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Segadas Vianna

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Segadas Vianna

Jornalista, Cientista Político e Consultor Político, 50 anos, atua como consultor de campanhas eleitorais desde 1978 e além de colaborador de colunas políticas importantes, tem artigos publicados nos grandes jornais do Rio, como o caderno de Idéias do JB. "Edita o Blog Falando a Verdade!(http://falandoaverdadecomsegadasvianna.wordpress.com) , voltado para a área de segurança pública"

24/03/2010 - 12h28

Voltando ao crack e seu rastro de tragédias

Voltamos a discutir de forma concreta a questão do crack e o que tem sido feito para combatê-lo, ou não...

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Voltando ao crack e seu rastro de tragédias

Muito tem se falado sobre o crack e os danos por ele causados à sociedade, mas na realidade pouco se tem feito de fato para se combater esta droga e as conseqüências de seu uso.

Tudo bem, as polícias de todo o Brasil continuam combatendo os traficantes, mas e o resto...?

Nas fronteiras, com as exceções de operações pontuais, como a que acontece agora, a Sentinela, estas continuam a ser mais do que queijos suíços, tamanha a quantidade de espaços sem nenhuma fiscalização das fronteiras e do que entra por elas.

Nas cidades as opções para tratamento dos usuários mais do que deixa a desejar. Considerando que cerca de 60% dos usuários de crack são das classes C, D e E, que não tem condições de pagar por um (caro) tratamento em um centro de recuperação de dependência química, as vagas existentes para os dependentes de crack em instituições públicas ou beneficentes são praticamente inexistentes. Isso para não falarmos no instrumento da internação compulsória que deveria ser praxe nos casos de uso de crack tendo em vista os sérios e rápidos danos que a droga causa ao usuário e à família deste.

Programas oficiais de prevenção? Tirando a tímida e rápida campanha levada a efeito pelo governo federal não há nenhuma campanha séria contra o crack em todo o Brasil Essa parte acaba sendo feita, de alguma forma, pelos noticiários que trazem as tragédias causadas por esta droga altamente mortal.

A imensa maioria das pessoas desconhece completamente a ‘tsunami’ causada pelo crack nos bairros negros e pobres nos EUA durante os anos 80. Gerações ali se perderam.

O crack já chegou aos pontos mais longínquos e distantes do país e continua a se tratar a questão do crack como um ‘problema de drogados e de suas famílias’ ao invés de tratar-se como uma epidemia nacional.

O ‘crackudo’ só incomoda quando comete algum ato violento contra a sociedade legal ou quando nos aborda nas ruas mendigando dinheiro para comprar sua dose. Tirando isso ele é visto, ou não visto, como um problema que é melhor não olharmos detidamente e com profundidade, pois quem sabe vamos acabar descobrindo que também é um problema de todos nós.

Famílias e vidas estão sendo devastadas pelo crack e parece que o Brasil continua de olhos fechados para isso, discutindo com afinco os Big Brothers da vida, a cervejinha do final de semana e o resultado do futebol.

Você tem um familiar com problemas de uso de crack? Não vacile esperando socorro oficial. Procure imediatamente a Justiça Especial, relate seu caso e peça uma Ordem Judicial para internar compulsoriamente seu familiar. Depois , não podendo internar em uma clínica particular seu familiar, procure imediatamente os hospitais públicos de sua cidade ou as instituições beneficentes que tem sistemas de internação , seja para dependentes químicos ou mesmo para doentes mentais e interne imediatamente seu familiar. Caso seja preciso requeira na Justiça um Mandado de Segurança para garantir esta internação. E lembre-se que há a Defensoria Pública ou escritórios-modelo de faculdades de Direito que podem fazer isso para você sem nenhum custo.

Não vacile. A vida de seu familiar pode ser perdida a qualquer momento.

Quanto às empresas que produzem copinhos plásticos com tampa metalizada, que é a ‘ferramenta’ mais utilizada pelos ‘crackudos’ como cachimbo para fumar o crack, por enquanto nada se espera delas , pois jamais se manifestaram sobre a possibilidade de substituir a tampinha metalizada por qualquer outro material que impeça seu uso como cuia de cachimbo.

Você sabe onde há um ponto de venda de crack? Não vacile. Ligue anonimamente para a polícia ou o disque-denúncia de sua cidade ou estado e informe imediatamente às autoridades. Elas, as autoridades, não tomaram nenhuma providencia? Denuncie novamente e se preciso for a uma instância superior. A sua omissão pode custar a vida de um familiar ou amigo seu.

Crack. Uma tragédia nacional.


A coluna acima é de exclusiva responsabilidade do autor.

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