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Isabel Vasconcellos

Isabel Vasconcellos Caetano é escritora, jornalista, produtora e apresentadora de rádio e TV. Teve programas na Band, Record, Gazeta e Rede Mulher de TV e foi líder de audiência, com seu programa Sexo Sem Vergonha, na Rádio Tupi AM, . Tem 9 livros publicados. É consultora sentimental da Revista 7 Dias Com Você e colunista da revista UpPharma. Ela própria atualiza o seu site onde também entrevista, no seu programa de WEB TV, importantes médicos.
25/08/2010 - 16h52
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Uma das questões em evidência na Bienal do Livro de 2010 foi o incremento do livro em formato digital versus o livro tradicional. Este foi também um assunto em discussão numa edição especial da Revista Panorama, especializada em editoração de livros.
É engraçado observar que quase todo mundo, ao falar do livro digital, diz que esse novo formato repetirá o que ocorreu com, por exemplo, o rádio e a televisão: No início da TV diziam que ela mataria o rádio e, sessenta anos depois, sabemos que isso não passou nem perto de acontecer. Então, por esse raciocínio, o livro digital não mataria o livro impresso.
Discordo completamente. O livro digital é o futuro que já chegou. Ele é infinitamente melhor, mais prático, mais leve e mais divertido do que o livro impresso e, antes que os “conservasaudosistas” me linchem, eu diria que o livro impresso continuará existindo sim, como uma relíquia, uma obra de arte e que as bibliotecas se tornarão também museus onde estarão expostos os belos livros impressos, convivendo pacificamente com as inúmeras possibilidades do livro digital.
Mas toda essa minha conversa, na verdade, é um preâmbulo para chegar a outro assunto: a resistência à mudança.
Tenho uma amiga que é o exemplo típico dessa resistência (e aposto que o leitor conhece também algumas, ou muitas, pessoas assim). A minha amiga morava numa mansão e não tinha máquina de lavar roupa porque achava que a roupa deve ser lavada à mão. Resultado: nenhuma empregada parava na casa dela. A minha amiga hoje mora num apartamento e foi obrigada a comprar uma máquina de lavar roupa, mas não tem microondas e não passa nem perto de um computador. Também não sabe e não quer aprender a operar o celular. Tem um porque ganhou dos filhos, mas só pra atender e ligar. Ah! E ainda tira fotos usando filmes, em plena era digital!
Parece inacreditável que algumas pessoas não consigam aceitar os enormes benefícios da moderna tecnologia. É como se desfilassem pelo trânsito paulistano a bordo de uma charrete ou não tivessem luz elétrica em casa.
Se é difícil para muitos seres humanos aceitar a mudança das diversas tecnologias, imagine como será difícil aceitar as mudanças sociais.
No entanto, a grande essência da vida e do Universo está na transformação. Sem mudança não há vida. Sem mudança não há nem mesmo morte.
As células do nosso corpo se renovam incessantemente, a cada minuto, e, em cerca de sete anos, não são mais as mesmas, nenhuma delas. Ou seja: de fato, de sete em sete anos, você muda de corpo. Literalmente. É você mesmo, a sua memória, o seu ego, mas noutro corpo, novo corpo.
Não vou ficar aqui dando exemplos de mudança. Olhe em torno: tudo à sua volta está mudando a cada instante.
Ótimo. Então por que essa horrível resistência ao que é novo?
Por que esse apego a ideias e conceitos antiquados? Por que você acha que, se é assim, não pode de maneira nenhuma ser diferente?
É inacreditável que você ouça, como ouvi um dia destes, preconceitos do tipo “chineses fedem”, “homossexualidade é doença”, “negros são menos inteligentes”. Nada disso é verdade. Existem diferenças entre as pessoas, mas não existe nada que caracterize uma etnia ou um sexo. Homens e mulheres, de todas as raças, de todas as culturas, de todos os sexos, são iguais em direitos e carregam consigo, em comum, apenas a morte. Todos vamos morrer. No resto, somos livres para sermos o que bem entendermos.
Enquanto o que não entendermos for a nossa igualdade na diferença, o nosso direito de livre expressão e a nossa necessidade de avaliação e aceitação da mudança, continuaremos assim: em guerra.
A coluna acima é de exclusiva responsabilidade do autor.
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