Quinta, 02 de Setembro de 2010
Caio Martins

Editor e produtor gráfico, foi exilado político e jornalista da Rádio Berlim Internacional. Trabalha com edições técnicas e assessoria parlamentar. Mantém os blogs literários "Poemas e Crônicas" e "Prosa e Verso de Boteco". Publica matérias autorizadas pelos autores nesta coluna. No VB desde 2005.
09/01/2010 - 13h13
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Como toda versão de espetáculos duvidosos, o Programa Nacional de Direitos Humanos III revela, cristalinamente, o caráter ideológico autoritário e elitista das forças políticas no poder. Assinado "no joelho" e "sem ler" (sic!) pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a fracassada Cúpula de Copenhague (há que ver, realmente, o que saltou, lá!), esse documento denuncia o modo de governar que institucionalizou a corrupção como norma e "A Mistificação das Massas pela Propaganda Política" como guia. Estabelece, todavia, abertamente o critério de "democracia autoritária" de "elites iluminadas" (no melhor estilo dos Top-Top-garcias da vida) invés da clássica (e fracassada) ditadura do proletariado dos anos 1920.
Dispensem-se, por obviedade, semelhanças denunciadas pelo hoje cooptado e ferrenho defensor do governo, Senador Almeida Lima, em pronunciamento no plenário do Senado em 30/03/06. Disse: "Assim como o Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei [ Partido Nacional Socialista Alemão dos Trabalhadores - leia-se: nazistas ] o Partido dos Trabalhadores não formulou um projeto de governo para um mandato de quatro anos: o objetivo foi um projeto de poder para transformar o Brasil em um Estado totalitário, fascista, intolerante e antidemocrático". Lógico, razões que a razão desconhece (pelo menos, finge bem) cooptaram os mais virulentos oposicionistas e, quem não cedeu, viu-se também atolado no pântano escabroso da corrupção. PSDB, DEM e congêneres calaram-se.
Partidos nanicos fundamentalistas, asfixiados pelo poder político de uns e pela indiferença tácita de outros, ainda esperneiam e vertem sérias denúncias que terminam em pizza. Quem, portanto, poderia detonar esse projeto inoportuno e tendencioso, matreiro e insidioso, quando até a OAB deixou de ser instituição nacional de classe para tornar-se organismo político-partidário? Haveria que testar: daí a provocação às FFAAs quanto à revisão da Lei da Anistia, mas pondo na frente, como cenoura ao asno, a perspectiva de rearmar-se modernamente. Daí persistirem histericamente na insistência da criação de mecanismos para amordaçar a imprensa e cassar o direito de livre-expressão. Aproveitem antes que acabe.
E, indo aos limites do perigo, o PNDH III visa garantir a movimentos políticos violentos plena impunidade para ocupar terras, destruir bens e violar o direito à propriedade em nome de pretensa reforma agrária. Fica meridianamente claro o porquê da estratégia de desarmar o cidadão de bem, "aliviar" a vida do crime organizado (ou não) e meter a segurança pública numa camisa de força. À juventude, o acesso livre e indiscriminado a drogas, sexo, consumo e "funk" (roqueandrola já era) garante que não haverá caras-pintadas. No tsunami de corrupção dos últimos anos, somente há protestos quando o ladrão safado é da oposição consentida. O "show" deprimente de desmonte da democracia gira, ainda, num cenário internacional típico de prenúncios de violentas trombadas, mais além das guerras em andamento.
De reluzente salvador da Humanidade, o “Escolhido” da Matrix-Big Brother virou Boneco Obama no palco dum cenário de crise anunciada, mais destinada a mandar os trabalhadores hispânicos ilegais de volta para casa que rearranjar o sistema. Como sempre, segue a tônica de baixar o cacete em país “marcado para morrer”. Enquanto isso, no País das Maravilhas, aperta-se o cerco da “revolução bolivariana” (sic!) de El Loco Chávez, El Coca-Loca Moráles, El Bispo-Papão, La "Famiglia" Kirchner, El Tabaréu Vasques, e outras figuras conspícuas no que tange ao exercício “iluminado” autoritário do poder. Soltaram fogos de graça, orgasmos telúricos de permeio, quando o sujeito disse: -“Você é o cara”... só não esclarecendo de quê.
Para os detentores de poder atômico e chefões da treta, o que ocorre tem sentido: há que manter áreas de reserva (até para futuras guerras), seja pelo genocídio explícito, como no continente africano, seja - na América Latina - pela corrupção, apodrecimento e destruição de princípios e valores capazes de representarem riscos ao péssimo costume de saque permanente do planeta. Nada mais eficiente que falar em Direitos Humanos e impor restrições à liberdade homeopaticamente (aquela história antiiiiiga do “só vai a cabecinha”) aos povos para os quais o apelo às liquidações de início de ano são mais importantes que a escolha de seus representantes - categoria só existente nas autênticas democracias.
Para “o resto”, implantam-se dirigentes amorfos e amorais, bastando pão, circo e uns poucos caciques para muito índio. Sai barato e fica, todo mundo, com o governo que merece.
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Marília Jung
13/01/2010 - 18h59 | São Paulo / SP
Encerrou O Assunto
Você encerrou o assunto e só seria mais claro se disse que o que querem é uma ditadura no estilo cubano ou venezuelano. Lula e Fefê são as duas caras da mesma moeda do neoliberalismo que entrega a casca para ficar com o miolo do pão. Esqueceram que podem vir com o plano mais sofisticado que não dá certo, no fim o povo brasileiro esculhamba tudo. Ditadura nunca mais.