmos: defesa do socialismo, da classe trabalhadora e dos movimentos sociais; combate ao neoliberalismo, à pobreza e à exclusão social; e luta pela melhoria na educação e saúde públicas.É certo que a atuação de um Deputado é bastante limitada, mas acredito que, com essas bandeiras, estarei contribuindo para uma sociedade melhor.

VoteBrasil: Dedique algumas palavras aos eleitores, e aos políticos.

Deputado Paulo Tadeu: Inicialmente, aos eleitores que já votaram em mim agradeço a confiança depositada e espero ter cumprido os compromissos assumidos para continuar merecendo a confiança. E a todos os eleitores gostaria de pedir que participassem mais da política de nosso País, para que possamos mudar essas estruturas antiquadas.Quanto aos políticos espero que, de fato, passem a representar os interesses da sociedade e não os seus próprios.

Comentários desta Entrevista

Gildeao Ferreira dos Santos

30/07/2010 - 22h47 | Brasília / DF

Um Otimo Politico

O companheiro paulo tadeu na minha opiniao, é hoje no pais um dos melhores politicos em exercico pricipalmente pelo seu caracter,etica é o cara que a meu ver trabalhar e faz alguma coisa nesse paìs pelos mais necessitados é um companheiro de luta é só olhar a vida publica desse rapaz. Falo nao poque eu conheço ja que nunca tive contato com ele mais conheço os seu projetos e lutas pela classe mais carente .....é Um otimo polico.

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