Quarta, 08 de Fevereiro de 2012
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Caio Martins

Editor e produtor gráfico, participou da resistência ao regime militar, foi exilado político, correspondente e jornalista da Rádio Berlim Internacional. Trabalha com edições técnicas e assessoria parlamentar. Mantém o blog literário "Poemas e Crônicas", dentre outros.Publica matérias autorizadas pelos autores nesta coluna. No VB desde 2005.
01/09/2010 - 20h30
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Não, não se alarmem, pundonorosos leitores: nada a ver com o charme da antiga zona de prostituição de São Paulo, hoje transformada em ponto de tráfico e consumo de drogas a céu aberto... Trata-se do tétrico cenário político posto sob lei eleitoral de exceção violando descaradamente inclusive o artigo 139 da Constituição Federal, que trata do “Estado de Sítio”.
Humorista que se atreva a gozar de candidatos, ou jornalista que denuncie suas mazelas, podem ser vítimas de violência in(con)stitucional, como nos velhos e pérfidos tempos das ditaduras que avacalharam o “País das Maravilhas”.
Sigilos fiscais de candidatos de oposição e seus familiares são devassados na mão grande, pesquisas concentram-se em áreas absolutamente favoráveis ao objeto de desejo do sistema, e o tsunami de ilícitos ocorridos nos últimos tempos sequer é mencionado nas higiênicas propagandas eleitorais... Virou, definitivamente, zona.
Essa indecência pasteurizada imposta transforma o pleito eleitoral - expressão máxima da democracia - em cenário de oferta e procura na boca-do-lixo. Como nestas, a grande ausente é a população de bem, e a área é ocupada por tudo que o país não precisa, numa relação promíscua entre marqueteiros, mídia comprometida, legislações de exceção e, pasmem, o silêncio amplo, geral e irrestrito dos participantes da farra do boi pela conquista do poder.
Nenhum é inocente, nem vítima, quando se trata de transformar o debate eleitoral em venda de produtos pasteurizados, reformados, recauchutados, mesmo que com garantia e/ou data de validade vencidas. Diríamos que as legislações, no país, jamais favorecem ao cidadão de bem, mas, prioritariamen...
"IV
Era um sonho dantesco... o tombadilho
Que das luzernas avermelha o brilho.
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros... estalar de açoite...
Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar...
[...]
E ri-se a orquestra irônica, estridente...
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais ...
Se o velho arqueja, se no chão resvala,
Ouvem-se gritos... o chicote estala.
E voam mais e mais..."
(Castro Alves - O navio negreiro)
... certo? Esse jogo sinistro que desarmou a população de bem via estelionato publicitário, que insiste permanentemente em calar a mídia e o jornalismo éticos e, não contente, quer decapitar até o humor, não pode senão representar o fascismo latente nas tendências não dos aloprados (ou a canalha do vale tudo para locupletar-se) mas dos ideólogos que temem, acima de tudo, perder seus privilégios, benesses e quejandos típicos dos regimes de exceção.
Dominar partidariamente todos os setores da máquina pública, tentar chegar à mídia única (mesmo que dividida entre executores a soldo), cercear o poder investigativo do MP, manter ligações perigosas com tudo que o planetinha suicida não precisa, são aspectos do que temos no presente. A democracia, já infectada por perigosos virus totalitários, transformar-se-á em democradura? E se for exatamente isso, a bolivarianização, que “o povo” quer? Daí, danou-se...
Resumindo: na boca-do-lixo em que o processo eleitoral foi transformado, com censura de permeio, o diabo não é assim tão feio quanto parece. É muito pior.
Milton Martins
02/09/2010 - 21h06 | Piracicaba / SP
Stf Libera O Humor
Caio
Compreendo bem seu artigo, um simbolismo que embute a resistência do Estadão à censura que sofreu nos tempos da ditadura. Naquele idos, o jornal transcrevia trechos de "O Lusíadas", de Camões, nos espaços em que houvera censura às suas notícias. Hoje, porém, o STF, por 6 x 3, liberou os humorísticos que se valem da imagem de políticos, o que se constitui um alívio. Julgou inconstitucional trecho da lei eleitoral que os proibia. Resistamos, pois, à censura, aberta ou velada. Milton Martins
Mohiman Shafa
02/09/2010 - 17h47 | Ponta Grossa / PR
Poder Político
O poder político precisa ser substituído pelo poder da harmonia e unidade de visão, que advém do poder do amor, beleza, alegria, algo que penetra os corações, e que se expressa através de atos de serviço.
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Márcia Sanchez Luz
02/09/2010 - 23h15 | Araras / SP
As Palavras Podem Muito!
Caio, seu texto é de uma coerência e lógica irretocáveis. Mais uma vez me vi envolvida pelo prazer da leitura de seus pensamentos e visão de mundo. Que as palavras possam sermpre mostrar a força que têm. E que elas sejam, de fato, transformadoras.
Márcia