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Caio Martins

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Caio Martins

Editor e produtor gráfico, participou da resistência ao regime militar, foi exilado político, correspondente e jornalista da Rádio Berlim Internacional. Trabalha com edições técnicas e assessoria parlamentar. Mantém o blog literário "Poemas e Crônicas", dentre outros.Publica matérias autorizadas pelos autores nesta coluna. No VB desde 2005.

09/02/2010 - 23h07

Erro crasso

Liderança não se impõe: se conquista. É a velha e boa questão de respeito e admiração, que tornam um líder nato em dirigente aceito.

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Erro crasso

A estratégia dos marqueteiros da coligação do governo para levar a Ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, à Presidência da República, dá às oposições tudo que precisavam: um bom motivo para partir para a briga. Na comparação do governo do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o do Ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso, estabelecida como a mais extraordinária descoberta do “marketing” político, retiraram do debate eleitoral a essência da arte de ganhar um pleito: a discussão do futuro.

FHC não perdeu a boa oportunidade que lhe veio ao encontro já com sela e bridão: montou e calcou as esporas. Seu último artigo, amplamente divulgado pela mídia, deu não a ele, mas ao seu partido e coligados, a oportunidade de mostrar que nada, no governo que já começa a despedir-se, pode ser desvinculado dos programas do anterior. E pelo andar da carreta no Senado, mostrar que o PAC - Programa de Aceleração do Crescimento - é de fato um “Programa de Aceleração da Candidatura” da Ministra, desenvolvido sabe-se lá em que exotéricas catacumbas marqueteiras do poder.

A estupidez de querer meter goela a baixo dos eleitores que o Brasil só existe desde 2003, que este governo, seguidor irrestrito e xiita das políticas sociais e econômicas “neo-liberais” do anterior, as inventou (depois de condená-las violentamente antes do gozo do poder), e impor uma líder a marretadas publicitárias e fórceps políticos, não só tem pernas curtas, mas, é definitivamente capenga. Liderança não se impõe: se conquista. É a velha e boa questão de respeito e admiração, que tornam um líder nato em dirigente aceito.

O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva conquistou respeito e admiração no exato momento em que, afirmando ser um democrata, detonou o projeto golpista do terceiro mandato gerado por aloprados excitados tementes de “perder a boquinha”. Sabia que teria dado um tiro no pé. E garantiu a essência da democracia - a disputa pela alternância no poder e o respeito à Constituição - não por convicção, porém, por conveniência: jamais aceitaria entrar para a história como mais um tiranete, ao estilo Chávez, Fidel, Moráles, tantos outros.

Dilma tem todas as condições para mostrar o que pretende desde que atue com sabedoria, honra e dignidade, desde que pense com a própria cabeça e se os marqueteiros deixarem. Livrando-se dos frenéticos criadores de mitos e mentiras, factóides e falsidades, zerando a fita da companhia de corruptos e corruptores, fichas-sujas e fanáticos, não ficará sozinha: ao contrário, chegará ao povo, essa “entidade mítica” capaz ao mesmo tempo dos maiores heroísmos e covardias, milagres e desastres, e até poderá liderá-lo.

O tijolo jogado para cima pelos governistas e apostadores na Ministra já começa a curva descendente e pode cair, inexorável, em suas caras. Os números do PAC não batem, a ameaça à liberdade de expressão, livre iniciativa e pautados por revanchismo - num temerário projeto travestido de direitos humanos - arregimentam forças contrárias consideráveis. Os números da economia, referentes ao balanço dos oito anos, não batem, veja-se a dívida interna, o IDH da ONU. Inaugurar obras feitas ou nos alicerces não resolve o descompasso.

Fora a amizade íntima com figuras como os tiranetes mencionados e outros, como o execrado ditador atômico iraniano, Mahmoud Ahmadinejad (aquele que nega o Holocausto, e que está em franca, alegre e ativa corrida de produção de armas nucleares), emérito protetor do Taliban e do Al Qaeda. Ou desarmar a população de bem (por que?) enquanto o crime - organizado ou não - impera livremente, são indícios graves que, na comparação histórica, cuja bandeira as oposições tomaram com ardor, não facilitarão a eleição da Ministra. Ao contrário, abalarão seus precários alicerces.


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A coluna acima é de exclusiva responsabilidade do autor.

Comentários desta Coluna

Caio

12/02/2010 - 17h42 | São Paulo / SP

Apropriado

Clélia,

seu comentário é apropriado... Não só os tucanos, como todos os partidos políticos, precisam passar por funilaria, pintura, elétrica, mecânica e, principalmente, quanto ao conteúdo, a troca de seus dirigentes.

Mesmo debilitada, inexperiente e andando de lado, nossa precária democracia resistiuaté agora às tentativas de transformá-la em "democradura" de partido único. Esperamos que "das cavernas do futuro" não saia nenhum monstrengo babando, como pela vizinhança.

Forte Abraço.

Clélia Helmann

11/02/2010 - 12h06 | São Paulo / SP

Na Caverna do Futuro

O que pensávamos na campanha que resultou no primeiro mandato de Lula? Os pontos contrários à sua eleição, na época, faziam muita gente temer. Mas, depois de dois mandatos, vê-se que os medos não se sustentaram no patamar em que estavam. Não porque não fossem reais, mas porque existe o embate democrático de forças que, no Brasil, pelo menos, corrigiu o curso de muitos "entusiasmos". O PSDB terá que se recriar.

Se Dilma ganhar, não governará sozinha. Vejamos o que dorme na caverna do futuro.

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