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Caio Martins

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Editor e produtor gráfico, participou da resistência ao regime militar, foi exilado político, correspondente e jornalista da Rádio Berlim Internacional. Trabalha com edições técnicas e assessoria parlamentar. Mantém o blog literário "Poemas e Crônicas", dentre outros.Publica matérias autorizadas pelos autores nesta coluna. No VB desde 2005.

18/04/2010 - 22h46

BAHÁ’ÍS: PERSEGUIÇÃO RELIGIOSA NO IRÃ

Os participantes da Fé Bahá’í, em quase todos os países, movem intensa campanha para a libertação de seus membros no Irã e, no mínimo, de condições de um julgamento aberto, justo e com observação internacional.

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BAHÁ’ÍS: PERSEGUIÇÃO RELIGIOSA NO IRÃ

O Irã dos aiatolás e de Mahmoud Ahmadinejad, atual Presidente (eleito em pleito envolto em denúncias de fraude em 2009) acusado de apoiar organizações terroristas como o Hamas, Talibã e Al Qaeda, e de estar em franca correria para a produção de armamento nuclear, é também caracterizado pela perseguição religiosa. A comunidade Bahá’í é uma de suas vítimas. Sete de seus dirigentes encontram-se encarcerados em Teerã desde 14 de maio de 2008.

São eles: Fariba Kamalabadi, Jamaloddin Khanjani, Afif Naeimi, Saeid Rezaie, Mahvash Sabet (presa em 05 de março), Behrouz Tavakkoli e Vahid Tizfahm. São presos de consciência, a serem condenados por professarem a sua crença. Aproximadamente 40 outros bahá'ís estão hoje presos no Irã devido à perseguição religiosa.

A “Fé Bahá’í” é uma religião independente que possui administração, fundamentos e calendário próprios. Estima-se que existam cinco a seis milhões de bahá’is espalhados por mais de 200 países e territórios, seguindo o princípio de unidade das religiões sem preconceitos ou imposições: para eles, a religião deve ser a causa de harmonia, jamais de conflitos. No Irã essa visão democrática da fé e da compreensão humana não é tolerada pelo regime ditatorial dos aiatolás e seu factótum Ahmadinejad.

Reconhecida pela comunidade internacional por seus esforços em favor da busca de melhoria da qualidade de vida e da paz mundial, a Comunidade Internacional Bahá'i é uma ONG que representa a Fé Bahá’í na ONU desde 1948.

Em 1970, passou a ter “status” consultivo junto a ECOSOC, (Conselho Econômico e Social das Nações Unidas), UNICEF (Fundo para Infância das Nações Unidas), UNIFEM (Fundo de Desenvolvimento para Mulheres, das Nações Unidas), WHO (Organização Mundial de Saúde), UNEP (Programa do Meio Ambiente das Nações Unidas) e UNDP (Programa de desenvolvimento das Nações Unidas).

O atual beligerante regime iraniano tem visão radicalmente diferente, como se constata no noticiário internacional. Sobre o tema, informa Diane Ala'i, representante da Comunidade Internacional Bahá'í nas Nações Unidas em Genebra: "Estes sete Baha'is inocentes em breve estarão no seu terceiro ano de prisão", disse ela. "No mínimo, eles deveriam ter sido libertados sob fiança enquanto aguardam o resultado do tortuoso processo judicial ao qual têm sido submetidos. Isto é inaceitável à luz das leis internacionais de direitos humanos".

Os sete estão detidos na prisão de Evin, em Teerã. Nenhuma audiência foi realizada até 12 de janeiro deste ano, quando seriam levados à 28ª Vara da “Corte Revolucionária” e as “acusações” seriam apresentadas, incluindo espionagem, atividades de propaganda contra a ordem islâmica e "a corrupção na terra", esta última punida com pena de morte, objetivo do regime. Formavam um grupo que atendia às necessidades da vida comunitária da Comunidade Bahá'í no Irã, que era reconhecido e autorizado pelo próprio governo.

Ainda que o Irã seja signatário do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos - que garante a qualquer ser humano, sob qualquer circunstância, a liberdade de pensamento, consciência e religião - sua crença é combatida pelo governo iraniano. As duas primeiras audiências aconteceram nos dias 12 de janeiro e 07 de fevereiro deste ano, sigilosas e a portas fechadas.

A nova audiência do julgamento dos sete líderes bahá'ís, remarcada para as 12h00h - duas após o horário estabelecido - todavia não se realizou. Não sendo permitida a entrada dos familiares dos réus no tribunal e pela presença de vários oficiais e agentes do Ministério da Inteligência, seria mais uma sessão secreta.

Em vista de circunstâncias anteriores, os presos, com o total consentimento de seus advogados, recusaram-se a participar de nova sessão fechada. Devido o interesse da imprensa internacional e vigilância de organizações internacionais, o juiz encerrou o ato sem marcar data para a próxima audiência.

Os participantes da Fé Bahá’í, em quase todos os países, movem intensa campanha para a libertação de seus membros no Irã e, no mínimo, de condições de um julgamento aberto, justo e com observação internacional.

Cartas e mensagens estão sendo enviadas a governos, organizações internacionais, representações diplomáticas, governos, parlamentos, imprensa e entidades defensoras dos direitos humanos, dentre outros, exigindo não só a libertação dos prisioneiros, mas também o pleno respeito à liberdade religiosa, nos termos do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos.

A farsa judicial montada contra os bahá’ís é parte da sistemática repressiva com aparência legal, movida pelo governo de Ahmadinejad e os aiatolás contra todos que consideram “inimigos do regime”. Os representantes da crença, no Brasil, solicitam a solidariedade de todas as tendências religiosas e de todos os defensores da democracia, para a libertação dos presos religiosos e políticos no Irã.

O Secretário Nacional de Ações com a Sociedade e o Governo da Comunidade Bahá’í no Brasil, Iradj Eghrari, assim se manifestou a respeito do peso decisivo da opinião pública para a libertação dos prisioneiros:

“- A contínua pressão sobre as autoridades iranianas é imprescindível para que estes indivíduos sejam libertados imediatamente. Os bahá’ís de todo o mundo e a comunidade internacional têm a expectativa de que os governos das nações livres persistam em levantar suas vozes em defesa destes sete inocentes.”

fontes: new york times - folha sp - estadão.

http://www.onecountry.org - http://www.bahai.org.br - http://www.bic-un.bahai.org - http://sasg.bahai.org.br


A coluna acima é de exclusiva responsabilidade do autor.

Comentários desta Coluna

Rafael Barbosa

19/04/2010 - 09h17 | São Caetano do Sul / SP

Deus Os Livre E Guarde...

Dr. Milton

com todo respeito Deus os livre e guarde. Atrás de tal advogado estaria Marco Aurélio Top-Top Garcia. É um aiatolá errado para um Ahmadinejad que não deu certo. Não tiveram peito para impôr no Brasil um regime totalitário como no Iran. Nem com o MST e outras organizações criminosas funcionando como falange armada.

Temos que dar todo apoio para libertar os dirigentes religiosos. E impedir que isso ocorra no Brasil com os diritentes políticos democráticos.

Milton Martins

19/04/2010 - 00h58 | Piracicaba / SP

Que Seja O Lula O Advogado dos Bahá’í

Do jeito que Lula defende o Irã e o seu aliado Mahmoud Ahmadinejad, sem causa, seria Lula o melhor "advogado". Mas, Lula não tem interesse em defender direitos humanos fora do Brasil até porque aqui sequer leu o projeto ruim como é o PNDH. Esse desinteresse ele demonstrou no caso dos presos políticos cubanos e por certo nada fará pelos bahá'i ainda que instado a tanto. Assim, os órgãos internacionais devem ser muito mais pressionados a agir na libertação dos presos da citada fé. Milton Martins

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