Quarta, 08 de Fevereiro de 2012
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Caio Martins

Editor e produtor gráfico, participou da resistência ao regime militar, foi exilado político, correspondente e jornalista da Rádio Berlim Internacional. Trabalha com edições técnicas e assessoria parlamentar. Mantém o blog literário "Poemas e Crônicas", dentre outros.Publica matérias autorizadas pelos autores nesta coluna. No VB desde 2005.
03/05/2010 - 09h52
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Deixemos claro primeiramente, após a sábia decisão do Supremo Tribunal Federal de reduzir aos termos mais simples a insidiosa pretensão de organismos cooptados pelo governo para violentar a Lei da Anistia, que na segunda metade do século passado, terroristas foram os que, na mão grande e bem armada, tomaram o poder e passaram a matar e bater e torturar e prender. Começaram uma guerra para que Juscelino não voltasse ao poder, pois no quadro da Guerra Fria, a geopolítica ianque traçava concentrações absolutas de poder nos países satélites. Lincoln Gordon, embaixador norte-americano no Brasil em 1964, deu “luz verde para que os militares dessem o golpe militar”. Ele deixou claro que (...) os Estados Unidos reconheceriam imediatamente os militares no poder” ¹. Assim fizeram.
A resistência armada contra a ocupação armada (usando francatripas locais) coordenada por Gordon obedeceu a preceito milenar: o do Direito à Resistência. Há quem, ao levar tiro e pancada, simplesmente foge; ainda quem, apostando nos insondáveis desígnios da História, mas conhecedores de projetos e programas de dominação alienígena, armaram jogo contrário aos tranca-ruas. Outros, retribuíram a gentileza como possível, na base do bateu, levou, atirou, levou. A “guerra” acabou no momento em que os militares passaram a consumir muito e render pouco. Entraram em cena, então, em lugar do braço armado caboclo do Pentágono e da Otan, organizações conspícuas como a Ford Foundation e similares, armando a teia garantidora da continuidade da dominação global por parte do sistema financeiro internacional.
Se a “guerra” acabara, com a promulgação da Lei de Anistia (nos termos em que foi mantida) garantindo a instituição da Constituição de 1988, fim de conversa. Atrás do revanchismo, está a atuação de ONGs políticas impenetráveis somadas a interesses eleitoreiros e outros, absolutamente inconfessáveis. Financiam, inclusive, fartamente eleições e projetos de perpetuação de seus sicários no poder, veja-se o panorama de alguns “vecinos” latino-americanos. Esse esquema acredita na atração incontrolável das massas por bestialidades, o fomenta e diversifica. Não por acaso, jamais a programação midiática foi tão medíocre na história deste país. Afinal, quem se massacra nas ruas por um time de futebol, v.g., não mereceria evidentemente qualquer respeito ao seu discernimento.
Transformadas em espetáculo, as eleições perdem seu caráter democrático e cidadão, tornam-se mero instrumento de dominação e atendem, rigorosamente, estratégias traçadas desde as capitais mundiais do poder. O efeito mais notável, por exemplo, na atual crise dos países líderes, é o corte de oportunidades e perspectivas para os milhões de imigrantes ilegais que buscaram, ali, fugir das duras realidades de seus próprios países. Ponha-se nisso o domínio social do tráfico de drogas, do crime organizado e da corrupção como forma de debilitar países eufemisticamente chamados de “emergentes” quando seguem, como sempre, subdesenvolvidos. É nesse quadro que decorrerá o pleito de 2010 no País das Maravilhas. Que ninguém se iluda: será, novamente, o império do vale-tudo.
Tsunamis de dinheiro espúrio rolarão, não haverá resquícios de moralidade para a perpetuação dos esquemas longamente traçados por organismos solertes, vinculados aos polos estratégicos de seus países. Neles, tirando um assassinato de presidente aqui e ali, o nível do espetáculo é mais elaborado; nas periferias planetárias, o buraco é mais embaixo. Mantém-se o regime e o sistema econômico “new wave” (a política das canhoneiras não é eficaz, atualmente) não importa o candidato eleito. Devido a isso retirou-se da população de bem o direito de autodefesa com uma Lei do Desarmamento que armou o crime organizado até os dentes, seguem tentando calar a imprensa e o jornalismo e, na manutenção da precariedade, saúde e segurança, educação e infra-estrutura, justiça e segurança social não funcionam.
Impunidade institucional, benesses a fascínoras, privilégios a parasitas fazem parte desse esquema, montado num bestiário insólito. O Direito à Resistência volta, premente, à pauta nesse cenário tétrico. Há que negar com firmeza o voto aos que mentem, aos que tripudiam e violam legislações alegremente, como ocorreu neste fim de semana. “A Lei? Ora, a Lei...” - o Getulinho ditador fez, realmente, história e discípulos. As ONGs inatingíveis aplaudem, eufóricas, festejando o Dia do Trabalho com a Marcha da Maconha... E tome fumo!
¹ - http://pt.wikipedia.org/wiki/lincoln_gordon .
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