Quarta, 08 de Fevereiro de 2012
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Deputado Carlito Merss

Professor e Industriário . Vereador, 1993-1995, Joinville, SC, PT; Deputado Estadual, 1995-1999, SC, PT; Deputado Federal, 1999-2003, SC, PT. Dt. Posse: 01/02/1999; Deputado Federal, 2003-2007, SC, PT. Dt. Posse: 01/02/2003; Deputado Federal, 2007-2011, SC, PT. Dt. Posse: 01/02/2007.
15/08/2005 - 17h23
Jornalista: André Barretto
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VoteBrasil: Deputado, ser indicado para a relatoria do orçamento é uma posição importante dentro do Congresso em 2006. Entretanto 2006 é um ano que se prenuncia de forte descrédito para a classe política face aos últimos acontecimentos. O Sr. pretende influir de forma a reduzir os gastos públicos e tentar, pelo menos para os que acompanham seu trabalho, demonstrar que ainda há deputados sérios ?
Deputado Carlito Merss: A relatoria do orçamento deverá obedecer ao que dispõe a lei de diretrizes orçamentárias e o Plano Plurianual. A partir da mensagem orçamentária do Executivo e obedecidos esses parâmetros, procuraremos otimizar a disponibilidade orçamentária alocando recursos nos programas prioritários. Nossa intenção é manter a auteridade fiscal que vem caracterizando o orçamento público, situação que permitiu o controle da inflação e um ambiente macroeconômico favorável ao crescimento sustentável com geração de empregos. É preciso evitar o populismo orçamentário em ano eleitoral, situação que penaliza sobremaneira as contas públicas, penaliza o contribuinte e compromete a gestão futura.
VoteBrasil: Deputado, o Sr. é a favor do voto secreto para decidir se um colega seu de Congresso deva ser cassado ou não ? O voto secreto numa situação dessas não é um desserviço à moralidade pública ?
Deputado Carlito Merss: O mandato parlamentar é uma representação conferida pelo voto do eleitor. Por esse motivo, acredito que o voto secreto dever ser eliminado, uma vez que o parlamentar não deve abrigar posicionamentos individuais, senão que compromissos públicos e coletivos.
VoteBrasil: Deputado, depois de tudo que está ocorrendo no Congresso o Sr. acredita que um Deputado em 2006, durante sua campanha eleitoral, vai ter de passar mais tempo explicando aos eleitores que é honesto do que falando de suas propostas ?
Deputado Carlito Merss: A generalização de denúncias contra o parlamento e o falência do sistema atual de financiamento das campanhas eleitorais vai obrigar aos atuais parlamentares a dialogar com a população sobre os verdadeiros compromissos que devem nortear a representação política. Esse debate pode qualificar a escolha do eleitor, situação fundamental para renovarmos o parlamento e inaugurarmos um novo ciclo no país, com reforma política e maior transparência nos negócios públicos.
VoteBrasil: Deputado, 2006 parece que vai ser o ano em que um político ter uma postura ética vai ser a principal exigência do eleitor. O Sr. acredita que um deputado que fez parte desta legislatura, mesmo sem ter se envolvido com o "mensalão" vai ter dificuldade para se reeleger ?
Deputado Carlito Merss: Acredito que toda a atual legislatura deverá responder pela crise que atinge, como já disse, generalizadamente todos os partidos políticos. Minha esperança é que esse debate produza renovação no parlamento. O questionamento e a mobilização popular pela ética na política é uma elemento positivo, que mostra amadurecimento democrático.
VoteBrasil: Deputado, diga francamente, por favor, para aqueles que acompanham sua trajetória política, para seus eleitores e para os brasileiros em geral se o Sr. acha que os que comprovadamente receberam o "mensalão" devem ser banidos da vida pública?
Deputado Carlito Merss: Em primeiro lugar, não acredito na existência do "mensalão". Já está provado que houve acordo eleitorais entre partidos e que recursos foram destinados para o pagamento de dívidas de campanhas, configurando o ilícito penal de recursos não contabilizados na Justiça Eleitoral. Por outro lado, precisamos esclarecer a origem desses recursos e verificar, caso a caso, a responsabilidade de cada envolvido. Essa "fórmula" de financiamento de campanhas foi inaugurada, como sabemos, na campanha do PSDB em Minas Gerais, ainda em 1998. Parlamentares do PL, PTB, PMDB, PT e outros também foram beneficiados. Ou seja, é preciso banir o "procedimento", garantindo que não haja influência econômica no processo eleitoral. Para resolver isso definitivamente, só um reforma política ampla, com financiamento público e fidelidade partidária. Na base dessa crise está a fraqueza dos partidos e a arena de negócios das legendas de aluguel e das trocas partidárias.
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