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Editor e produtor gráfico, foi exilado político e jornalista da Rádio Berlim Internacional. Trabalha com edições técnicas e assessoria parlamentar. Mantém os blogs literários "Poemas e Crônicas" e "Prosa e Verso de Boteco". Publica matérias autorizadas pelos autores nesta coluna. No VB desde 2005.

20/11/2009 - 10h29

Festa de arromba

A questão é que, no mesmo esquema e no mesmo sistema, as oposições sofrem dos mesmos desarranjos ideológico-intestinais que governistas; como diz o caboclo, em festa de macaco nhambu não pia...

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Festa de arromba

A farra com dinheiro público, nunca dantes vista neste país, não permitirá que o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva derrube o famigerado “Fator Previdenciário”, verdadeiro afano na cara dura contra quem contribuiu a vida inteira para desfrutar de uma velhice digna. Alegam, os “illuminati” financeiros governamentais, que haveria tremendo rombo nas contas públicas... Mas, se feericamente, mês a mês, ano a ano, década a década, recolheu-se dos trabalhadores a contribuição previdenciária, onde, diabos, foi parar o dinheiro?

Que outro governante, de algum ignoto partido de extrema direita, assim procedesse, nada haveria que reclamar. Porém, o Presidente-operário e um partido dito “dos trabalhadores”, assim procederem, é falarmos do maior 171 político igualmente jamais visto nunca dantes na história deste país... Meteram, ano após ano, criminosamente, a mão no dinheiro dos aposentados passados, presentes e futuros. Garfaram na cara dura! Sumiram co'a grana! Em recente entrevista com o Senador Paulo Paim, ouvimos o seguinte:

VoteBrasil: No correr de décadas, os aposentados e previdenciários pagaram religiosamente suas contribuições. Portanto, o dinheiro entrou. A pergunta é: Por que, governo após governo, todos dizem que a Previdência está quebrada? Se o dinheiro entra compulsoriamente, onde foi parar? Quê fizeram com ele e nesse sentido, quanto o Estado deve à Previdência?

Senador: O Estado Brasileiro deve ter uma dívida com a Previdência que ultrapassa R$ 3 bilhões, com esse dinheiro foi construída Brasília, a Ponte Rio Niterói, a Trans-Amazônica, Itaipu, Volta Redonda, a Siderúrgica Nacional e por aí vai, porque naquele tempo o dinheiro entrava e o Estado só gastava independentemente do governo que estava no poder. Por isso eu nem quero olhar pra trás, porque o Estado nunca vai devolver esse dinheiro. O que eu tenho dito que seria fundamental é aprovar a PEC 24, para não permitir, daqui para a frente que o dinheiro da Seguridade Social seja destinado para outros fins.


Valente, o Senador, todavia inocente... A Comissão de Constituição e Justiça derrubou o FP (fator previdenciário, claro, mas qualquer especulação com iniciais é perfeitamente válida), o que terá de ser referendado pelo plenário. O Presidente já mandou recado que vetará a medida, através dos ministros da área econômica. Há, realmente, um poder extraordinário governando as decisões do Estado quando de pagar falamos, integrada aos benefícios auferidos ainda mais notáveis do sistema bancário na última década.

A respeito, Woodrow Wilson fez pronunciamentos em 1921 chamando a atenção para o controle crescente dos illuminati sobre o sistema bancário norte-americano, dizendo que "Existe um poder tão organizado, tão sutil, tão completo, tão penetrante que ninguém deve falar em voz alta quando fizer críticas a ele." Como este país sempre imitou o pior do Big Brother, juntou-se isso com o pior do peronismo e do getulismo, e deu nessa ordem estapafúrdia de um Presidente-operário que ferra os que já trabalharam, estão trabalhando e trabalharão, porque o Estado, antes dele e durante ele, meteu e mete a mão no dinheiro dos velhinhos.

Além da manutenção do assalto ao bolso dos aposentados, a festa de arromba da corrupção e da má-fé governamental na gastança estéril não encontra realmente, como disse o Presidente, resistências sequer na oposição: "A mim pouco importa aquilo que alguns adversários dizem sobre o que estamos fazendo. Adversário é exatamente para isso. Se não fosse assim, não seria adversário. Eles estão com um problemaço porque vão ter que encontrar um assunto para discutir conosco”.

Presidente, assuntos há, às centenas e aos milhares, dos quais V.Excia e seu partido foram exacerbados defensores quando na oposição... E que hoje, na festa de arromba do poder pelo poder, transformaram em letra morta. Será esse, o legado de sua biografia à História?

A questão é que, no mesmo esquema e no mesmo sistema, as oposições sofrem dos mesmos desarranjos ideológico-mentais-intestinais que governistas; como diz o caboclo, em festa de macaco nhambu não pia...


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A coluna acima é de exclusiva responsabilidade do autor.

Comentários desta Coluna

Clélia Elman

21/11/2009 - 12h43 | São Paulo / SP

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Que é um choque contribuir pra receber X e receber

X:2= 1/2 X, não há dúvida. Choque maior é ver quem nunca contribuíu receber quase a mesma coisa que o contribuinte que investiu por 30, 35 anos: o esperto investiu 0, e recebe 0= R$ 450,00.

E A turma de Brasília, que determina a seu bel prazer o próprio salário? Esse caixa nunca fica falido, nunca dá "prejuízo para a União". Parece que todo mundo cabulou as aulas de matemática quando dá a explicação do cofre arrombado...

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