Quinta, 02 de Setembro de 2010
Caio Martins

Editor e produtor gráfico, foi exilado político e jornalista da Rádio Berlim Internacional. Trabalha com edições técnicas e assessoria parlamentar. Mantém os blogs literários "Poemas e Crônicas" e "Prosa e Verso de Boteco". Publica matérias autorizadas pelos autores nesta coluna. No VB desde 2005.
20/10/2009 - 11h36
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Atrás do crescimento de crimes violentos em todo o país está a incompetência do Estado, do ponto de vista administrativo e, mesmo, sua complacência, sob o prisma político. Segundo estatísticas precárias, haveria acima de cinco milhões de armas sem registro no pais, das quais quantidade preocupante, mas não consignada, de calibres exclusivos das Forças Armadas. Na farsa demagógica e bufa do estabelecimento da Lei nº 10.826/03 (Estatuto do Desarmamento) e campanhas decorrentes, cerca de 500 mil armas - grosso modo - foram recolhidas do cidadão de bem em cinco anos. Não se conhece seu destino, mas sabe-se que muitas voltaram para as ruas, na mão da bandidagem.
A população rejeitou claramente (64,96 a 36,04%) a proibição de comercialização legal de armas e munições em 2005, no referendo conduzido pelo governo e setores da oposição, porém, os que querem bandidos armados e a cidadania inerme não dão tréguas. Ora, há que deixarem de hipocrisias: não se conhece o destino de armas arrecadadas, sabe-se que muitas voltaram às ruas, que o crime cresceu em quantidade e qualidade assustadoras nos últimos cinco anos, que a cidadania está indefesa e rejeitou nas urnas a ação insidiosa de tirar-lhe o direito de defesa. Por isso, pouquíssimos registraram a posse de armas, por não confiarem nas intenções dos promotores de caras campanhas “ocultas” pró-legalização, como a desconhecida vigente.
No contra-pé dessa panacéia, atacam-se carros blindados com metralhadora .50, derruba-se helicóptero com fuzil .30, inúmeros e misteriosos assaltos muito bem preparados se valem de armas de guerra no país inteiro, e seria apenas ação do crime organizado e fruto do “contrabando de armas”? E o número assustador de munições e armas “civis” nas ruas, nas escolas, em mãos de delinquentes juvenis, vendidas pelas esquinas e feiras a preço de banana? Vieram, todas, do Paraguay, hoje governado pelo “socialista” impoluto Bispo Papão? Está claro que não, e que há muita sujeira nisso. O buraco por onde vaza o armamento criminoso é mais embaixo... ou bem mais encima, vai saber.
Nos extremos da sinuca de bico, ou falamos de uma política deliberada de proteção ao crime e “escracho” da cidadania, ou temos a incompetência desastrosa do Estado na gestão de um pilar fundamental da vida social. No primeiro caso, somente a gestação de um estado totalitário e terrorista a justificaria, e estaríamos realmente perdidos ante a sanha de movimentos ilegais, na senda dos já financiados descaradamente pelo Estado. No segundo, numa democracia relativamente aceitável, trocam-se os incompetentes por quadros qualificados para o exercício do poder para o povo, pelo povo e com o povo. Isso se defensores do vício e viciados - alicerces, sustentáculos e financiadores do tráfico de drogas e, por isso, do crime organizado - permitirem.
Leis em prol de criminosos; descaso absoluto com as vítimas; teses sociológicas que, não fossem tétricas nos resultados, pareceriam românticas na teoria; impunidade seletiva desde que as favoreçam, formam quadro macabro. Desarmada, desprotegida, cercada por políticas públicas demagógicas e de péssimas intenções, que se espera da cidadania? Desfiles patéticos com roupas brancas e flores, se nos avassalam com armamento farto e vário? Ou forte mobilização nacional, nos moldes da firme resistência ao referendo fajuto de 2005, impondo as regras do jogo e definindo que criminoso é criminoso, político ou não, e cidadão é cidadão? Que é hora do fim da mentira e início da execração dos que a promoveram e impuseram?
Assim, os cem milhões de reais oferecidos “generosamente” ao Rio de Janeiro para “combater o crime”, pelo Executivo, já estavam no orçamento; não foram repassados. Foram contingenciados, ou seja, retidos por um governo que gasta mais do que arrecada para manter o aparelhamento da máquina administrativa, mesmo que o país se exploda. A mentira política, placenta do crime em todas suas modalidades, revela em que impasse nos encontramos e 2.010 não será o ano da verdade. A verdade escancarou-se há muito tempo, com o medo matando a esperança e a demagogia tentando (por enquanto, pelo menos...) liquidar a democracia, na suicida rota temerária de vizinhos que incidiriam no art. 35 da Lei 11.343/06 e quejandos.
Cabe à sociedade rebelar-se, organizar-se e agir determinada e intensamente para reverter esse processo pérfido e, eficientemente, limpar realmente essa sujeira toda. Senão, melhor lançar de vez Beira-Mar e Marcola na disputa presidencial futura: seria ao menos mais honesto e saberíamos com quem e quê, de fato, estaríamos lidando quanto à segurança pública.
(img: ricardo moraes - AP)
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A coluna acima é de exclusiva responsabilidade do autor.
Br1000
20/10/2009 - 23h35 | Florianópolis / SC
Parabéns
As verdades precisam ser divulgadas incansavelmente para que mais e mais brasileiros fiquem esclarecidos cientes.
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Caio Martins
21/10/2009 - 13h46 | São Paulo / SP
Conhecimento
Meu caro,
o VoteBrasil, enquanto não imporem regras de jogo de censura à imprensa como as pretendidas em todos os países vizinhos, sempre tentará trazer o conhecimento de fatos graves sem sensacionalismo ou partidarismos.
É sua essência desde as origens, e todos os agradecimentos devem ser levados ao André Barreto, autêntico democrata que nos propicia o exercício da opinião livre, por maiores que sejam as dificuldades. Aqui não há "rabo preso" ou "conveniências. Felizmente.
Forte abraço.