Quarta, 08 de Fevereiro de 2012
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Iso Jorge

Médico, graduado pela Faculdade de Medicina da UFF, especialista em Psiquiatria. Prof. de Psicopatologia e Psiquiatria da FCM da UERJ desde 1976. Livre-docente de Psicopatologia e Psiquiatria e Prof.-Adjunto da FCM – UERJ desde 1989, promovido a prof. Associado recentemente. Coordenador do Curso de Especialização em Psiquiatria - FCM-UERJ há mais de 10 anos. Colaborador de vários veículos de divulgação e colunista do VoteBrasil desde 01/2006
04/08/2010 - 22h41
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Ilustração: NIETZSCHE – por Edvard Munch
Neste fim de semana, sexta-feira, o Ex-Blog do Cesar Maia publica interessante matéria intitulada “CRÍTICAS DE DOUTOR EM ESTATÍSTICA AO MÉTODO DO IBOPE! (CONSULTOR DO EX-BLOG)!” – “Referência: Último Registro de Pesquisa do Ibope no Amapá. Veja”. Ficamos sem saber o nome do consultor do Ex-blog,,, É bem possível que a omissão seja decorrente da modéstia do próprio ilustre blogueiro, até porque ele é versado no importante assunto.
Eis o texto, na íntegra, e nosso comentário:
“1. ‘Há um erro gigantesco. Pode-se ler claramente que a pesquisa é feita de acordo com sorteios PPT. ATÉ O ÚLTIMO ESTÁGIO. O que isso significa? Que um setor censitário, ou cidade, ou qualquer região é selecionada de forma proporcional ao número de eleitores. O que é CORRETO. Porém, uma vez feita essa seleção, no último estágio a pesquisa NÃO PODE SER mais PPT (proporcional, como eles escrevem lá!), pois isso gera um erro incrível. ’(...)”
Ai está: o Ibope pode ter cometido “um erro incrível”! Mas, prossigamos lendo; agora, com um exemplo:
“2. Veja um exemplo simples. Vamos supor uma localidade com apenas três setores. A=1000 eleitores \ B=2000 eleitores \ C=3000 eleitores. Vamos sortear um deles. A com probabilidade 1000/6000; B com probabilidade 2000/6000 e C com probabilidade 3000/6000. Perfeito.”
A seguir, o Doutor em Estatística mostra de forma didática e meridiana, até para os ignorantes em Estatística como este colunista, o “erro incrível” na metodologia da pesquisa:
“3. Porém, se você faz a amostra agora, ainda PPT, vai cometer um erro incrível. Se fizer PPT numa amostra de tamanho 600, você deve ter 100 entrevistas em A; 200 em B e 300 em C, correto? Então qual a probabilidade REAL de uma pessoa em A ser selecionada? Simples: (amostra em A) x (Probab. de A) = 100/1000 X 1000/6000 = 100/6000. Correto? E qual seria a probabilidade de uma pessoa de B ser selecionada? Simples também: (amostra de B) X PPT de B = 200/2000 X 2000/6000 = 200/6000. Ou seja, O DOBRO que para o indivíduo de A. Da mesma forma, para o setor C, a probabilidade de um indivíduo ser selecionado é o TRIPLO: 300/3000 X 3000/6000 = 300/6000.”
Enfim, a probabilidade de um indivíduo da suposta classe C, mais numerosa e pobre, ser selecionado numa pesquisa seria TRIPLA! Ou seja, tal tipo de “erro incrível” irá privilegiar “Aquele candidato que tiver maior apoio nos estratos de maior tamanho da sociedade, que é a classe mais pobre.” (item 4). Tal argumento faz sentido? Sim, faz. E muito sentido!
Como, então, seria a metodologia correta? Leiamos o final da matéria:
“5. Esse é um erro comum, mas que pode ser corrigido quando se faz amostras IGUAIS no último estágio. Veja, se as amostras são, por exemplo, de tamanho 200 em cada setor (A, B ou C), as probabilidades não se alteram: em A: 200/1000 X 1000/6000 = 200/6000 \ em B: 200/2000 X 2000/6000 = 200/6000 \ e em C: 200/3000 X 3000/6000 = 200/6000. Ou seja, a mesma probabilidade de seleção DE UM INDIVÍDUO, independente do setor a que pertença!"
Assim, não temos dúvida de que os grandes Institutos de pesquisa parecem estar acima do Bem e do Mal, pois raramente eles são questionados como agora, especialmente por aqueles que encomendam o trabalho. Por que não questionam? Por falta de vontade política ou por cumplicidade?
Essa falta de questionamento é fatal para os destinos do nosso país, posto que os índices de preferência por um ou por outro candidato, muito antes das eleições e, consolidado bem próximo das eleições, tem sido determinante para a vitória do candidato em vantagem nas pesquisas. O clima do “já ganhou” contamina o psiquismo das pessoas. A Psicologia das Massas e a Individual explicam muito bem este aspecto e a explicação é terrível: o homem torna-se “gado”, ou melhor, torna-se “rebanho” como diria o filósofo F. NIETZSCHE e como o demonstrou o psiquiatra Ernst KRETSCHMER em seu memorável livro “Histeria, Reflexo e instinto”.
Não é possível admitir-se que o povo vote como num “estouro da boiada”, tão bem descrito pelo nosso EUCLIDES DA CUNHA, que pode ser correlacionado ao ser humano não só nortista e nordestino, em situações catastróficas, paixão política, etc.
As pesquisas eleitorais em nosso país têm sido uma nuvem de fumaça que cega o eleitor e isso explicaria, por exemplo, as vitórias do presidente LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA; mas, não explicam o crescimento ou decréscimo de determinado candidato, em tempo curto, sem que NENHUM fato político justifique a sua ascensão ou queda, como tem acontecido frequentemente nas pesquisas do Ibope e de outros Institutos de pesquisas confiáveis.
Para que a poluição de uma nuvem de fumaça não afete os nossos olhos seria interessante o candidato, a Presidente por hipótese, eventualmente prejudicado em determinada pesquisa, encomendar a sua, sugerindo outra metodologia, mais fiel e consentânea com a aspiração verdadeira do povo e que este use a córtex cerebral em detrimento da sub-córtex; que use a reflexão em detrimento da emoção; que use o “Além-homem” que todos nós possuímos e não se deixe contaminar pelo “instinto de rebanho”! NIETZSCHE tinha RAZÃO!
Por Iso Jorge Teixeira.
Fonte: Ex-Blog do Cesar Maia – 30/07/10 – sexta-feira. “CRÍTICAS DE DOUTOR EM ESTATÍSTICA AO MÉTODO DO IBOPE! (CONSULTOR DO EX-BLOG!)”.
A coluna acima é de exclusiva responsabilidade do autor.
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