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Isabel Vasconcellos

Isabel Vasconcellos Caetano é escritora, jornalista, produtora e apresentadora de rádio e TV. Teve programas na Band, Record, Gazeta e Rede Mulher de TV e foi líder de audiência, com seu programa Sexo Sem Vergonha, na Rádio Tupi AM, . Tem 9 livros publicados. É consultora sentimental da Revista 7 Dias Com Você e colunista da revista UpPharma. Ela própria atualiza o seu site onde também entrevista, no seu programa de WEB TV, importantes médicos.
08/09/2010 - 17h01
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Antes de dormir estava assistindo a um filme chamado Ágora que mostra o lamentável epísódio dos cristãos do século IV DC queimando as obras da biblioteca de Alexandria. Ou seja, acabando com a sabedoria da Antiguidade.
Não é uma atitude muito surpreendente para a Igreja Católica que passou 600 anos queimando mulheres nas fogueiras da Inquisição.
Os católicos também preservaram muitos conhecimentos durante a Idade Média, mas só aqueles conhecimentos que não contradiziam a sua visão do mundo. Levaram, ainda, mais de meio milênio para admitir que erraram ao condenar à fogueira quem acreditasse que a terra era redonda.
De manhã, ao acordar, o noticiário me fala de um pastor americano que propõe queimar exemplares do Alcorão no quintal da sua igreja na Flórida.
Maravilha! Ainda estamos na Baixa Idade Média, pelo jeito.
Não concorda comigo? Te jogo na fogueira. Ai, que tédio! Já estou cansada de ver esse filme.
Nos anos 1990 Caetano Veloso cantava “até quando a América Latina precisará de ridículos tiranos”?
Os ridículos tiranos não vivem apenas na América Latina, infelizmente.
Hitler adorava fogueiras: queimou livros e gente.
Queimar livros é igualzinho a fechar emissoras de rádio e TV ou submeter a imprensa a “conselhos” que se arrogam o direito de julgar o conteúdo da informação democrática.
Quem precisa de fogueiras e de censura não tem fé no próprio taco. Não acredita que a sua verdade seja forte o bastante para sobreviver ao confronto e/ou à oposição.
Todo censor, no poder, é um incompetente.
No Brasil, as ditaduras de Vargas e dos militares precisaram da censura para se segurar na corda bamba do poder. Na China, a Internet mete medo.
Na Venezuela, são as imagens que ameaçam e são cortadas, nas TVs e nos jornais.
Mas é tudo igual. De direita ou de esquerda, hoje ou no tempo da Biblioteca de Alexandria, os donos da verdade temem o diálogo, o conhecimento, a ciência, a pesquisa.
Os donos da verdade são na verdade os arautos do atraso.
Cuidado, nas próximas eleições, pra não votar em nenhum deles, tá?
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