Quinta, 09 de Setembro de 2010
Segadas Vianna

Jornalista, Cientista Político e Consultor Político, 50 anos, atua como consultor de campanhas eleitorais desde 1978 e além de colaborador de colunas políticas importantes, tem artigos publicados nos grandes jornais do Rio, como o caderno de Idéias do JB. "Edita o Blog Falando a Verdade!(http://falandoaverdadecomsegadasvianna.wordpress.com) , voltado para a área de segurança pública"
04/03/2010 - 11h37
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A morte do Cabo da PM no Morro da Pedreira foi uma morte anunciada. Certamente os que o conduziram aquele local tinham total conhecimento que a Pedreira é um morro altamente perigoso, que já foi a sede central do Terceiro Comando Puro, local de abrigo de um dos traficantes mais poderosos e perigosos do Rio, o ‘Linho’ ( aliás, por onde anda esta triste figura…?), local de origem de bandos de assaltantes que agem naquela região e que tem ’soldados’ do tráfico armados de fuzis e metralhadoras bem na entrada do morro.
Pois bem, nenhum policial, civil ou militar, desconhece que um policial entrar em uma favela, sem estar disfarçado, é como o decreto de uma sentença de morte.
Resgate de carro roubado é função e obrigação ou do Batalhão ou da Delegacia da área. Fazer uma empreitada particulardeste tipo é uma loucura com resultado pré determinado. negociar então com bandidos, que eu não sei se houve ou não esta negociação, é compactuar com a criminalidade. É descrer completa e totalmente das instituições policiais. Caso alguém, mesmo da família do Coronel,o tenha feito é apenas um exemplo de como o carioca adora ‘dar um jeitinho’, mesmo que esse carioca seja ligado direta ou indiretamente a policiais.
O resultado de tal trapalhada só poderia ser este mesmo. Tenha acontecido o que aconteceu lá dentro da favela, e isto ninguém jamais saberá exatamente, o final foi um Cabo PM, com dez anos ou mais de Corporação, de folga (!!!), com espôsa e dois filhos pequenos ( alô ONGs! Vamos ajudar a família deste Cabo…) fuzilado mortalmente com quinze tiros.
Agora resta o que ? A dor de uma família destroçada. Filhos órfãos que jamais irão conviver com o pai. Uma espôsa que perdeu , certamente, o amor de sua vida. E colegas enlutados, entristecidos e com certeza revoltados.
Os argumentos e justificativas podem ser os mais diversos. Ah, o Cabo já foi do 9º BPM e conhecia bem a área ( ué, então porque ele entrou na Pedreira sozinho…?). Ah, era apenas uma situação de se buscar um carro roubado. ‘Buscar’ um carro roubado…? O que é isso? O carro estava abandonado? Não. Ele estava em poder de traficantes e assaltantes que exigiam resgate pelo veículo.
Ou seja, não há nenhum tipo de explicação que justifique realmente esta ação irresponsável que custou a vida de um policial militar.
Não quero crucificar ninguém. Muito menos um Coronel da Polícia Militar, mas que analisando o ocorrido não podemos deixar de perceber e ressaltar as diversas irregularidades que permeiam este caso de final trágico.
É importante que isto seja devidamente esmiuçado internamente pela PM para que fato semelhante não volte a ocorrer. Não há necessidade de alarde nem de ‘apedrejamento em praça pública’. O que se precisa é demonstrar que caso sejam confirmadas as irregularidades que prevaleça o princípio de que ‘pau que dá em Chico também dá em Francisco’. Para bom entendedor , meia palavra basta, não é?
A nós, que admiramos as nossas polícias e lutamos com denôdo pela sua dignificação só podemos dar nossos pêsames à família , aos amigos e aos colegas de farda do Cabo morto neste episódio.
A PM cabe demonstrar sua isenção e determinação ao investigar e se for o caso punir os responsáveis em todo tipo de situação que se constate uma irregularidade, ainda mais uma irregularidade que custou a vida de um integrante da Corporação.
A Polícia Civil cabe também verificar cuidadosamente se houve culpabilidade de alguns dos envolvidos nesta situação lamentável e se for o caso indiciá-lo(s) por homicídio culposo.
A sociedade, repudiar veementemente a situação e seu trágico desfecho e lamentar que o Rio de Janeiro tenha tido mais um policial morto ( até quando…?) por marginais.
Por enquanto, o que temos, como diz a Canção do Policial Militar, é ‘mais um sol nos céus do Brasil’.
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