Quarta, 08 de Fevereiro de 2012
Eleito dois anos como Melhor Site de Política pelo Prêmio iBEST -->
Senador Paulo Paim

Paulo Renato Paim (Caxias do Sul, 15/03/1950), metalúrgico formado pelo SENAI,casado e pai de cinco filhos. Foi deputado federal de 1987 a 2002. Desde 2003 é senador pelo estado do RS pelo PT. Foi Presidente do Sind. dos Trabalhadores Metalúrgicos de Canoas, RS, em dois mandatos consecutivos,que foram de 1981-1984 e 1984-1985. Assumiu o cargo de Secretário-Geral da CUT Nacional, em 1983,e no ano seguinte,foi eleito Vice-Presidente.
01/10/2009 - 21h49
Jornalista: Caio Martins
Altere o tamanho da letra: A- A+
VoteBrasil: Senador, o senhor é conhecido por uma trajetória equilibrada e coerente desde os tempos de sindicalista, ou seja, não é de querer ganhar disputas “no grito”, e, seguindo Brizola, atua por “comer o mingau pelas beiradas”, isto é, avançar, ceder, obter vitórias parciais, passo a passo, para chegar aos seus objetivos sem radicalização ou precipitação. Pergunto, então, qual sua postura ante movimentos como o MST e outros, apoiados pelo governo, que agem mais pela força que pelos argumentos.
Senador: A questão da reforma agrária vem sendo debatida no Brasil há muito tempo e acredito que nós temos de avançar no sentido de que o Governo possa comprar terras e que essas terras sirvam de instrumento para manter o homem trabalhando no campo, produzindo e alavancando a nossa produção de alimentos para o bem estar de toda a população. Isso pode ser feito com paz, harmonia, diálogo e com grande entendimento. É assim que vejo a reforma agrária.
VoteBrasil: Qual sua posição ante movimentos como as FARC – Exército do Povo, ELN e outros que, em regimes democráticos, se valem da luta armada como caminho político?
Senador: Sou contra lutas armadas. Sou um homem que acredita na liberdade absoluta, na democracia, na justiça, enfim, na construção de uma sociedade melhor para todos. Não vai ser com violência que nós vamos resolver as questões de um regime, por mais que a gente discorde dele. Por isso eu tenho pautado a minha atuação com base em uma frase que utilizo há muitos anos, desde quando era moleque, adolescente e que diz que ninguém inventou no mundo um sistema melhor que a democracia. Sou um democrata, sou um homem da democracia por convicção.
VoteBrasil: O senhor é filiado ao Partido dos Trabalhadores que foi, até chegar ao poder, dos mais intransigentes defensores da ética na política. Depois de 2002, o PT envolveu-se em vários acontecimentos deploráveis e aliou-se a personalidades e partidos altamente questionáveis, nivelando-se aos demais partidos. O PT foi corrompido no correr destes anos, ou a defesa da ética era apenas propaganda para conquista do poder por via eleitoral?
Senador: Para mim, a questão da ética, da honra, da palavra empenhada, da seriedade e da coerência tem de ser eixo da vida pública de qualquer cidadão, instituição ou partido político. Eu continuo com as mesmas convicções que preguei ainda quando era oposição ao regime militar e depois quando fiz a oposição aos governos eleitos democraticamente. Acho que nós devemos cada vez mais ser coerentes, como diz o Frei Beto e tantos os outros, o discurso e a prática tem de ser uma única nota.
VoteBrasil: Nesse contexto, vemos que o senhor mantém sua postura ética reconhecida desde os tempos de sindicalista: como consegue equilibrar essa contradição? Ou seria o caso, como Heloísa Helena e Marina Silva, de buscar outro partido?
Senador: Como sindicalista fui presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Canoas, presidente da Central Estadual de Trabalhadores do Rio Grande do Sul, secretário geral da CUT Nacional. O movimento sindical gaúcho me escolheu para ser um dos candidatos dos trabalhadores ao cargo de deputado constituinte e naquele momento fiz a opção pelo Partido dos Trabalhadores. Escolhi esse espaço democrático para defender as teses daquilo que eu acredito numa linha de contribuir para a justiça, para a igualdade, para a liberdade e para que esse fosse um caminho na construção de uma sociedade melhor para todos. Tenho maior respeito pela senadora Heloisa Helena, e Marina Silva e pelos senadores Flávio Arns e Cristovam Buarque que optaram por um outro partido. Eu optei por ficar no Partido dos Trabalhadores e nesse espaço defender as minhas idéias.
VoteBrasil: O senhor recebeu, recentemente, a Medalha Tiradentes, no Rio de Janeiro. O que é essa homenagem, e por que lhe foi atribuída?
Senador: Com orgulho eu posso dizer que essa honraria, a Medalha Tiradentes que recebi do estado do Rio de Janeiro, recebi também do estado de Minas Gerais. Eu acho que essas medalhas me foram oferecidas, pois trabalho com transparência e verdade. Como diz a canção, fico com a inocência das crianças e me considero um eterno aprendiz. Creio também que foi pela coerência que tenho pautado minha vida pública, por meu compromisso de vida com os trabalhadores, os aposentados, os idosos, os pensionistas, as pessoas com deficiência, enfim, com todos os setores que são discriminados, sem deixar de entender, também pela minha coerência, o lado dos empreendedores.
VoteBrasil: Acompanhamos e divulgamos sua Vigília Cívica de 18 de novembro do ano passado, em 18 de novembro de 2008, na qual vários senadores e funcionários do Senado levaram à Nação seu protesto pelo descaso com os aposentados e previdenciários no país. Por que seu partido e a base do governo não acompanhou aquele movimento, e por que ele não mais se repetiu?
Senador: Primeiro eu quero dizer que aqui no Senado foram aprovados, por unanimidade, três de meus projetos na área como o fim do fator previdenciário- que é aquele do governo anterior que confisca 40% do salário do cidadão no ato da aposentadoria; o PL 1/07 - que quer garantir o reajuste integral aos aposentados e pensionistas na mesma política que eu defendi para o salário mínimo: inflação mais o PIB, e ainda o PL 4434/2008 que garante que o aposentado volte a receber o número de salários mínimos que recebia na época que se aposentou. Essas matérias foram aprovadas noSenado e já estão lá na Câmara dos Deputados. Aqui no Senado tive apoio total da Bancada do Governo, como também da oposição. Nós estamos travando agora um debate lá na Câmara para ver se os partidos votarão em favor de meus projetos. A meu ver deveriam ser coerentes, pois os mesmos partidos que estão no Senado estão na Câmara. Tenho tramitando no Senado outras propostas e gostaria de destacar duas delas: a PEC 24/03 que proíbe que os recursos da Previdência sejam utilizados para outros fins e a PEC 50/06 que termina com o voto secreto no Congresso. Todos esses projetos receberam o apoio aqui no Senado.
VoteBrasil: No correr de décadas, os aposentados e previdenciários pagaram religiosamente suas contribuições. Portanto, o dinheiro entrou. A pergunta é: Por que, governo após governo, todos dizem que a Previdência está quebrada? Se o dinheiro entra compulsoriamente, onde foi parar? Quê fizeram com ele e nesse sentido, quanto o Estado deve à Previdência?
Senador: O Estado Brasileiro deve ter uma dívida com a Previdência que ultrapassa R$ 3 bilhões, com esse dinheiro foi construída Brasília, a Ponte Rio Niterói, a TransAmazônica, Itaipu, Volta Redonda, a Siderúrgica Nacional e por aí vai, porque naquele tempo o dinheiro entrava e o Estado só gastava independentemente do governo que estava no poder. Por isso eu nem quero olhar pra trás, porque o Estado nunca vai devolver esse dinheiro. O que eu tenho dito que seria fundamental é aprovar a PEC 24, para não permitir, daqui para a frente que o dinheiro da Seguridade Social seja destinado para outros fins. A Previdência não está quebrada, não é deficitária e para aqueles que dizem que é deficitária eu os desafio simplesmente a aprovar a PEC 24 e só permitir que os recursos fiquem na Seguridade porque a Previdência, com certeza, poderá pagar os projetos que eu estou propondo e conseqüentemente um salário decente àqueles que tem direito ao benefício. Mas com o cuidado que tenho para que a previdência continue superavitária, mesmo daqui a cem anos, apresentei o PLS 362/08 que garante que um percentual dos recursos do Pré-sal vá para a previdência. Afinal, levantamentos preliminares nos mostram que o pré- sal irá gerar algo em torno de U$15 bilhões.
VoteBrasil: O senhor é defensor inconteste dos excluídos (negros, idosos, excepcionais, ou seja, dos que não têm realmente voz) e dos trabalhadores. Também, pela coragem de opor-se a medidas de seu próprio governo que os prejudiquem, ou simplesmente os ignorem: isso não o prejudica quanto à liberação de emendas, destinadas a ajudar exatamente aqueles setores?
Senador: Não! Eu falo com muita satisfação que, no governo Lula, todas emendas que apresentei, sejam emendas de Comissão ou emendas de Bancada, sempre tiveram respaldo a não ser algumas exceções. Inclusive eu adoto para o meu mandato o seguinte princípio: independente de qual seja o partido, em meu estado, até 2010, todos os 496 municípios do Rio Grande do Sul vão receber uma emenda do meu mandato. Primeiro porque eu apresentei independentemente de quem seja o prefeito ou o partido a que ele pertence, e segundo, que o governo Lula tem liberado e não tem criado nenhum tipo de constrangimento quanto às minhas iniciativas. E assim também tem sido nas emendas de Bancada do Rio Grande do Sul, como também nas emendas das Comissões que visam atender as pessoas com deficiência, até porque eu sou o autor dos Estatutos da Pessoa com Deficiência, do Idoso, da igualdade Racial, autor da redução da jornada de trabalho sem redução de salários, enfim são mais de 1300 proposições de minha autoria no Congresso Nacional. Dessa forma acabo interagindo nesse sentido.
VoteBrasil: Esclareça, em poucas palavras, sua posição sobre o fim de votações e reuniões secretas em todas as atividades do Legislativo (municípios, estados, Congresso).
Senador: Como expus anteriormente, sou autor da PEC 50 que está tramitando aqui na Casa. Ela está no Plenário do Senado. Entendo que o homem público não pode, não deve, não tem o direito de votar de forma secreta. Ele tem o dever de votar abertamente, ele não pode participar de reunião e nem de votações secretas porque a população passa para cada parlamentar uma procuração para representá-la e é um absurdo você se esconder no voto secreto e não prestar conta dos seus atos e votos, quer seja nos municípios, nos estados ou no Congresso.
VoteBrasil: Antes do PT chegar ao governo federal, o senhor era considerado da direita do partido. Hoje, pelas posições quase sempre conflitantes, poderíamos dizer que representa as tendências de esquerda
Senador: Não me considero nem de direita, nem de esquerda. Sempre me considerei, e mantenho a minha coerência, um homem de centro-esquerda. As posições que eu tinha como sindicalista ou como deputado federal, eu mantenho exatamente as mesmas aqui no Senado. Isso não quer dizer que eu não vá aprendendo na caminhada. Aprender na caminhada é saber que não sou o dono da verdade. Quando alguém me prova que, efetivamente, eu estou errado, não tenho problema nenhum de acatar a orientação que me é dada mediante uma política de convencimento daquilo que for melhor para o povo gaúcho e conseqüentemente para o povo brasileiro.
VoteBrasil: Houve quem o visse como o Barack Obama brasileiro: tem pretensões de chegar à presidência da República e repetir o “modelo americano” no Brasil?
Senador: Quem não gostaria de ser lembrado para ser presidente da República de um país que precisa avançar muito mais, um país gostoso, belíssimo, cujo povo é trabalhador, pacífico, solidário, alegre como é o nosso povo? Quem não gostaria, não é? Mas, vamos dar tempo ao tempo. Acredito e sou candidato, em 2010, ao Senado. Depois da eleição de 2010 não é mais minha intenção concorrer a cargos no Legislativo. O tempo é o senhor da verdade e o futuro a Deus pertence! Eu quero servir ao meu povo hoje e sempre. Assim, posso voltar para as bases dos movimentos sociais ou me candidatar a um cargo no Executivo. O que tenho certeza é que independente de onde eu estiver, estarei sempre olhando para o horizonte, sempre de cabeça erguida.
VoteBrasil: Quem é Paulo Paim, segundo Paulo Paim?
Senador: Paulo Paim foi um menino que nasceu em uma família pobre em que pai e mãe, hoje já falecidos, ganhavam o salário mínimo. Um menino negro que entendeu desde cedo que estudar e trabalhar era o modo de vencer na vida. Foi por essa estrada caminhando, construindo, sempre com propostas propositivas. É um cidadão gaúcho, um cidadão brasileiro que ama a sua Pátria, ama seu estado, ama seu povo e que tem essa marca muito forte com a questão social. Eu defendo as minhas propostas e acho que na sociedade há espaço para todos. Sempre digo que a questão social, das pessoas com deficiência, de idosos, de negros, de índios, de brancos, de pobres, da classe média, essas e muitas outras causas estão no meu sangue e enquanto meu sangue estiver circulando eu estarei defendendo esses ideais. Mas, repito, sempre valorizando os empreendedores porque essa conjugação de esforços, buscando uma sociedade melhor para todos é que pode dar certo. É preciso que entender que a vida faz com que cada dia possamos aprender uma lição nova e digo isso sempre porque este país tem de aprender muito com aqueles que tem a idade mais avançada. É a experiência passada para as gerações mais jovens. A sabedoria dos mais velhos, que aliada ao empreendedorismo de nossos jovens nos ajudará a formar os líderes do futuro.
Rafael de Souza
24/10/2009 - 23h38 | São Paulo / SP
Encontro de Grandes
Essa é sem dúvida a melhor entrevista que vi do grande Senador Paulo Paim. Objetiva, curta, direta e sem estrelismo das partes. O grande jornalista Caio Venâncio Martins teve a humildade de fazer as perguntas certas. Paim teve a humildade de responder sem tergiversar. É exemplo para ser seguido por quem quer ser político ou ser jornalista. O VoteBrasil está de parabéns.
Nilson de Oliveira
21/10/2009 - 17h08 | Salvador / BA
Gostaria Que Fosse Presidente !!
Politícos sérios deste país !!!!!
parabéns Pelo apoio aos trabalhadores e aposentados;
senador paulo paim pt/rs
senador mário couto psdb/pa
senadora lúcia vânia psdb/go
senador mão santa psc-pi
deputado arnaldo farias de sá ptb/sp
deputado cleber verde pan/ma
Os direitos autorais desta página são protegidos pela Lei 9.610 de 19/02/1998 - © Copyright 2012 VoteBrasil
Luciano Coelho
03/04/2010 - 08h22 | Fortaleza / CE
Admiração
Para mim não foi novidade a entrevsta do paulo paim, ele sempre vê o país tentando melhorar, consertar os erros, dando soluções para os esquecidos idosos. Sou um profundo admirador da sua luta, gostaria muito de conhecê-lo. Se eu pudesse ele seria o nosso candidato a presidente da república. Acho que só iria acontecer isso se ele sair do pt. O paulo paim precisa ir para um partido que lhe dê vez. Tente na próxima ser o nosso candidato a presidente. Parabéns pelo seu trabalho. Vejo de fortaleza.